CAPÍTULO TRÊS

Principais práticas do islamismo

( cinco pilares do Islam )

1. Fé ( Iman)

“Atesto que não existe divindade afora Deus e atesto que Muhammad é Mensageiro de Deus”, esta é a “Shahada”, ou “testemunho”, principal profissão de fé do islamismo. É dita como recordação pelos muçulmanos várias vezes ao dia (como ao levantar-se pela manhã e depois de fazer as abluções), e também durante as orações. É o que diz um novo adepto para marcar sua conversão ao Islam. É a base da crença islâmica, vai determinar o modo de pensamento, conduta e adoração dos muçulmanos.

A partir do momento que se reconhece a unicidade de Deus, o Altíssimo, e a Profecia de Muhammad, se toma consciência de três questões principais, cada uma implica num dever:

Deus, o Altíssimo, é o único Criador e Sustentador do mundo e do homem, e toda criação obedece a Sua Lei: diante disso, o homem se conscientiza da obrigação de adorá-Lo e obedecê-Lo.

Deus, o Altíssimo, revelou Sua Vontade ao Profeta Muhammad : reconhecer Muhammad como Mensageiro de Deus implica no dever de aceitar suas ordens e proibições, obedecê-lo e seguir integralmente suas exortações e seu exemplo.

O Alcorão contém as palavras de Deus, o Altíssimo: portanto, é dever do homem aceitar e obedecer tudo o que está escrito nele.

Crer em Deus, o Altíssimo, implica no dever de obedecê-Lo.

O homem consciente de sua dimensão espiritual tem a necessidade (acima do dever) de pôr em prática o que sente espiritualmente e reconhece intelectualmente: ele tenderá naturalmente à obediência a Deus, o Altíssimo, e deverá procurar meios de obedecê-Lo e adorá-Lo.

Deus, louvado seja, revelou ao Profeta Muhammad qual é a forma adequada de fazer isso. O muçulmano reconhece a autoridade de Muhammad, cuja revelação veio direto de Deus, o Altíssimo, sabendo tudo o que Ele, louvado seja, queria para esta instância: só são válidos os atos de culto e formas de adoração que foram estabelecidos pelo Profeta Muhammad, sendo proibida qualquer outra prática afora as por ele prescritas, pois só quem recebeu a orientação direto de Deus, o Altíssimo, é capaz de orientar e guiar o homem através de uma prática religiosa eficaz, isto é, uma prática acessível a todos que cumpra sua função com eficácia- purifique o pensamento, o espírito e as ações do homem, aprimore sua personalidade e lapide seu caráter, infundindo-lhe um elaborado padrão moral e elevado senso de justiça, para, por fim, aproximá-lo de Seu Senhor, o Altíssimo. Muhammad nos ensina a melhor forma de obedecer a Deus, o Altíssimo, e viver de acordo com Sua Vontade.

O muçulmano adota uma atitude mental que é determinante em todas as suas ações: ele sabe que Deus, o Altíssimo, o observa o tempo todo, por isso, qualquer ato pode ser um ato de adoração, se realizado segundo a Lei de Deus e para Seu aprazimento. Ele procura purificar seus pensamentos, sentimentos e ações, pois sabe que d'Ele, o Altíssimo, nada se pode esconder, sendo igual o escondido e o manifesto. Diante da idéia de que está sempre na presença de Deus, o Altíssimo, o muçulmano se recorda d'Ele, louvado seja, em todos os momentos evocando Seu nome para realização de todas as suas ações e consagrando a Ele, o Altíssimo, todos os seus atos.

Diz Deus, o Altíssimo, no Alcorão Sagrado:

“Recordai-vos de Mim que Eu Me recordarei de vós. Agradecei-Me e não Me sejais ingratos.” Alcorão, surata 2:152

2. As orações (salat)

Da mesma maneira que o homem tem necessidade de se alimentar para manter sua saúde física, tem a necessidade natural de realizar uma prática espiritual que fortaleça sua moral, lapide sua sensibilidade, e o faça vivenciar sua crença.

Deus, o Altíssimo, prescreveu aos muçulmanos cinco orações diárias obrigatórias, que constituem um importante pilar do Islam. Todos os muçulmanos são obrigados a praticá-las, como fazia o Profeta Muhammad, quem deixa de cumprir esta obrigação comete pecado.

No Dia do Juízo Final, será o primeiro critério a ser julgado por Deus, o Altíssimo: se um indivíduo realizar adequadamente suas orações, toda sua obra terá valor, se for negligente, toda sua obra será invalidada.

A oração é o melhor e mais proveitoso ato que o homem pode praticar no dia: através da oração, o homem se conscientiza de sua dimensão espiritual, expandindo sua consciência e percepção, integrando suas dimensões físicas, mentais e espirituais. Quem pratica as orações jamais será materialista, pois tem consciência de que possui, além das necessidades físicas, necessidades espirituais que estão diretamente relacionadas com sua satisfação pessoal: o homem que supre suas necessidades espirituais vivencia a paz interior e encontra maior satisfação na vida.

Durante a oração, o homem dialoga com Deus, o Altíssimo, e manifesta de forma concreta sua submissão a Ele, louvado seja, fortalecendo não só sua crença, assim como sua tendência à conduta reta e à prática de boas ações. O método inigualável da oração islâmica preenche todos os requisitos necessários ao bom aproveitamento por parte do  homem da prática espiritual. É um sistema completo, onde corpo, mente e alma se unem no ato de adoração: palavras cheias de profundo sentido de gratidão e submissão a Deus, o Altíssimo, são acompanhadas de movimentos do corpo que complementam a expressão das palavras, transmitindo ao praticante a sensação de plenitude e paz que se procura conseguir através de uma prática religiosa. O homem que se apresenta perante Seu Criador, o Altíssimo, para rezar, evita o mal e o ilícito, pois a idéia de prestação de contas por seus atos se faz presente o tempo todo.

Diz Deus, o Altíssimo, no Alcorão Sagrado:

“A oração preserva o homem da obscenidade e do ilícito.”  Alcorão, surata 29:45

Os que perseveram na oração, fortalecem o vínculo com Seu Senhor, o Altíssimo, aproximando-se d'Ele, louvado seja, obterão sucesso nesta vida e na Outra, uma magnífica recompensa.

"Amparai-vos na perseverança e na oração. Ela (a oração), é deveras árdua, salvo para os humildes./ Que sabem que encontrarão Seu Senhor e a Ele retornarão.” Alcorão, surata 2:45 e 46
           
“Ó crentes, amparai-vos na perseverança e na oração, porque Deus está com os perseverantes.”  Alcorão, surata 2:153
           
“Observai as orações, principalmente as intermediárias, e consagrai-vos fervorosamente a Deus.”  Alcorão, surata 2:238
           
“Observa a oração em ambas as extremidades do dia e em certas horas da noite, porque as boas ações anulam as más. Nisto há mensagem para os observantes.” Alcorão, surata 11:114
           
“É certo que prosperarão os crentes, que são humildes em suas orações.” Alcorão, surata 23:1-2
           
“Quando estiverdes fora de perigo, observai a devida oração, ela é uma obrigação prescrita aos crentes, para ser cumprida a seu devido tempo.” Alcorão, surata 4:103
           
Deus, o Altíssimo, determinou diretamente a Muhammad como as orações devem ser realizadas.

Ele, o Altíssimo, estabeleceu para os muçulmanos cinco orações diárias obrigatórias, que podem ser realizadas individual ou coletivamente. Além das orações obrigatórias, o crente pode realizar orações voluntárias quando queira, exceto nos horários proibidos.

As cinco orações obrigatórias se realizam dentro de um horário previsto: a “oração da alvorada” pode ser realizada desde o romper da aurora até o nascer do sol; a “oração do meio-dia” pode ser realizada a partir da passagem do sol pelo zênite até o meio da tarde; o horário da “oração da tarde” vai desde o meio da tarde até o pôr-do-sol; a “oração do ocaso” pode ser realizada a partir do pôr do sol até quando escurece totalmente e o horário da “oração da noite”, vai desde que escurece totalmente até o romper da aurora.

Para realizar as orações, é preciso estar em estado de pureza. O muçulmano se livra das impurezas menores (como fazer “necessidades” ou tocar algo impuro) através da ablução parcial (wudu), na qual se lava as mãos, a boca, as narinas, o rosto, os antebraços e os pés; para impurezas maiores (como ato sexual e mulheres ao fim do período menstrual ou da quarentena pós-parto) é necessário o banho completo, no qual, além de se proceder como na ablução parcial, lava-se o corpo todo com água corrente. Caso não haja água ou não seja possível usá-la, realiza-se a ablução seca (tayamum) utilizando a terra limpa como instrumento de purificação.

Chegada a hora da oração, o chamamento (al Azhan) é realizado, com o objetivo de avisar os muçulmanos que já é hora de apresentar-se diante de Deus, o Altíssimo. Aquele que realiza o Azhan se chama al-mu'azin.

O Azhan marca o início do horário previsto para cada oração, que pode ser realizada até o Azhan seguinte.

al-Azhan:

“Deus é o maior (quatro vezes)

Atesto que não existe divindade afora Deus (duas vezes)

Atesto que Muhammad é Mensageiro de Deus (duas vezes)

Vinde à oração (duas vezes)

Vinde ao sucesso (duas vezes)

Deus é o maior (duas vezes)

Não existe divindade afora Deus (uma vez)
 
Feita a ablução, o muçulmano está pronto para rezar. Então se faz o segundo chamado (Icáma), dizendo que a oração está pronta.

