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Prefácio da autora Louvado seja Deus, o Senhor do Universo, o Único, que não possui sócios, d'Ele a Autoridade e a Ele o Louvor, e Ele é, sobre todas as coisas, Onipotente. Que a paz e a bênção de Deus estejam com o Profeta Muhammad, seus familiares, companheiros e seguidores. O objetivo deste livro é transmitir aos não-muçulmanos informações gerais sobre o Islam, um assunto de crescente importância no cenário internacional, que vem sendo, insistentemente, abordado pela mídia de forma simplista e depreciativa. Os muçulmanos vêm sendo mal interpretados pelo Ocidente, que emite opiniões sem fundamento, denegrindo a imagem do Islam perante a população que não possui informações suficientes para formar uma opinião própria sobre o assunto, deixando-se levar pela mídia tendenciosa e partidarista. Procuro através deste trabalho fornecer dados consistentes, apesar de superficiais, que permitam aos não-muçulmanos uma melhor compreensão do modo de pensamento e vida dos muçulmanos, esclarecendo que estes têm seus próprios padrões e modelos religiosos e culturais, que determinam seu comportamento diferenciado. Com a ajuda de Deus, o Altíssimo, este trabalho foi realizado e em Suas mãos está entregue. Possa Deus, o Altíssimo, validar nossos esforços pela Sua causa e perdoar todos os nossos pecados. Aisha Aini, Ramadan de 1424/ novembro de 2003
Introdução Significado do Islam Islam é uma palavra árabe que significa literalmente paz, mas seu sentido é de submissão e obediência total à Vontade de Deus, o Altíssimo. A Vontade de Deus é a Lei que regula e ordena todo universo, não há nada que exista que não esteja submetido a Deus, o Altíssimo. Das partículas subatômicas aos corpos celestes e tudo o que está entre eles, obedece infalivelmente à Vontade de seu Criador, louvado seja. Pode-se notar isso inclusive no homem, cujos processo fisiológicos ocorrem involuntariamente, totalmente obedientes à Vontade de Deus e independentes de sua vontade. Por isso o Islam é religião natural do homem e o caminho natural da Criação. Quem segue o islamismo denomina-se muçulmano, que quer dizer: aquele que se submete à Vontade de Deus.
Apesar de se referir à religião universal, ensinada ao homem por todos os
profetas que Deus, o Altíssimo, enviou à humanidade, usaremos os termos
Islam e islamismo para nos referirmos a religião ensinada pelo Profeta
Muhammad Unicidade de Deus, louvado seja para iniciarmos a abordagem sobre o islamismo, é preciso estabelecer alguns conceitos básicos que permitam um melhor entendimento da matéria.
O primeiro conceito básico do Islam é a crença em Deus, o Altíssimo, como
único Criador e Sustentador do Universo e da Vida, cuja Vontade rege e
regula a existência e sob cujas ordens estão subordinadas todas as
criaturas.
Só conhecemos d'Ele, louvado seja, o que Ele mesmo nos revelou, não
se formam opiniões a respeito de Deus, o Altíssimo, fora do que está escrito
no Livro que Ele, louvado seja, revelou ao Seu Mensageiro Diz Deus, o Altíssimo, no Alcorão Sagrado:
“Ele é Deus, o Único Unidade da Verdade O ocidente relativizou o conceito de verdade até que perdesse o sentido, pois não é coerente que várias verdades distintas e contraditórias coexistam específica e individualmente para cada ser humano. Deus, o Altíssimo, expressa a unidade de Sua Criação através de uma única Verdade válida para todos, proporcionando o sentido de igualdade, já que o mesmo parâmetro é igualmente aplicável a todos. Ver a Verdade como absoluta e imutável dá sentido à existência e a noção de estabilidade, promovendo um consenso geral que possibilita a ordem e a harmonia necessárias para o perfeito funcionamento do conjunto da Criação e sua continuidade. Várias verdades conflitantes limitam o entendimento, provocam disputa e cisão, corroborando para a degeneração do conjunto. Uma Verdade única é um princípio de coesão universal. O fato natural de que a Verdade pode ser vista por vários ângulos produz uma certa diversidade limitada dentro de um consenso geral. É assim que a liberdade de pensamento do homem deve se manifestar: sem ferir a Verdade essencial que orienta toda a Criação.