Estando em um lugar limpo, ele se volta na direção de Makka, em pé, sobre um solo puro (geralmente um tapete usado só para isso, mas qualquer pano ou esteira cumpre a mesma função, desde que esteja limpo), declara a intenção de realizar a oração, e, com as mãos ao lado das orelhas, diz: “Deus é o maior” (Allahu akbar).

A partir daí, recita a primeira surata do Alcorão (al-Fátiha, “a abertura”), que é a recitação mais básica do Islam, seguida de outro trecho do Alcorão ou uma surata curta, a sua escolha. Depois se inclina e se prostra, exaltando Deus, o Altíssimo, e demonstrando sua devoção e submissão a Ele, louvado seja. Ao fim, realiza a profissão de fé (at-tachahud) e evoca bênçãos sobre o Profeta (D.a.p.), encerrando a oração com cumprimentos à direita e à esquerda. Toda a reza, assim como o Azhan e o Icáma, devem ser realizados em seu original árabe, em outra língua, são inválidos.

al-Fátiha :

“Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso,

Louvado seja Deus, o Senhor do Universo,
O Clemente, o Misericordioso,
Soberano do Dia do Juízo.
Só a Ti adoramos e só a Ti imploramos ajuda.
Guia-nos à senda reta,
A senda dos que agraciaste, não a dos abominados, nem a dos extraviados.”

Além das cinco orações obrigatórias, que podem ser realizadas individualmente ou em congregação, é obrigatória a presença dos homens na oração congregacional da sexta-feira, no horário do meio-dia (salat ul juma). Sexta-feira é o dia em que a Comunidade Muçulmana se reúne nas Mesquitas, como expressão de sua unidade e igualdade.

Durante  a oração coletiva, os muçulmanos rezam alinhados ombro a ombro, formando filas onde todos estão na mesma posição. O Imam reza à frente das filas, dirigindo a oração, para que todos façam os mesmos gestos ao mesmo tempo. Antes da oração, o Imam faz dois sermões: o primeiro, que é obrigatoriamente feito em idioma árabe, deve servir como um conselho religioso para os crentes, e é composto pelo Alcorão e pela Sunnah; o segundo sermão pode ser realizado no idioma do povo ao qual ele se dirige.

A oração coletiva da sexta-feira une a comunidade, fortalecendo os laços entre os muçulmanos  infundindo neles um profundo senso de igualdade e fraternidade, quando todos, sem distinção, se reúnem e se posicionam da mesma maneira com o mesmo objetivo: demonstrar sua submissão a Deus, o Altíssimo, e louvá-Lo. Na oração coletiva se vivenciam os sentimentos que balizarão a vida fora da Mesquita.

Além da oração coletiva da sexta-feira, há as orações dos dias festivos, quando todos os muçulmanos devem comparecer à Mesquita. São duas ocasiões no ano: após o jejum de Ramadan e no último dia do Hajj (peregrinação a Makka).

Há também a oração fúnebre, que é realizada de pé, sem inclinação nem prostração, e outras orações especiais, como para pedir orientação divina ou diante de alguma calamidade, entre outras.

Mesquita é o lugar onde os muçulmanos se reúnem para rezar. É um ambiente amplo, geralmente acarpetado, sem mobiliário ou decoração. Normalmente a construção é quadrada com uma cúpula redonda, ao lado há uma torre alta, chamada minarete, da qual se faz o Azhan, mas qualquer construção destinada para esse fim é uma Mesquita.

Na oração, o muçulmano se apresenta diante de Deus, o Altíssimo, limpo e vestido adequadamente, e se recorda de sua relação com Seu Criador, louvado seja. As atitudes assumidas durante a oração, personificam o espírito de submissão, e as palavras recitadas reforçam o compromisso do homem para com Deus, o Altíssimo. O Alcorão Sagrado é recitado, e o fiel entra em sintonia com a intensidade das Palavras de Deus. Além disso, pede perdão por seus pecados e enganos, pede que Deus, louvado seja, o oriente e encaminhe para Sua senda.

As orações avivam a recordação do Dia do Juízo e reforçam a fé, cultivando no homem a tendência à virtude. Através da oração, o fiel exercita sua espiritualidade e entra em sintonia com Seu Criador, louvado seja, todos os aspectos de sua vida irão refletir seu aprimoramento espiritual, pureza de coração e enriquecimento moral.

As orações são também um exercício de disciplina e humildade, promovendo um verdadeiro desenvolvimento tanto espiritual como emocional e material.

“Ó humanos, adorai ao vosso Senhor, Que vos criou, bem como aos vossos antepassados, quiçá assim, tornar-vos-íes virtuosos.” Alcorão, surata 2:21

A adoração é o ato de mais alta humildade que o homem pode realizar. Quando se coloca em comunhão com Deus, o Altíssimo, sua fé o impele a uma conduta de retidão, concedendo-lhe uma chance: será ele capaz de utilizar seu livre-arbítrio de forma a aproveitá-lo, dar uma direção evolutiva para suas escolhas?

A adoração o incentiva a isso: usar a liberdade de escolha segundo as Leis Divinas que regulam a existência, alinhando e harmonizando a vontade da criatura com a do Criador, o Altíssimo.

A oração prepara o homem para uma vida de pureza e virtude, e de observância às Leis de Deus.

3. Jejum de Ramadan

Todo muçulmano que estiver em boas condições de saúde tem a obrigação de jejuar um mês por ano, durante o mês de Ramadan, nono do calendário islâmico.

Diz Deus, o Altíssimo, no Alcorão Sagrado:

“Ó crentes, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus.”  Alcorão, surata 2:183

“O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e evidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio deste mês, deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem, jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias) e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que Lhe agradeçais.” Alcorão, surata 2:185

Durante este período, o muçulmano fica sem comer, beber água, ter relações ou satisfação sexual desde a primeira luminosidade do romper da aurora até o pôr-do-sol. Depois do pôr-do-sol, pode alimentar-se e hidratar-se, além de realizar outras atividades puramente físicas, mas é recomendado que o faça moderadamente, e só coma e beba água o mínimo possível para manter a saúde.

Várias práticas adicionais de adoração a Deus, o Altíssimo, são incentivadas no Ramadan, como orações noturnas especiais e abundantes recitações do Alcorão, além das recordações constantes que lembram ao homem a misericórdia de Deus, o Altíssimo, para com ele.

O mês de Ramadan é o preferido de Deus, o Altíssimo, nele se iniciou a revelação do Alcorão, assim como, segundo relatos do Profeta Muhammad, se deu a revelação do Livro de Abraão, da Torah e do Evangelho.

Durante o mês de Ramadan, o anjo Gabriel aparecia todas as noites ao Profeta Muhammad para que ele lhe recitasse todas as revelações recebidas até então. No último Ramadan de sua vida, o Profeta Muhammad recitou por duas vezes o Alcorão inteiro para o anjo Gabriel, durante estas recitações, o Profeta Muhammad aproveitava para ordenar e organizar versículos e suratas, estabelecendo a ordem do Livro.

O Ramadan é um mês sagrado, no qual não se deve brigar ou discutir, envolver-se em atividades pecaminosas ou frivolidades. Durante o Ramadan, o muçulmano deve ter em mente a piedade e a virtude, afastando-se do mal e do pecado. É período de introspecção e auto-análise, de distanciamento de materialismo e de aproximação de Deus, o Altíssimo.

O jejum é educação do corpo e do espírito, tem diversos objetivos, entre eles, a purificação física e espiritual, o exercício e fortalecimento da Vontade, a perseverança na adversidade e o despertar da solidariedade, a medida que os abastados vivenciam a realidade daqueles que passam por privações constantes.

Durante o jejum, o homem exercita seu autodomínio e poder de superação, resistindo às necessidades físicas básicas (como comer e beber água), procurando agradar Seu Senhor, o Altíssimo, se liberta da escravidão à matéria, superando seus desejos físicos e paixões, exaltando sua espiritualidade e desfrutando da verdadeira liberdade.

O espírito de paciência exaltado no Ramadan reforça a fé do muçulmano. Também é um exercício de adaptabilidade, já que promove uma grande alteração no ritmo de vida, preparando o crente para adaptação à mudança sempre que necessário.

O sentimento de fraternidade é reforçado, quando todos os muçulmanos de todos os lugares do mundo, passam voluntariamente pelas mesmas privações durante o mesmo período. Também é reforçado o sentimento de igualdade, já que todos são obrigados à  mesma obediência e observância a Lei: ricos e pobres, árabes e não árabes, as mais diferentes pessoas, todos voluntariamente submetidos à prescrição divina, igualmente e sem distinção, sendo um fator de unidade da Comunidade Muçulmana.

Também exercita a pureza de intenção e consciência, nutrindo a idéia de obediência voluntária, uma vez que o crente pratica o jejum tanto individual quanto coletivamente, e não há fiscalização legal sobre o cumprimento desta obrigação, o muçulmano sabe que Deus, o Altíssimo, o observa e é por Ele, louvado seja, que se faz o jejum, e todos cumprem a obrigação voluntariamente, havendo regras especiais para o caso de seu descumprimento.

No Ramadan, também está prescrita ao muçulmano o pagamento de uma caridade especial, a zakat ul Fitr.

Ao fim do período de jejum, há uma grande festa, quando toda Comunidade Muçulmana se reúne nas Mesquitas para celebrar o cumprimento do dever. O “Eid ul Fitr” é uma das principais festas do ano, acontece no primeiro dia  do mês de Shaual, que sucede o mês de Ramadan. Além da quebra do jejum, há uma oração especial em congregação. Nesse dia, todos os muçulmanos (homens e mulheres) devem ir à Mesquita com suas melhores vestimentas. É um dia de festa, com a qual se encerra o período de jejum.

4. Zacat

O zacat é uma doação obrigatória institucionalizada pela Lei Islâmica como uma obrigação religiosa.

Todo muçulmano que disponha de recursos materiais, deve doar 2,5% de seus rendimentos anuais para Comunidade Muçulmana.

O zacat não é propriamente uma caridade, que é algo espontâneo, não pode ser obrigatório, zacat é uma obrigação religiosa prescrita pela Lei. É uma obrigação social que distribui a riqueza da sociedade, em posse dos mais ricos, entre os mais necessitados. Com essa redistribuição da riqueza, a sociedade não alimenta o ódio entre as classes, reforçando a idéia de fraternidade e promovendo a paz social.

Mas acima de tudo, o zacat é uma prescrição divina, uma obrigação imposta por Deus, o Altíssimo, para que os muçulmanos tenham consciência de que todos são responsáveis pelos interesses da comunidade.

“Praticai a oração, pagai o zacat, e inclinai-vos, juntamente com os que se inclinam.” Alcorão, surata 2:43
           
“Observai a oração, pagai o zacat, e sabei que todo o bem que apresentardes para vós mesmos, encontrareis em Deus, porque  Ele bem vê tudo quanto fazeis.” Alcorão, surata 2:110
 
Quem deve pagar o Zacat?

Todo muçulmano que obtiver, ao fim de um ano, rendimentos em dinheiro ou qualquer fruto de seu trabalho. A taxa sobre dinheiro, ouro, prata, ou lucro oriundo do comércio é de 2,5%; a taxa referente à agropecuária é variável segundo produto e modo de produção. Mas todo muçulmano que ao fim de um ano obtiver lucro, deve pagar o zacat.

A que se destina o zacat?

- ao sustento de  viúvas e órfãos;
- à libertação de prisioneiros de guerra;
- à ajuda aos muçulmanos endividados;
- ao pagamento dos salários dos muçulmanos encarregados de recolher o zacat;
- aos muçulmanos a serviço da Causa de Deus e/ou empenhados na divulgação do Islam;
- ao viajante pela Causa de Deus.

O zacat também deve ser usado para realização de obras sociais que amparem os necessitados, que criem meios para promoção social, como geração de postos de trabalho e outros benefícios permanentes, pois cabe ao Estado proporcionar condições para que os cidadãos garantam seu próprio sustento, ficando o donativo em espécie limitado aos incapacitados.

“As esmolas são tão-somente para os pobres, para os necessitados, para os funcionários empregados em sua administração, para aqueles cujos corações têm que ser conquistados, para redenção dos escravos, para os endividados, para Causa de Deus e para o viajante, isso é um preceito emanado de Deus, porque é Sapiente, Prudentíssimo.“ Alcorão, surata 9:60

O zacat inculca nos muçulmanos a idéia de solidariedade e evita o egoísmo, pois devemos ter consciência que todos os bens provêm de Deus, o Altíssimo, e é dever dos que os possuem ajudar seu irmão necessitado e gastar pela causa de Deus.

O zacat purifica as riquezas, uma vez que desperta a fraternidade e o altruísmo; disciplina o homem ao desprendimento e o ensina a não atribuir demasiado valor aos bens materiais, inculca no muçulmano as qualidades do sacrifício, ensinando-o a não hesitar em sacrificar seus bens materiais pelos bens espirituais, pois o muçulmano sabe que os bens importantes são os da Vida Futura, não se deixa iludir pela transitoriedade da matéria. O zacat é um exercício de desprendimento e sacrifício dos bens materiais pelos espirituais.

O zacat é uma forma de equilibrar a comunidade através da redistribuição da riqueza, os mais ricos ajudam a diminuir a miséria, minimizando a desigualdade e evitando o ódio entre as classes. Assim os ricos compreendem sua responsabilidade social, enxergando além do indivíduo, os problemas de sua comunidade, ajudando a construir uma sociedade mais unida e próspera, na qual todos se beneficiarão.

Quem não possuir recursos deve fazer caridade através de seu trabalho, ou ajudar alguém da forma que possa, ou, pelo menos, que evite o mal.

É importante lembrar que a caridade é uma prescrição divina que deve ser praticada independente da instituição do zacat.

5. Peregrinação (Hajj)

Todo muçulmano que disponha de recursos é obrigado, ao menos uma vez na vida, a realizar a peregrinação à Caaba, situada na cidade de Makka, na Arábia Saudita.

O Hajj se realiza nos dias 8, 9 e 10 do mês de Zul-hijja, último do calendário islâmico, quando muçulmanos de todos os lugares do mundo se reúnem na Sagrada Mesquita de Makka, onde está situado o santuário da Caaba, berço e centro do islamismo.

“Dize: Deus diz a verdade. Segui, pois, a religião de Abraão, o monoteísta, que jamais se contou entre os idólatras./ A primeira Casa (Sagrada), erigida para o gênero humano, é a de Bakka (Makka) bendita, servindo de orientação para a humanidade./ Encerra sinais evidentes: lá está a estância de Abraão, e quem quer que nela entre, estará em segurança. A peregrinação à Casa é um dever para com Deus, por parte de todos seres humanos, que estejam em condições de empreendê-la; entretanto, quem se negar a isso, saiba que Deus pode prescindir de todas as criaturas.” Alcorão, surata 3:95-97

Os rituais do Hajj se relacionam com a histórias de Abraão e Ismail(p.e.e.) relembrando passagens de suas vidas. Há duas histórias principais que permeiam os rituais do Hajj.
 
A história de Agar e Ismail (p.e.e.)

Quando Ismail (p.e.e.) nasceu, Abraão (p.e.e.) recebeu instruções de Deus, o Altíssimo, para levá-lo com sua mãe para o deserto e deixá-los sozinhos. Deixou-os nas redondezas da Caaba, no vale onde se situa Makka.

Quando Abraão (p.e.e.) estava a deixá-los sozinhos no deserto, Agar perguntou-lhe onde estavam, ao que ele (p.e.e.) não respondeu; perguntando se Deus, o Altíssimo, ordenara para que fizesse isso, obteve resposta positiva, então Agar disse: “Ele, o Altíssimo, não nos abandonará.”, com confiança, fé e submissão.

Agar e Ismail (p.e.e.) ficaram no deserto, até que lhes acabou a água. Deixando o menino deitado na areia, Agar correu entre as rochas (montes) Safa e Marua, perto dali, prara ver se achava água, ou se algum viajante passava. Fez o percurso sete vezes, depois voltou para ver o menino. Diante das circunstâncias, teve certeza que a morte era inevitável, quando, milagrosamente, uma fonte apareceu sob os pés de Ismaíl (p.e.e.).

Ismaíl (p.e.e.) cresceu  e habitou a região de Makka, onde seus descendentes, os árabes, permaneceram como guardiões da Caaba.

“Ó Senhor nosso! Estabeleci minha descendência num vale inculto (que não se pode cultivar) perto de Tua Casa Sagrada, para que, ó Senhor Nosso, observem a oração; faz com que os corações de algumas pessoas se inclinem para eles, e agracia-os com os frutos, afim de que Te agradeçam.” Alcorão, surata 14:37

Durante os rituais do Hajj, os peregrinos fazem sete vezes o percurso entre Safa e Marua, e recordam a procura de Agar por água, depois bebem água do poço Zamzam, que salvou a vida de Ismaiel (p.e.e.), que até hoje está lá, e dele bebem milhões de pessoas que vão a Makka em peregrinação.
 
Observação: relatos sobre a ida de Agar e Ismaíl (p.e.e.) da Palestina para Arábia, a falta de água, o risco de vida, e o poço milagroso através do qual Deus, o Altíssimo, os salvou podem ser lido no Gênesis, capítulo 21:9-21;e sobre a descendência de Ismaíl (p.e.e.), no capítulo 25:13-17; apesar das diferenças entre os relatos bíblicos e islâmicos, vale ser lido a título ilustrativo.
 
O sacrifício de Ismail (p.e.e.)

Quando Ismail (p.e.e.) era adolescente, Deus, o Altíssimo, ordenou que Abraão (p.e.e.) o sacrificasse em nome de Deus.

Imediatamente, Abraão (p.e.e.) se submeteu e foi para o deserto, e disse: “Eis-me aqui presente (ao Teu serviço), ó meu Deus, não há sócio nenhum Teu, todo louvor e glória pertencem a Ti.”

Sem hesitar, Abraão (p.e.e.) levou o menino ao local de sacrifício, no momento em que ia matá-lo, ouviu uma voz alta atrás dele chamá-lo pelo nome. Ao virar-se, viu o anjo Gabriel (p.e.e.) com um gordo carneiro branco com chifres, que lhe disse: “Deus, o Altíssimo, lhe mandou, para você sacrificar no lugar de seu filho.”

Esta história ilustra a grande obediência e fidelidade de Abraão (p.e.e.) a Deus, o Altíssimo, que não hesitou em sacrificar seu filho para cumprir Suas ordens. Diante da prova de fé de Abraão (p.e.e.), Deus, o Altíssimo, o poupou de sacrificar seu filho, substituindo-o por um carneiro. Deus, o Altíssimo, providenciou Abraão (p.e.e.) como recompensa por sua fidelidade, obediência e entrega absoluta, renovando Seu pacto com ele (p.e.e.).