O “pensamento ocidental” pluralizou a Verdade como se esta fosse criação do
homem e variasse de tempos em tempos, acabando por perdê-la totalmente de
vista. Mas o fato de se desconhecer a Verdade não significa que ela não
exista: Deus, louvado seja, deu a Verdade a conhecer pelo homem através da
Revelação. Os meios que o homem possui para conhecer a Verdade independe de Deus, o Altíssimo, são limitados e insuficientes, ele não é capaz de concluir sozinho qual é a forma adequada de conduta e não tem condição de estabelecer sozinho uma religião que reflita a Vontade de Deus e o aproxime de seu Criador, louvado seja. Para que o homem pudesse adorá-Lo adequadamente, Deus, o Altíssimo, escolheu mensageiros entre os homens, aos quais revelou diretamente a Sua Vontade, com o objetivo de orientar a humanidade para um caminho de sucesso nesta vida e na Outra. Esses homens escolhidos para receber a Revelação Divina chamam-se profetas, e foram líderes e guias para a humanidade, ensinando todos os homens a viver segundo a Vontade de Deus. É uma grande misericórdia de Deus, o Altíssimo, para com a humanidade revelar Sua Vontade, preservando o homem do erro inevitável que resulta das tentativas de descobri-La através de seus meios limitados.
Geralmente, Deus, o Altíssimo, revela Sua Mensagem através de palavras
que, quando são registradas, formam livros. Adão
Desta forma, o Islam estabeleceu-se como a Mensagem definitiva, uma
religião para toda a humanidade de todos os tempos, pois abrange e sintetiza
todas as doutrinas que Deus, o Altíssimo, enviou a todos os Seus
Mensageiros, desde Adão O islamismo tem como base duas fontes principais: o Alcorão e a Sunnah
Alcorão é o livro resultado das revelações que Deus, o Altíssimo, fez ao
Profeta Muhammad
Sunnah é o registro de tudo que o Profeta Muhammad O Islam não está associado a um povo ou época em particular, apesar de ter sido revelado na Arábia e em língua árabe, não está associado diretamente e nem se dirige apenas ao povo árabe: sua revelação é para toda humanidade de todos os tempos. O Islam é maleável e se molda naturalmente às necessidades específicas de qualquer povo ou época sem alterar seus princípios fundamentais. O Islam nunca será ultrapassado, ou necessitará de qualquer reforma ou revisão. Este importante conceito é difícil de ser aceito pelo ocidente que só trabalha com coisas passageiras e em constante processo de elaboração e evolução.
O Islam se baseia na natureza humana, por isso é a religião natural do
homem e será igualmente válida para todos os povos de todas as épocas sem
sofrer alterações, exatamente com o foi revelado por Deus, o Altíssimo, ao
Seu Mensageiro É preciso deixar clara a total praticabilidade do Islam, pois é tão comum no “pensamento ocidental” nos depararmos com belíssimas teorias impraticáveis que os muçulmanos são freqüentemente questionados a esse respeito, porque o ocidente olha o mundo através da mídia simplista sob dominação do materialismo.
O Profeta Muhammad
Hoje em dia, o Islam é integralmente praticado por milhares de
pessoas: mesmo sem a representação de um estado formal unificado, a
Comunidade Muçulmana continua preservando seus valores e identidade, fiel à
Verdade que recebeu de Seu Senhor, o Altíssimo, através do Profeta Muhammad
Minorias ou maiorias, representados formalmente por um Estado ou não, os
muçulmanos continuam integralmente fiéis aos ensinamentos que orientam sua
Comunidade, muitas vezes, aqueles que conservam sua tradição são vistos pelo
ocidente fútil e materialista como radicais, o que é um grande equívoco, já
que só existe um Islam, perfeito e puro, que deve ser integralmente
praticado, seguido ao pé da letra até o Dia do Juízo Final, não é algo que
se possa radicalizar ou flexibilizar, só existe um Islam, e os muçulmanos
obedecem seus preceitos e orientações, pois reconhecem sua genialidade e
perfeição.
O Islam não diferencia os homens segundo nacionalidade, etnia, língua ou
qualquer outro aspecto material, estabelecendo a verdadeira igualdade quando
determina que não existe diferença entre os homens, que só são superiores
uns aos outros pela piedade. Todos são iguais e irmãos, não existe
discriminação ou preconceito entre os muçulmanos, todos são filhos de Adão Para o Islam, o homem nasce preparado para obedecer a Deus, o Altíssimo, e dotado de todas as faculdades e recursos para realizar as funções essenciais de sua existência e transformar o ambiente em que vive. O homem é o auge da Criação, seu nível mais elaborado e evoluído, exerce um certo domínio sobre si mesmo e sobre o ambiente em que vive, pois possui inteligência e raciocínio. Ele concebe seu Criador, louvado seja, e é a coroação da Criação, a medida que se submete voluntariamente à Sua Vontade, o que todo o resto da Criação faz involuntariamente. Sua vida na terra não é depreciada, tem sentido e função, não é decaído e não precisa ser salvo, como dizem algumas religiões. O Islam não aceita a expiação vicária e determina que cada um sofrerá as conseqüências apenas de suas próprias ações, não podendo uns pagarem pelos erros dos outros.