No fim do Hajj, no dia 10 de Zul-hijja, os muçulmano se recordam desse episódio, sacrificando animais ao fim da peregrinação. O Dia do Sacrifício (Eid ul Adha) é um dia de festa para os muçulmanos, mesmo os que não foram a Makka se reúnem nas Mesquitas, confraternizam e trocam presentes.

O Hajj recorda a prontidão de Abraão (p.e.e.) em obedecer a Deus, o Altíssimo. Quando os crentes se apresentam para peregrinar, recitam repetidamente o “talbiah” :

“Eis-me aqui, ó Deus, eis-me aqui; Tu não possui sócios, eis-me aqui. Os louvores, a misericórdia e o Reino Te pertencem; Tu não possui sócios.”
 
A construção da Caaba

A Caaba foi o primeiro santuário erguido pelo homem para o culto de Deus, o Altíssimo, remontando à história de Adão e Eva (p.e.e.). Foi reconstruída por Abraão, junto com seu filho Ismail (p.e.e.) e novamente reconstruída pelos coraixitas durante a vida do Profeta. A Caaba é o centro do monoteísmo, lugar sagrado de culto somente a Deus, o Altíssimo, onde é proibida a agressão, o derramamento de sangue, o mal e o pecado.

A Caaba já era uma edificação muito antiga quando Deus, o Altíssimo, ordenou que Abraão e Ismail (p.e.e.) renovassem sua construção.

           
“E quando Abraão e Ismail levantaram os alicerces da Casa, exclamaram: ó Senhor nosso, aceita-a de nós, pois Tu és Oniouvinte, Sapientíssimo."  Alcorão, surata 2:127
 
É uma construção cúbica com paredes e telhado, com uma porta. É coberta por tapeçarias pretas, bordadas com versículos do Alcorão em ouro. Sua última reconstrução foi feita pelos coraixitas, durante a vida de Muhammad.
           
“Lembrai-vos que estabelecemos a Casa, para congresso e local de segurança para a humanidade; e adotai a estância de Abraão por oratório. E estipulamos um pacto com Abraão e Ismail, dizendo-lhes: Purificai a Minha Casa, para os circundantes (da Caaba), os retraídos, os que se inclinam e se prostram.” Alcorão, surata 2:125

Rituais do Hajj

Quando se aproxima dos lugares sagrados, o peregrino deixa seus trajes habituais e, purificado, veste o ihram, duas peças de tecido branco que deixam um ombro a mostra, e calça sandálias. As mulheres vestem roupas que cobrem o corpo todo. A partir daquele momento, o peregrino está consagrado a Deus, o Altíssimo, e é proibido caçar, contrair matrimônio, ter relações ou satisfação sexual. Deve-se evitar todo o mal e mesmo a idéia do pecado.

Depois de entrar em ihram e declarar a intenção de realizar a peregrinação, o muçulmano se dirige à Caaba circundando-a sete vezes (tauaf), em seguida, faz o trajeto entre Safa e Marua.

No dia seguinte, os peregrinos se dirigem ao monte Arafat, onde passam o dia em orações e recordações, só deixam o local após o pôr-d-sol, quando seguem para Muzdalifa, onde passam a noite.

No último dia, voltam para o Haram Sagrado (onde está a Caaba), circundam-na sete vezes, bebem água do poço Zamzam, fazem o sacrifício e, saindo do ihram, raspam os cabelos.

Durante o Hajj, os peregrinos ficam pelo menos três dias consagrados exclusivamente a Deus, o Altíssimo, e sob regras e condições especiais. O Hajj é composto por diversos rituais que foram estabelecidos  por Abraão e restaurados e ensinados aos muçulmanos pelo Profeta Muhammad durante a peregrinação de despedida, que devem ser  minuciosamente realizados.

O Hajj é uma tradição muito antiga, que já era praticada pelos árabes mesmo antes de Muhammad, remontando o tempo de Abraão (p.e.e.). O Profeta Muhammad purificou os rituais do Hajj e estabeleceu as regras para se realizar a peregrinação adequadamente. Até hoje os rituais são realizados como determinou o Profeta (D.a.p.).
           
O Hajj é muito importante e especial, tanto individual quanto coletivamente.

Individualmente, o muçulmano se purifica de seus pecados, pois se realizar os rituais adequadamente, volta ao fitrat, estado de pureza em que nascemos. Durante o Hajj, o muçulmano fica imerso na religião, todos seus atos são consagrados a Deus, o Altíssimo, ele vivencia por todo tempo o ideal do Islam, visita os lugares sagrados, e repete os rituais realizados desde o tempo de Abraão (p.e.e.), reordenados e estabelecidos pelo Profeta Muhammad, vivencia algo que permaneceu inalterado ao longo dos séculos, proporcionando uma experiência viva sobre os princípios da religião, quando muçulmanos de todos os lugares do mundo se unem para realizar os mesmos rituais há mais de mil e quatrocentos anos. Durante o Hajj, os peregrinos evocam sem cessar a unicidade de Deus, e mergulhados na adoração, consagram-se inteiramente a Ele, o Altíssimo.

Coletivamente, é o momento em que muçulmanos de todos os lugares do mundo se encontram, trocam idéias e informações; é uma confraternização da unidade da Comunidade Muçulmana. Makka é o centro de convergência do Islam, e o Hajj é o momento de união de todos os muçulmanos do mundo, quando cada um vivencia o fato de pertencer à uma comunidade tão plural, que vai além de questões nacionais ou étnicas, e que existe dentro do consenso da obediência a Deus, o Altíssimo. O peregrino vivencia o espírito de fraternidade e igualdade do Islam, quando as mais diferentes pessoas dos mais diferentes lugares do mundo se reúnem no mesmo lugar, com as mesmas vestimentas, sob as mesmas regras, entoando as mesmas evocações, presentes, atendendo ao chamado de Seu Senhor, o Altíssimo.
 
JIHAD

Uma obrigação adicional aos cinco pilares é o jihad.

Jihad significa: esforço máximo e contínuo de cada um pela causa de Deus.

Empenhar-se intelectualmente ou fisicamente, ou gastar seus bens e sua saúde pela causa de Deus é jihad.

Muitas vezes, o jihad toma forma de combate armado(guerra), uma guerra justa em defesa do Islam, contra aqueles que são seus inimigos, que oprimem os muçulmanos, são-lhes hostis e impedem que pratiquem sua religião ou se articulem em torno dela. Quando a Comunidade Muçulmana é agredida, deve revidar para se defender, mas se as hostilidades cessarem, deve tender à paz. Há restrições à luta: só se deve causar o dano inevitável ao inimigo para que se atinja o objetivo, e deve-se tratá-lo honradamente.

A resistência ao mal e ao paganismo é uma obrigação para o muçulmano, que deve  sacrificar um bem menor por um bem maior: deve combater a injustiça com os meios que possua, sacrificando o benefício pessoal pelo bem da humanidade.

Empenhar dotes materiais ou intelectuais na divulgação do Islam, ou no seu estudo, ou na instrução de muçulmanos e recém convertidos é jihad, assim como empenhar seus bens e suas vidas no combate contra os inimigos do Islam e para libertar muçulmanos da opressão e da injustiça.

É dever de todo muçulmano defender o Islam, tanto no campo dos estudos e da divulgação, quanto das batalhas.
 
“Combatei pela causa de Deus, aqueles que vos combatem, porém, não pratiqueis agressão, porque Deus não estima os agressores.” Alcorão, surata 2:190
           
“Que combatam pela causa de Deus aqueles dispostos a sacrificar a vida terrena pela futura, porque a quem combater pela causa de Deus, quer sucumba, quer vença, concederemos magnífica recompensa.” Alcorão, surata 4:74
             
“Ele permitiu o combate aos crentes que foram injustiçados; e, em verdade, Deus é poderoso para socorrê-los.” Alcorão, surata 22:39

CAPÍTULO QUATRO

Shari'a

A prática do Islam vai muito além dos cinco pilares, se estendendo a todos os aspectos da vida: a Lei que regulamenta as obrigações religiosas é a mesma que regulamenta todos os assuntos quotidianos, como negócios, casamento, recreação, política, etc.. Em todos os campos de sua atividade, o muçulmano pratica sua religião; sua crença se manifesta e determina todos os aspectos de sua vida.

O Islam vê o homem como um conjunto entre corpo e alma, vê a matéria e o espírito como elementos formadores de uma unidade, por isso não separa religião da vida diária: a Lei que emana de Deus, o Altíssimo, a tudo abrange. Praticar o Islam é obedecer a Deus, o Altíssimo, em todos os assuntos da vida, o muçulmano vê em todos os seus atos uma oportunidade de agradar a Deus, o Altíssimo, e buscar Seu aprazimento.

Agir corretamente em todos os assuntos é uma obrigação religiosa.

Com a formação da grande Comunidade Muçulmana, foi necessário formular um código legal baseado no Alcorão e na Sunnah que ajudasse os muçulmanos a conhecerem qual era a Vontade de Deus para todos os assuntos. Para isso, os sábios dos primeiros séculos do Islam trabalharam sem cessar sobre os princípios expostos no Alcorão e na Sunnah, formulando um código normativo de todos os atos humanos, que orientasse os muçulmanos a respeito do modo que Deus, o Altíssimo, queria que vivessem. Assim se estabeleceu a Shari'a, a lei islâmica, uma Lei única que emana de Deus, o Altíssimo, a ser seguida por todos os muçulmanos de todos os lugares do mundo, em substituição ao costume local.

Todos os profetas que receberam a Mensagem de Deus estabeleceram um código legal que unificasse a conduta de seu povo. Apesar da parte interna, da essência da Mensagem, ser comum a todos os profetas, o código de conduta não o era: cada profeta transmitiu um específico, adaptando certas regras de acordo com a condição de seu povo e época. Na linha do tempo da profecia, os códigos foram se aprimorando, a humanidade evoluindo e sendo treinada para o código definitivo que excluiria a necessidade de novas reformas. Quando o pensamento humano amadureceu, o advento de Muhammad trouxe o código final que se aplica a toda humanidade para todos os tempos.

Não se trata de não separar religião da vida diária, trata-se de obedecer a Deus, o Altíssimo, sempre e para tudo, não apenas na hora de rezar. Não se trata de um simples código de Leis elaborado para manutenção de uma sociedade, trata-se da Lei de Deus, que rege todo o universo. Não é apenas obedecer a uma legislação, é obedecer a Deus, o Altíssimo, tem uma implicação religiosa.

Deus, o Altíssimo, criou o homem e todos os aspectos de sua vida, como poderia o homem separá-los, orientando-se pela Lei de Deus para certos assuntos e seguindo a própria conjectura para outros? Como o homem poderia conjecturar independente da orientação divina sem cair no erro? Shari'a é a lei que julga entre o bem e o mal, determina os meios e modos de adoração, padrões da vida e da moral, o que é permitido e proibido, estabelecendo qual é a conduta adequada, dando oportunidade ao homem de obedecer a Deus, o Altíssimo, sempre, agindo em conformidade com a Sua Vontade.

O homem foi dotado de muitos recursos e faculdades que lhe foram conferidos porque são indispensáveis para o cumprimento de suas necessidades. Todas estas faculdades e recursos foram criados para o bem do homem, não para prejudicá-lo e destruí-lo, mas para beneficiá-lo e ajudá-lo.

Sempre que usa corretamente suas faculdades naturais, o homem colhe benefícios e caminha no sentido da evolução. Este seria o conceito de certo: o uso adequado das faculdades naturais para realização de suas necessidades, obtendo benefícios e caminhando para evolução.

Sempre que usa de maneira defeituosa e imperfeita suas faculdades naturais, o homem tem o prejuízo por resultado, indo no sentido da destruição, empenhando esforços irrazoáveis e inúteis na busca por algo não fundamental. Eis o conceito de errado: o uso inadequado das faculdades naturais para realizar coisas irrazoáveis ou inúteis, que acarretarão prejuízo e encaminharão para destruição.

O caminho a ser seguido é o da razão, do bem, da utilidade, as atividades irrazoáveis, prejudiciais ou destrutivas constituem erro e devem ser evitadas.

O conhecimento do homem é limitado. Ele sozinho não consegue reconhecer o benéfico e o prejudicial, o certo e o errado, o que é bom e o que é ruim para si mesmo.

“É possível que repudieis algo que seja um bem para vós e quiçá, gosteis de algo que vos seja prejudicial; todavia, Deus sabe e vós ignorais.” Alcorão, surata 2:216

O homem por si só não é capaz de elaborar um código de conduta que, por um lado, abranja todos os aspectos de sua vida sem negligenciar nenhuma de suas necessidades (físicas, morais e espirituais), e por outro, limite sua atividade de forma que suas ações não o prejudiquem, por isso Deus, o Altíssimo, revelou um código de vida completo que lhe permitisse tirar proveito máximo de sua existência sem que esta lhe acarretasse prejuízos.

A Sharia regulamenta a vida do homem para que lhe seja proveitosa. Seu objetivo é manter o homem longe do erro e dar-lhe meios de realizar aquilo que tem necessidade para se sentir feliz. A Lei não visa suprimir desejos e necessidades naturais, nem tampouco destruir ou negligenciar solicitações ou emoções que foram infundidas no homem por Deus, o Altíssimo. O código de leis foi estabelecido para que o homem faça o melhor e mais produtivo uso de seus poderes e recursos, permite, e até mesmo ordena, tudo que lhe é útil e benéfico, proíbe e veta apenas o que é destrutivo e prejudicial.

Princípios islâmicos relativos ao lícito e ilícito

Antes do Islam, havia uma grande confusão a respeito do que deveria ser permitido ou proibido, resultando em muitas distorções a respeito do lícito e ilícito.

Assim o monasticismo cristão desvalorizava a vida material, também como o asceticismo hindu, pregando o afastamento das coisas deste mundo, por outro lado, o masdeísmo pregava a liberdade total e o seguir suas conjecturas, segundo lhe aprouvesse. O Islam veio estabelecer o equilíbrio e a ordem, através da Lei revelada por Deus, o Altíssimo, detalhando o que seria permitido e proibido, estabelecendo um consenso entre os seres humanos, para que pudessem desfrutar proveitosamente da existência e agradar a Deus, o Altíssimo, em todos os seus atos.

A Lei Islâmica se baseia no Alcorão (que contém os princípios gerais das leis), na Sunnah (que detalha as leis a partir do exemplo do Profeta Muhammad, no consenso (acordo entre sábios muçulmanos sobre uma sentença não tratada nas duas fontes anteriores) e na analogia sistemática (onde houver uma nova condição, que o Alcorão ou a Sunnah tratem de uma coisa similar).

O primeiro princípio da Shari'a é a permissibilidade: tudo que Deus, o Altíssimo, proibiu é ilícito e as coisas não mencionadas são lícitas. Em verdade, há uma ampla gama de coisas lícitas para poucas ilícitas, as quais são bem determinadas pela Lei. É suficiente para o homem saber o que é proibido, sendo as demais coisas permitidas.

Quanto aos atos de culto, só podem ser praticados segundo a Revelação Divina, ninguém tem o direito, nem mesmo a capacidade, de inventar ou formular por si uma forma de culto, só Deus, o Altíssimo, tem autoridade para isso e qualquer invenção nesta área é um insulto a Deus, o Altíssimo, que já nos orientou a este respeito através da Revelação.

A Shari'a trata dos assuntos mundanos visando ensinar ao homem o bom comportamento, para que ele tire o proveito máximo da vida, de modo que só foram proibidas as coisas impuras e prejudiciais, e só são obrigatórias as coisas saudáveis e benéficas. Além disso, as coisas permitidas são suficientes, tendo sido proibidas apenas coisas supérfluas e desnecessárias.

Apenas Deus, o Altíssimo, pode proibir ou permitir, Deus o Altíssimo, é o Legislador, o homem não tem autoridade para interferir na sua Lei, só a Deus, o Altíssimo, cabe determinar o que é lícito e o que é ilícito. O homem não pode nem diminuir e nem aumentar as proibições determinadas por Deus, o Altíssimo, quem assim procede, é como se cometesse politeísmo.

Tudo que conduz à realização de algo proibido também é proibido, assim como negligenciar a proibição, considerando-a lícita. Não se justifica a prática do proibido através de boas intenções ou finalidades, isso não é levado em consideração quando se trata dos assuntos determinados por Deus, o Altíssimo.

Quanto ao que é duvidoso, simplesmente deve ser evitado.

A Lei se aplica igualmente a todos, o que é proibido, o é para todos igualmente.

A Shari'a determina que se deve escolher o pequeno prejuízo por causa de um benefício maior e sacrificar o pequeno benefício para não permitir um grande dano.

Existem exceções na medida da necessidade: em caso de necessidade extrema e imprescindível, pode-se realizar algo proibido, mas apenas na medida da necessidade, pedindo perdão a Deus, o Altíssimo, e sem gostar do que se está fazendo.

O princípio fundamental da Shari'a é que o homem tem o direito e o dever sagrado de realizar todas as suas necessidades naturais e desejos genuínos e fazer todo esforço concebível para estimular seus interesses e encontrar o sucesso e a felicidade, mas não pode prejudicar o interesse das outras pessoas, nem causar danos aos esforços alheios, nem destruir a Criação. Além disso, o interesse coletivo deve se sobrepor ao individual, mesmo na busca da felicidade, deve haver coesão social e cooperação mútua.

O esquema de vida islâmico consiste num conjunto de direitos e obrigações que são detalhados pela Lei, de forma que todos os direitos sejam respeitados sem que as obrigações sejam violadas.

Os deveres primários do homem são para com Deus, o Altíssimo: o homem deve ter fé em Deus, louvado seja, reconhecer Sua Autoridade e não associar ninguém a Ele, o Altíssimo; o homem deve aceitar a orientação divina e viver de acordo com o que Deus, o Altíssimo, revelou e procurar Seu agrado, para isso, deve acreditar no Profeta de Deus e aceitar sua liderança, orientação e exemplo; o homem deve obedecer Deus, o Altíssimo, totalmente sem reservas, seguindo sua Lei tal como está contida no Alcorão e na Sunnah, o homem deve adorar a Deus, o Altíssimo, através da oração e outras prescrições religiosas. Estes deveres precedem todos os direitos e devem ser cumpridos acima de todos os outros deveres, mesmo que para isso seja necessário sacrificar seus direitos.