O homem nasce puro, como um livro em branco, e sua tendência natural é
ser muçulmano. Os fatores que o afastam dessa tendência são diversos, mas o
homem sempre se sentirá tentado a renunciar aos falsos valores e retornar
para sua senda natural.
O Profeta Muhammad
O Profeta Muhammad
Como sabia tudo o que Deus, o Altíssimo, queria para esta instância,
obedecer a Muhammad
Diz Deus, louvado seja, no Alcorão Sagrado:
A aparência dos muçulmanos, tanto na prática da religião, quanto na vida diária, reflete a crença e a doutrina islâmica, diferindo totalmente de uma simples questão cultural, isto é, um padrão de comportamento que se altera segundo a evolução da sociedade. O padrão de conduta seguido pelos muçulmanos foi revelado por Deus, louvado seja, como orientação para viver de acordo com Sua Vontade. Desta forma, a religião molda a sociedade e os valores, e não o contrário, pois a religião foi estabelecida através da Revelação Divina, e Sua Lei é imutável, só Ele, o Altíssimo, tem poder para alterá-la através de uma nova revelação, não cabe ao homem fazer mudanças na Lei de Deus, este tipo de atitude é uma ofensa a Deus, o Altíssimo, e certamente desestrutura e rompe a coesão da sociedade. A religião será o padrão para conduta individual e coletiva, para cultura e arte, todos os aspectos da vida do muçulmano estão de acordo com a crença e doutrina islâmica, fazendo de todos os seus atos, atos de adoração. Observação: os nomes das cidades sagradas conhecidas como Meca e Medina, nós as transcrevemos como Makka e Madinah, por assim representarem melhor o original árabe, além do fato de serem nomes próprios que não devem ser mudados; da mesma forma, Muhammad é o nome do Profeta do Islam (D.a.p), conhecido em língua portuguesa como Maomé; quanto às abreviaturas que aparecem após os nomes das personalidades importantes do Islam, eis seus significados: - após o nome do Profeta Muhammad: que Deus o abençoe e lhe dê paz - após o nome dos Companheiros do Profeta: Deus esteja satisfeito com eles - após o nome dos outros profetas: a paz esteja com eles CAPÍTULO UM Contexto Histórico Arábia pré-islâmica
O Islam surgiu na península arábica, no século VIId.C., no vale do Hijaz,
na cidade de Makka (situada no atual Reino da Arábia Saudita), quando
Muhammad Na península arábica não havia unidade política, diversas tribos se digladiavam em intermináveis guerras, sendo quase impossível uma caravana comercial atravessar o deserto árabe sem ser atacada inúmeras vezes por diversos inimigos. Cada tribo vivia por si e qualquer motivo torpe justificava uma declaração de guerra. Eventualmente, duas ou três tribos faziam pactos de paz para facilitar a passagem das caravanas, já que quase todos os árabes viviam do comércio, sendo a agricultura escassa na região.
A cidade de Makka era a mais importante da Arábia, pois lá estava o
santuário da Caaba, primeiro local de culto a Deus, o Único, da humanidade,
tendo sido erguida por Adão
Apesar de reconhecerem sua ascendência em Abraão Porém os árabes se destacavam de seus contemporâneos por suas virtudes naturais: de eloqüência incomparável, eram hábeis no uso da própria língua, realizavam festivais de poesia nos quais competiam entre si, propiciando uma evolução da arte poética além da evolução natural da própria língua árabe, de sonoridade e clareza espetaculares. Valorizavam a liberdade e a honra acima da própria vida, eram ótimos cavaleiros, ousados, francos, diretos, de memória excepcional, esforçados, firmes de propósito. Eram corajosos, cumpriam seus pactos, possuíam um forte espírito de devoção mesmo em seu culto equivocado, uniam-se contra um inimigo comum, além de serem extremamente resistentes, fortalecidos pelas adversidade da vida no deserto.
Foi neste ambiente que Muhammad
Muhammad
Muhammad bin Abdullah Começou a trabalhar cedo para ajudar o tio, primeiro como pastor, ainda criança, e depois no comércio.