O homem tem deveres para com a sua própria pessoa, que tende a violar: sua maior fraqueza é sucumbir aos desejos ao invés de resistir e ao satisfazê-los traz grandes prejuízos a si próprio. Para evitar que o homem sucumba aos desejos e se prejudique, a Shari'a regulamenta a conduta humana de forma a educar os instintos, proibindo tudo que cause danos à saúde física, moral, intelectual e espiritual do homem, ordena que se realize coisas úteis e saudáveis, possibilitando que o homem seja verdadeiro consigo mesmo e não viole os deveres que tem para com sua própria pessoa.

A Shari'a regula a vida de forma que se consiga o bem estar de um e de todos. A estruturação de uma sociedade começa na família, por isso a Shari'a estabelece normas para a família, tornando-a uma unidade primária da civilização, um modelo para a sociedade em geral. A maneira de conduzir-se na família é determinante no modo como o indivíduo se conduz socialmente, e a boa estruturação familiar é a base para a boa estruturação da sociedade. O Islam dá grande importância à família e estabelece normas e condições para o relacionamento familiar saudável e produtivo, que se refletirá na respeitabilidade social.

O Islam regula as relações entre os indivíduos na sociedade, se baseando no respeito mútuo, na honestidade, veracidade, cortesia, igualdade, cuidado com o sentimento alheio e solidariedade, que deve começar com a ajuda àqueles que estão mais próximos de você, seja na forma de um benefício material, aconselhamento sentimental ou instrução moral ou espiritual.

Deus, o Altíssimo, dotou o homem com autoridade sobre as outras criaturas, ele faz uso do resto da Criação para servir aos seus objetivos. O homem deve, quando exercer sua superioridade, pondo a seu serviço outros elementos da Criação, procurar causar-lhes o mínimo possível de dano, empregando o método melhor e menos injurioso. O Islam proíbe a exploração de animais para trabalho, que devem ser tratados como funcionários do homem, proíbe a castração e a mutilação dos animais, assim como qualquer crueldade para com eles. Proíbe o aprisionamento de aves ou outros animais, também proíbe o corte de árvores e o desmatamento, mas incentiva grandemente a agricultura, e o colher os bons frutos da terra, estabelecendo normas seu cultivo.

Todas as restrições impostas pela lei islâmica tem seu fundamento na idéia que ninguém pode lucrar com o prejuízo do outro, isso evita o egoísmo usurpador e a exploração dos mais fracos, estabelecendo uma unidade social baseada na respeitabilidade de todos os indivíduos. A Shari'a procura descentralizar o homem do individualismo e dar-lhe uma dimensão de comunidade.

O Islam proíbe que o homem fique inútil, ordena que desempenhe um trabalho benéfico, fazendo dele um ser produtivo e útil para sociedade, evitando que se menospreze.

Também proíbe a auto-restrição e incentiva o homem a desfrutar dos prazeres saudáveis e alegrias da vida.

A Shari'a proíbe a futilidade e a frivolidade, o luxo e a luxúria, que se enquadram no desperdício, e é proibido desperdiçar qualquer coisa, sendo inaceitável o gasto com coisas inúteis e extravagantes enquanto há pessoas que passam necessidade, assim o Islam proíbe o uso indevido da riqueza e dos bens, impedindo o centralismo individual exagerado.

O Islam incentiva o homem a não aumentar suas necessidades e evitar o consumo.

Não é permitido que homens e mulheres se misturem livremente na sociedade, cada um tem sua esfera de atividade, devendo a mulher cuidar dos assuntos domésticos, enquanto o homem cuida da esfera sócio-econômica, não havendo nenhuma razão para que convivam misturados. Quando for necessário que se comuniquem, devem fazê-lo objetiva e discretamente. Dessa forma se evitam muitas tentações, desejos e paixões insalubres para o indivíduo e para comunidade. As relações entre homens e mulheres não devem passar do limite da necessidade, não há nenhuma razão que motive a livre mistura dos sexos na sociedade e muitas razões para evitá-la.

O Islam obriga o homem a controlar seus desejos sexuais sem suprimi-los, regulando-os e satisfazendo-os através do casamento. As relações sexuais devem se restringir ao casamento, que é a forma correta do se satisfazer os desejos naturais e realizar as funções físicas para as quais homens e mulheres foram criados, sendo inaceitável a idéia de “liberdade sexual”, ou qualquer extravagância nesse sentido, de forma que os solteiros devem permanecer castos até que se casem.

A poligamia é permitida legalmente, sendo lícito ao homem ter até quatro esposas, esta questão tem levantado polêmica no ocidente, mas é, em verdade, bastante simples. Além do fato inegável do homem ter mais desejo sexual que a mulher, sendo a poligamia uma alternativa que evita o adultério, na sociedade islâmica, a mulher deve cuidar dos assuntos do lar, restando-lhe poucas alternativas no caso de ter que subsistir sozinha. Quando um homem se casa com várias mulheres, ele as insere na sociedade, garantindo suas subsistência. Temos outras razões, como o fato de nações que se envolvem em sucessivas guerras possuírem um número maior de mulheres que de homens na sociedade; a poligamia controla este desequilíbrio, inserindo um maior número de mulheres no casamento, promovendo um relevante aumento na taxa de natalidade. Porém, há uma ressalva: aquele que casar-se com mais de uma esposa deve ser equânime para com elas em suas ações, aparentemente é simples, mas, em verdade, é difícil de se realizar, pois quase sempre preferimos uma pessoa a outra. A poligamia só deve ser praticada por quem possui esta neutralidade, caso contrário, a monogamia é indicada. Talvez por isso esta seja a forma de união da grande maioria dos casais muçulmanos.

“... podereis desposar duas, três ou quatro das que vos aprouver entre as mulheres. Mas se temerdes não poder ser eqüitativo para com elas, casai, então com uma só...” Alcorão, surata 4:3 (trecho)

“Não podereis, jamais, ser eqüitativos com vossas esposas, ainda que nisso vos empenheis;” Alcorão, surata 4:129 ( trecho)
           
O Profeta Muhammad em seu casamento com Khadija(R.A.A), que durou mais de vinte e cinco anos, ele ensinou a monogamia perfeita. Após sua morte, o Profeta casou-se novamente, dando o exemplo da poligamia perfeita: por diversas razões, era uma exceção ao limite de quatro esposas, chegou a ter nove concomitantes, tendo se casado ao todo com doze. Suas uniões foram motivadas por razões políticas (para fortalecer os laços com todas as tribos árabes e entre os Companheiros(R.A.A), sociais (para amparar viúvas de idade avançada com filhos de casamentos anteriores), legais (para atestar a permissão de se casar com divorciadas e recém convertidas),e educacionais, pois suas esposas tinham um importante papel com relação à educação das mulheres de seu tempo. Assim temos no Profeta o exemplo de como o homem deve conduzir-se tanto na monogamia quanto na poligamia e em suas esposas o modelo a ser seguido pelas muçulmanas.

Quanto à questão da mulher, ela não é tolhida de sua liberdade, pelo contrário, tem todos os seus direitos assegurados pela Lei. O Islam protege a mulher, preserva sua integridade sentimental e moral, além de possibilitar que ela realize apenas as funções que foi criada para realizar. O Islam não obriga a mulher a agir como um homem, buscando o próprio sustento, tendo que realizar funções para as quais não está preparada, pelo contrário, o Islam obriga o homem a prover a subsistência da mulher (filha, esposa, irmã ou mãe), sendo a mulher obrigada apenas a agir segundo sua própria natureza, cuidando dos assuntos domésticos e proporcionando o bem-estar da família, protegida das violências, usurpações de direitos e inversão de valores produzida por uma sociedade cujas regras não têm fundamento.

O Islam organiza a sociedade dividindo direitos e deveres de forma que homens e mulheres nunca sejam rivais, determinando a cada um sua esfera de atividade, possibilitando que cada um cumpra as funções para as quais foi criado e não se agrida nem tenha que ir além de sua própria natureza.

Quanto às vestimentas, homens e mulheres devem se vestir de forma a não chamar atenção socialmente e não incitar desejos nas imaginações dos outros. O Islam pretende cultivar em seus seguidores um profundo senso de modéstia e pureza, suprimindo todas as formas de falta de pudor e desvio moral, preservando homens e mulheres da banalização e vulgarização do próprio corpo, evitando que denigram sua auto-imagem perante os outros. Tanto homens como mulheres devem cobrir suas partes íntimas. As partes íntimas do homem são do joelho até o umbigo, mas ele deve se preservar da exposição cobrindo peito, costas e pernas; já no caso das mulheres, o corpo todo é considerado parte íntima, exceto o rosto e as mãos. Por isso a mulher deve cobrir todo o corpo, inclusive os cabelos, a fim de preservar suas partes íntimas. Quanto à mulher cobrir o rosto, não é obrigada a isso pela lei islâmica, mas no tempo de extrema licenciosidade em que vivemos, é adequado às mulheres que cubram o rosto.

Diz Deus, o Altíssimo, no Alcorão Sagrado:

“Ó Profeta, dize às tuas esposas, tuas filhas e às mulheres dos crentes que (quando saírem) usem uma sobre-vestimenta (que cubra o corpo inteiro), isso é mais conveniente para que sejam reconhecidas e não sejam ofendidas; sabei que Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.” Alcorão, surata 33:59
 
“Dize às crentes que recatem seus olhares, conservem seus pudores e não mostrem seus atrativos, exceto os que (normalmente) aparecem; que cubram o colo com seus véus e não mostrem seus atrativos,...” Alcorão, surata 24:31( trecho)
 
É proibido ao homem o uso do ouro e da seda, permitidos exclusivamente às mulheres. Também é proibido o uso de utensílios de ouro e prata, de forma a evitar a ostentação. É incentivado aos homens que deixem crescer as barbas, como característica comum aos muçulmanos, para que se identifiquem uns com os outros e se diferenciem dos incrédulos, assim como o uso de trajes tradicionais e típicos do Islam, para que se preserve a identidade islâmica, reflexo da crença, cultura e comportamento dos muçulmanos, em oposição às culturas pagãs, pelas quais o muçulmano não se deve deixar contaminar.

Quanto aos passatempos, o Islam desaprova e proíbe passatempos e diversões que tendam a estimular paixões e despertar desejos, ou tenham qualquer efeito nocivo sobre a mente e a moral humana, incentivando paixões irreais e atribuindo demasiado valor a coisas fúteis. Tais recreações são perda de tempo e depõem contra a saúde moral de homens e mulheres, estimulando ilusões e desejos, levando à depravação e entrega às paixões, nutrindo a desobediência e a rebeldia em relação a Deus, o Altíssimo, tais exercícios de futilidade tendem a deturpar o pensamento e o comportamento do homem, avivando instintos que o Islam procura educar, tais divertimentos são destrutivos e devem ser restringidos. O Islam não proíbe o divertimento saudável pois o compreende como necessário, atuando como um estímulo para a atividade, avivando a criatividade e a imaginação, sendo importante para contrabalancear a seriedade dos trabalhos e obrigações que desempenhamos. Assim, o divertimento é necessário, mas deve ser saudável para a mente, para o corpo e para a moral, caso contrário vai contra o ideal do Islam e é proibido. O Islam também proíbe as bebidas alcoólicas (e drogas em geral), entre outras razões, por fazerem mal à saúde física, mental e moral do homem, assim como os jogos de azar, que são viciantes e levam o homem a ruína e a destruição.

Quanto ao saber e a ciência, o Islam considera o conhecimento e a ciência legado da humanidade e um grande benefício para o homem, o muçulmano é incentivado a adquirir conhecimento, seja qual for a sua procedência. O Islam vê como um grande benefício a evolução da ciência e da tecnologia, mas sem jamais perder de vista os limites da ética e a respeitabilidade do homem e a superioridade de Deus, o Altíssimo.

Quanto à cultura, deve-se assimilar das civilizações não-islâmicas apenas os conhecimentos técnicos e específicos, não deve haver inclinação para as artes e ofícios que promovam escravidão cultural. Assim, tudo o que for aprendido das culturas não-islâmicas é bem vindo desde que transportado para a realidade cultural islâmica, sem tentar alterá-la, pois o modo de vida, a cultura e a arte da sociedade islâmica são determinados pelos princípios religiosos.

A usura é proibida assim como qualquer tipo de relação exploratória, baseado no princípio que ninguém pode lucrar com o prejuízo alheio.

O suicídio é proibido, assim como o homicídio, pois a vida pertence exclusivamente à Deus, o Altíssimo. Quanto a alimentação, o Islam proíbe o sangue, a carne de porco, assim como  de outros animais imundos e que caçam. Além disso, determina um modo de abate que poupa o sofrimento do animal, que deve ser degolado, o sangue escorrido e o nome de Deus pronunciado.

OBSERVAÇÕES FINAIS

Cada muçulmano não é apenas seguidor de uma religião, mas membro de uma comunidade, e tem direitos e deveres para com ela.

A Comunidade Muçulmana não tem fronteiras nem limites geográficos, não distingue seus membros segundo critérios como etnia, língua ou nacionalidade. O consenso ideológico e comportamental e o compromisso para com os ideais islâmicos une todos os muçulmanos, dos mais diferentes lugares do mundo, em torno dos mesmos princípios e objetivos, independente das barreiras geográficas, da língua, nacionalidade ou etnia. O muçulmano tem mais responsabilidade para com a Comunidade Muçulmana do que para com seu país de origem.

Através de um universo de regras bem definidas e um padrão de crença e comportamento igualmente válido para todos, o Islam estabelece uma verdadeira fraternidade, de forma que os muçulmanos sejam unidos e se ajudem, incentivem o bem, proíbam o ilícito, e contenham o alastramento do mal na comunidade.

O Islam é uma religião, um modo de pensamento e comportamento completo  assentado sobre a Revelação Divina: inclui os atos de culto mais elaborados que a humanidade conhece, um padrão de vida individual que dignifica o ser humano, um sistema de valores que garante o respeito e a cooperação entre os indivíduos e uma organização social coesa que é o ideal de fraternidade, igualdade e justiça. Não se trata de costumes e tradições locais que mudam com o tempo, trata-se da Revelação Divina que visa orientar o homem a tirar o melhor proveito possível da vida e encontrar a felicidade individual servindo à causa coletiva. E Poe se basear na natureza humana, que é a mesma em todas as partes do mundo desde a criação do homem, seu apelo é universal e seus princípios são imutáveis, servindo de guia e orientação para humanidade em todos os tempos.

Sistemas de raças ou nacionalismos não podem ser incorporados por outras raças ou nações, um sistema nacionalista exportado engendrará a noção de superioridade e inferioridade, produzindo relações exploratórias e dependência cultural.

Hoje em dia, observamos uma insistência por parte do Ocidente de exportar seus modelos para os domínios do Islam. Mesmo diante dos fracassos evidentes da sociedade democrática de consumo no campo dos valores humanos e na dimensão espiritual do homem. Nas sociedades ocidentais, impera o clima de feroz rivalidade, mentalidade bairrista, futilitarismo sem limite, deterioração dos valores, exagerada priorização dos direitos individuais, mesmo que isso promova a ruína da comunidade. Seus membros desconhecem a fraternidade, valorizam demasiadamente os bens materiais, e têm na discriminação um meio de auto-afirmação. A forte tendência nacionalista leva à exploração de muitas nações para o benefício de um só país, que impõe seus valores, cultura e forma de organização através de uma ostensiva dominação econômica e cultural, quando não propriamente pela força.

Apesar dos recursos científicos e tecnológicos, e da relativa prosperidade material, a cultura ocidental tem muito pouco a oferecer na esfera dos valores. A democracia em si é um ideal impraticável. A falta de diretriz e orientação levaram o Ocidente a relativização dos conceitos e deterioração dos valores, inexistindo qualquer consenso, seja ideológico ou comportamental, produzindo uma organização social fragmentária e individualista: o egoísmo, a hipocrisia e o preconceito anulam qualquer tipo de igualdade ou fraternidade; a escravidão à matéria e o apego aos bens de consumo cancela o ideal de liberdade, o que é mascarado pele deturpação dos valores básicos relacionados à questões sexuais e comportamentais. O materialismo ocidental vem afundando a humanidade num torpor espiritual e decadência moral similar ao visto na era pré-islâmica. A falta de orientação levou à liberalidade generalizada, que levou a desvalorização do ser humano, através da banalização do sexo, vulgarização do corpo e agressão à natureza de homens e mulheres.


A prosperidade material justifica essa desvalorização do ser humano? O que o Ocidente tem a oferecer, se seus indivíduos são iludidos, infelizes e insatisfeitos? Quanto tempo vai durar a submissão a essa civilização materialista e cheia de perguntas sem resposta, que ignora Deus, o Altíssimo, Sua Autoridade e Sua Orientação? Como pode prosperar uma sociedade que se baseia no consumo de coisas fúteis e seus indivíduos se consideram superiores uns aos outros segundo suas posses materiais?

Essa sociedade indecente e materialista quer impor seus valores e modelos aos muçulmanos, através de uma ostensiva interferência cultural e, até mesmo, uma pressão sobre as instituições islâmicas, como se o ideal democrático e a sociedade de consumo fossem uma verdade universal querida e almejada por todos. Qualquer tentativa dos muçulmanos de se organizarem em torno do Islam é combatida pelo Ocidente, que vem invadindo os domínios do Islam, exportando a ilusão do consumo e a promessa de uma liberdade de comportamento que, além de denegrir e vulgarizar o ser humano, apenas mascara a escravidão à matéria e a subserviência aos mais ricos. A ocupação não é apenas territorial, é cultural, a medida que o Ocidente procura impor seus padrões e modelos aos muçulmanos, ignorando o fato deles já possuírem seus próprios modelos e padrões, que aliás superam infinitamente os ocidentais, já que o modo de vida dos muçulmanos se fundamenta na Revelação Divina e o modo de vida ocidental não tem um fundamento sólido e visa exclusivamente os benefícios materiais.

Os muçulmanos têm o direito, aliás, o dever, de se organizarem em torno do Islam, de acordo com seus princípios e exortações. Tentar impedir isso através da imposição de valores e modelos que contrariam a crença islâmica é uma agressão contra o Islam,uma tentativa de depreciá-lo e, até mesmo, destruí-lo.

A maior opressão sofrida pelos muçulmanos é essa insistência por parte do Ocidente em pressioná-los a se afastarem  de seus ideais islâmicos, corrompendo sua identidade e rompendo seu compromisso de se submeterem à Deus, o Altíssimo, obedecendo Suas Leis e seguindo Suas prescrições para todos os aspectos de sua vida.

Não haverá entendimento enquanto o Ocidente não permitir aos muçulmanos que se organizem segundo as instruções do Profeta Muhammad.