Aos vinte e quatro anos, passou a trabalhar para Khadija bint Khuwailid
(R.A.A), que era viúva, uma das pessoas mais ricas de Makka, como homem
de confiança, dirigindo seus negócios. Logo ela (D.e.s.e.) se apaixonou pelo
rapaz que era conhecido como “al-amim”, o honesto, fiel, pelo reconhecido
fato de ele nunca ter mentido, nem na vida pessoal, nem nas transações
comerciais. Casaram-se quando ele
Os coraixitas passaram a boicotar e perseguir Muhammad
A hégira marca o início do calendário islâmico e a grande virada dos
muçulmanos: até então, eram uma minoria perseguida e oprimida, a partir de
hégira, tornar-se-iam uma grande nação. Seu sucessor foi Othman bin Affan(D.e.s.e.). Durante seu governo (644-656d.C.) ocorreram incursões pelo norte da África, chegando à Tunísia em 647d.C. Seu sucessor foi Áli bin Abu Tálib(D.e.s.e.), que governou de 656 a 661 d.C, período em que se deram algumas disputas internas, estagnando a primeira onda de conquistas. Com seu assassinato em 661d.C. termina a fase dos “corretamente orientados”.
O Califado foi uma instituição religiosa, sua natureza política era uma
conseqüência da necessidade de organizar uma comunidade tão plural. Os
Califas eram os condutores das orações e pregadores, assim como juizes,
ministros e generais. O poder espiritual e temporal eram representados pelo
Califa, que se cercava de um grupo de conselheiros com os quais agia em
consulta, estes foram os discípulos ideais do Profeta
O Islam deve ser encarado a exemplo dos seus primeiros tempos, levando em
conta a conduta do Profeta Até Áli(D.e.s.e.) o Califa era escolhido por um seleto grupo de eleitores e sua escolha era ratificada pelo povo. A partir de Moawiya, que o sucedeu, o posto passou a ser hereditário. O Califado Omíada foi de 661 a 750 d.C.. A capital foi transferida de Madinah para Damasco. Apesar da falta de orientação espiritual dos governantes o Império se expandiu e prosperou: entre 670 a 700 d.C., todo o norte da África foi conquistado; em 711 d.C. as tropas muçulmanas desembarcaram na Espanha, e a leste chegaram ao Paquistão; a China Ocidental foi ocupada em 750 d.C.. Os Omíadas foram derrubados por uma revolta popular, iniciando o Califado Abácida, que foi de 750 a 1258 d.C.. A capital foi transferida de Damasco para Baghdad. Os séculos IX e X foram em Baghdad a idade do ouro das ciências, das letras e das artes. O Império Muçulmano tornou-se o maior do mundo, indo do oeste da Índia até a Espanha pelo norte da África, englobando todo o Oriente Médio e parte da Ásia Central. O Império era rico e próspero, não havia pobreza, e o ideal de igualdade se manifestava através da unidade de diversos povos, raças e etnias, unidos fraternalmente pela religião em comum, concretizando o ideal de globalização: quando as fronteiras dos países são abolidas dentro de um estado unificado de poder centralizado, porém com justiça social, igualdade e prosperidade para todos. As invasões dos tártaros (séc. XIII) começaram a minar essa unidade. Com a expansão européia pós-renascentista (séc. XV e XVI) a unidade foi rompida e o Império sucumbiu.
Os turcos retomaram parte desta unidade com o Império Turco Otomano, que
só sucumbiu definitivamente com a dominação do mundo pela Europa no fim do
séc. XIX e início do séc. XX, encontrando-se hoje o mundo islâmico
fragmentado e muitos países sob forte influência ocidental, longe do ideal
islâmico de unidade e pureza cultural.
O Império Muçulmano durou cerca de oito séculos, período durante o qual
houve uma grande evolução científica e cultural. Os muçulmanos eram
pesquisadores, cientistas e pensadores. Houve um grande desenvolvimento das
ciências médicas e da matemática, além das letras, artes e arquitetura. Alguns exemplos dos legados do Império Muçulmano para o ocidente: - na matemática: algarismos arábicos facilitaram o cálculo; introdução do conceito do “zero”; fundação da álgebra por al Khawarizni, no séc. IX.
- na medicina: pesquisas em diversos campos, invenção e uso da vacina,
noções de higiene.
Esse foi o movimento desencadeado por Muhammad O Islam continua servindo como guia e orientação para a humanidade e, como outrora, é a saída para o torpor espiritual e moral em que nos encontramos atualmente. A humanidade de hoje é rica materialmente, mas seus valores degradam o ser humano e são decadentes. Certamente este é o caminho da destruição. Aí está o Islam, com suas fontes e referências intactas, pronto para orientar a humanidade pelo caminho da harmonia entre a religião e os outros aspectos da vida, revertendo esse processo de decadência para uma direção evolutiva. Como outrora se provou, o Islam é a força capaz de levar a humanidade das trevas da ignorância para a luz do verdadeiro progresso. |