O Islam incorpora a evolução científica e tecnológica, e ainda oferece ao homem a restauração dos verdadeiros valores, a integração entre espírito e matéria, a valorização do ser humano, suprindo suas necessidades físicas, sentimentais, intelectuais e espirituais, numa sociedade igualitária, justa e coesa.

Alguns países nas terras do Islam estão nas mãos de usurpadores que se dizem muçulmanos mas não o são: renegando sua tradição religiosa e cultural, tais tiranos permitem a inundação das terras do Islam pela ilusão material do Ocidente. Estas falsas lideranças têm sido exploradas pela mídia como exemplo do fracasso da política muçulmana que teria como única alternativa a incorporação dos valores ocidentais. Em verdade, estes apóstatas não representam de maneira nenhuma os ideais do povo muçulmano e não devem ser confundidos com tais ideais: tais países não praticam o sistema político islâmico, que abomina o autoritarismo e o totalitarismo, garantindo as liberdades individuais sem ameaçar a pureza ideológica das instituições islâmicas. Ao mesmo tempo que enfatiza as deturpações da política muçulmana, a mídia encobre os sucessos da correta aplicação do sistema político islâmico, recusando-se a divulgar as vantagens da sociedade muçulmana em relação à sociedade ocidental, como a contenção da violência e a igualdade de direitos, a ausência do preconceito e discriminação, a lealdade do povo ao governante legítimo, e outros aspectos associados à honestidade e transparência.

O Islam tem o objetivo de constituir um Estado Unificado trans-nacional que exclua a idéia de diferenciações nacionais ou étnicas, ressaltando a unidade de todos enquanto muçulmanos. Este ideal de globalização já demonstrou suas virtudes durante o Império Muçulmano, que uniu diversos povos sob a igualdade e justiça do Islam, promovendo um salto da humanidade da idade das trevas para idade de ouro.

O Islam já revolucionou a humanidade uma vez, e sempre será capaz de fazê-lo novamente, sendo a única alternativa para restauração dos valores humanos associados à incorporação dos recursos materiais legados pelo Ocidente, encaminhando o homem não só para prosperidade material assim como para dignidade moral e elevação espiritual.

É dever de todo muçulmano defender sua identidade religiosa e sua soberania cultural e lutar pela total implantação do sistema islâmico de pensamento e vida nas terras do Islam. Para isso é preciso rechaçar o modelo ocidental e não ceder à ilusão material, assim como restaurar a pureza original dos valores islâmicos onde estiverem enfraquecidos, num profundo movimento de revitalização da religião, retomando a prática integral de suas prescrições segundo o exemplo do Profeta Muhammad e de seus Companheiros(R.A.A).

Os muçulmanos devem lutar pela conservação de seus valores e identidade, e até que se estabeleça o Estado Islâmico Unificado, a exemplo do que existiu outrora, sob a liderança de um Califa capacitado que represente os ideais da Comunidade Muçulmana.

Não pode haver paz enquanto houver injustiça.
 
"AL WAQUI'A"

(O EVENTO INVEVITÁVEL)

Revelada em Makka; 96 versículos, com exceção dos versículos 81 e 82, que foram reveladas em Madina.
56ª SURATA

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
1. Quando acontecer o evento inevitável,
2. -Ninguém poderá negar o seu advento -,
3. Degradante (para uns) e exultante (para outros).
4. Quando a terra for sacudida violentamente,
5. E as montanhas forem desintegradas em átomos,
6. Convertidas em corpúsculos dispersos,
7. Então, sereis divididos em três grupos.
8. Os dos que estiverem à direita - E quem são os que estarão à direita?
9. Os dos que estiverem à esquerda - E quem são os que estarão à esquerda?
10. E o dos primeiros (crentes) - E quem são os primeiros (crentes) ?
11. Estes serão os mais próximos de Deus,
12. Nos jardins do prazer.
13. (Haverá) uma multidão, pertencente ao primeiro grupo.
14. E poucos, pertencentes ao último.
15. Estarão sobre leitos incrustados (com ouro e pedras preciosas),
16. Reclinados neles, frente a frente,
17. Onde lhes servirão jovens (de frescores) imortais.
18. Com taças, jarras, e ânforas, cheias de néctares (provindos dos mananciais celestes),
19. Que não lhes provocará hemicrania, nem intoxicação.
20. E (também lhes servirão) as frutas de sua predileção,
21. E carne das aves que lhes apetecerem.
22. Em companhia de huris, de cândidos olhares,
23. Semelhantes a pérolas bem guardadas.
24. Em recompensa por tudo quanto houverem feito.
25. Não ouvirão, ali, frivolidades, nem (haverá) qualquer pestilência,
26. A não ser as palavras: Paz! Paz!
27. E o (grupo) dos que estiverem à direita - E quem são os que estarão à direita?
28. Passeará entre lotos (com frutos) sobrepostos,
29. E pomares, com árvores frutíferas entrelaçadas,
30. E extensa sombra,
31. E água manante,
32. E frutas abundantes,
33. Inesgotáveis, que jamais (lhes) serão proibidas.
34. E estarão sobre leitos elevados.
35. Sabei que criamos, para eles, uma (nova) espécie de criaturas.
36. E as fizemos virgens.
37. Amantíssimas, da mesma idade.
38. Para os que estiverem à direita.
39. (Estes) são uma multidão, pertence ao primeiro grupo.
40. E outra, pertencente ao último.
41. E os que estiverem à esquerda - E quem são os que estarão à esquerda?
42. Estarão no meio de ventos abrasadores e na água fervente.
43. E nas trevas da negra fumaça,
44. Sem nada, para refrescar, nem para aprazar.
45. Porque, antes disso, estava na luxúria,
46. E persistiram, em seu supremo pecado.
47. E diziam: Acaso, quando morrermos e formos reduzidos a pó e ossos, seremos ressuscitados,
48. Ou (o serão) nossos antepassados?
49. Dize-lhes: Em verdade, os primeiros e os últimos.
50. Serão congregados, para o encontro de um dia conhecido.
51. Logo, sereis vós, ó desviados, desmentidores,
52. Sem dúvida que comereis do fruto do zacum.
53. Do qual fartareis os vossos estômagos,
54. E, por cima, bebereis água fervente.
55. Bebê-la-eis com a sofreguidão dos sedentos.
56. Tal será a sua hospedagem, no Dia do Juízo!
57. Nós vos criamos. Por que, pois, não credes (na Ressurreição)?
58. Haveis reparado, acaso, no que ejaculais?
59. Por acaso, criais vós isso, ou somos Nós o Criador?
60. Nós vos decretamos a morte, e jamais seremos impedidos,
61. De substituir-vos por seres semelhantes, ou transformar-vos no que ignorais.
62. E, na verdade, conheceis a primeira criação. Por que, então, não meditais?
63. Haveis reparado, acaso, no que semeais?
64. Porventura, sois vós os que fazeis germinar, ou somos Nós o Germinador?
65. Se quiséssemos, converteríamos aquilo em feno e, então, não cessaríeis de vos assombrar,
66. (Dizendo): Em verdade, estamos em débito,
67. Estamos, em verdade, privados (de colher os nossos frutos)!
68. Haveis reparado, acaso, na água que bebeis?
69. Sois vós, ou somente somos Nós Quem a faz descer das nuvens?
70. Se quiséssemos, fá-la-íamos salobra. Por que, pois, não agradeceis?
71. Haveis reparado, acaso, no fogo que ateais?
72. Fostes vós que criastes a árvore, ou fomos Nós o Criador?
73. Nós fizemos disso um portento e conforto para os nômades.
74. Glorifica, pois, o nome do teu Supremo Senhor!
75. Juro, portanto, pela posição dos astros,
76. Porque é um magnífico juramento - se soubésseis!
77. Este é um Alcorão honorabilíssimo,
78. Num Livro bem guardado,
79. Que não tocam, senão os purificados!
80. É uma revelação do Senhor do Universo.
81. - Porventura, desdenhais esta Mensagem?
82. E fizestes disso o vosso sustento, para que o pudésseis desmentir?
83. Por que, então, (não intervis), quando (a alma de um moribundo) alcança a garganta?
84. E ficais, nesse instante, a olhá-lo.
85. - E Nós, ainda que não Nos vejais, estamos mais perto dele do que vós –
86. Por que, então, se pensais que em nada dependeis de Nós,
87. Não lhe devolveis (a alma), se estais certos?
88. Porém, se ele for um dos achegados (a Deus),
89. (Terá) descanso, satisfação e um Jardim de Prazer,
90. Ainda, se for um dos que estão à direita,
91. (Ser-lhe-á dito): Que a paz esteja contigo, da parte dos que estão à direita!
92. Por outra, se for um dos desmentidores, extraviados,
93. Então terá hospedagem na água fervente,
94. E entrada na fogueira infernal.
95. Sabei que esta é a verdade autêntica.
96. Glorifica, pois, o nome do teu Supremo Senhor!

Bibliografia:

- “Para compreender o islamismo”, Abu Ála Maududi
- “O Islam em foco”, Hammudah Abdalati
- “Lícito e ilícito no Islam”, Youssef Karadhaui
- “O caminho para o islamismo”, sheikh Ahmad Saleh Mahairi
- “Muhammad, o Mensageiro de Deus”, Aminuddim Muhammad
- “O Islam e o Mundo”, Abu Hassan Annadui
- “A Oração no Islam”, Muhammad Asauaf
- “O significado dos versículos do Alcorão Sagrado”, em português, Samir el Hayek

Contato com a autora:
aisha_aini@hotmail.com