Bem Vindos ao Mês Sagrado de Ramadan

O mês de Ramadan foi o mês em que foi revelado o Alcorão – orientação para a humanidade e evidência de orientação e de discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciar o novilúnio desse mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número (de dias), e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que Lhe agradeçais.(2:183-185)

Esses versículos mostram que o jejum durante o mês de Ramadan tanto serve para fomentar o temor a Deus como a recordação d’Ele, nos corações dos crentes, servindo ainda para que agradeçamos a Deus pela diretriz que Ele nos concedeu, com o Alcorão. Conquanto o jejum, por si, possa parecer difícil, ele não é imposto como uma forma de punição, mas sim como um ato de devoção e auto-disciplina, coisa que leva o crente para mais perto do Todo-Poderoso Deus.

Durante a sua vida, o Profeta Muhammad enfatizava a natureza especial e sagrada do mês de Ramadan, e a importância do jejum. Abu Huraira relatou que o Mensageiro de Deus dizia: “Quando Ramadan começa, os portões do Inferno ficam trancados, e os demônios nele acorrentados.” (Bukhari e Muslim)

Sahl Ibn Saad relatou que o Mensageiro de Deus dizia: “No Paraíso há oito portas; entre elas há uma chamado Al Raiyan, a qual apenas os que jejuam adentrarão” (Bukhari e Muslim)

Uma bênção adicional que Ramadan encerra é a Noite do Decreto, a noite em que o Alcorão foi revelado ao Profeta Mohammad. Acredita-se que essa noite seja um dos dez últimos dias ímpares de Ramadan. Ela é brevemente mencionada na Surata Al Kadr (O Decreto). Ela poderá ser traduzida como se segue: “ Sabei que o revelamos (o Alcorão), na Noite do Decreto. E o que te fará entender o que é a Noite do Decreto? A Noite do Decreto é melhor do que mil meses. Nela descem os anjos e o Espírito (Anjo Gabriel), com a anuência do seu Senhor, para executar todas as Suas ordens. (Ela) é paz, até ao romper da aurora!” (Alcorão Sagrado, Surata 97)

Pode-se dizer que a Noite do Decreto significa o fim da era da jahiliya (ignorância), e o começo da mensagem final de Deus para a Sua criação. É um marco na separação entre as trevas e a luz, entre a ignorância e o saber, entre a falsidade e a verdade. O Profeta Muhammad confirmava a importância da Noite do Decreto, como é demonstrado no seguinte hadiss: Abu Huraira relatou que o Mensageiro de Deus disse: “Aquele que jejuar durante o Ramadan, com fé, buscando a recompensa de Deus, terá seus pecados passados perdoados; aquele que orar durante as noites de Ramadan, com fé, buscando a recompensa de Deus, terá os seu pecados passados perdoados; e aquele que passar a Noite do Decreto em oração, com fé, buscando a recompensa de Deus, terá os seus pecados passados perdoados” (Bukhari e Muslim)

Devemos também lembrar que Ramadan é um tempo especial para que os muçulmanos se unam como uma comunidade. Devemos prometer a nós mesmos utilizar-mos esse tempo para visitar os amigos e parentes, resolver rusgas passadas, e reconhecer as nossas metas comuns.

Ramadan é um tempo para a oração, unificação, paciência, caridade, e o auto-sacrifício. Como muçulmanos e verdadeiros crentes que somos, devemos praticar essas virtudes durante o Ramadan, e por todo o ano. Se falharmos nos nossos esforços, não poderemos esperar que as nossas diligências em disseminar a mensagem do Islam tenham sucesso. Como muçulmanos que somos, o mês de Ramadan nos oferece uma oportunidade especial para revivermos, renovarmos e revigorarmos a nossa fé. Oremos a Deus que nos guie no sentido de assim fazermos, e Ele nos haverá de prover, nesta vida e na Outra.

A Instituição do Jejum

A instituição do jejum é uma forma única de adoração prescrita como parte de todo o sistema do Islam. Sua singularidade espelha a singularidade do ser humano, uma criatura composto de partes físicas e espirituais cuja excelência depende da proporção certa dessas duas partes. Muito da parte física arruína o homem, e muito da parte espiritual também o fará. O jejum orienta o observante a arte de equilibrar as essências espirituais com as necessidades físicas, uma prova viva de que em todos nós há uma força de vontade,  elemento pivô que controla as nossas ações. Isso é necessário para nos ajudar a coibir as nossas tendências animalescas, originadas do estômago, completamente. Ela nos faz esquecer a nossa origem, desperta a nossa mente, reascende e clareia os nossos pensamentos e a nossa consciência de Deus. O jejum é a sobriedade da mente e a reconstrução das nossas faculdades espirituais.

O jejum instilou na comida e na bebida uma legitimidade religiosa, uma vez que a sua quantidade e a hora de consumir a comida são expressos em termos de religião, e o mastigar e o ingerir bebidas, nos intervalos prescritos equivalem à louvação e a glorificação de Deus.Ele apronta o indivíduo a encontrar o seu Criador. Vemos que nunca foi fácil tentarmos ganhar acesso à proximidade de Deus, principalmente por causa da nossa ignorância, imagens múltiplas ou dupla visão, força de vontade passiva, tempo, lugar, cultura, educação, e preconceito. Felizmente, as portas que levam para a proximidade de Deus abrem-se totalmente com a ajuda do jejum.

O jejum corrige a dupla visão que muitas pessoas sofrem no reino do espírito. A inauguração do jejum elimina o intermediário, o corretor espiritual, uma opinião insidiosa que alguns defendem de que o crente só pode ganhar acesso a Deus por intermédio de outro, que está dotado com super poderes. Não, na realidade, Deus é inefável e, portanto aproximável. É a essência da adoração de Deus que esclarece todos os atos da adoração, incluindo a oração. O jejum renda esta magnífica e bela idéia de tauhid de Deus, ou seja, de não haver outra divindade além de Deus, e que Muhammad é Seu Mensageiro, num efetivo poder energético, um poderoso e efetivo conceito quanto a focalizar e organizar o ponto de vista mundano e epitomando a orientação religiosa e psicológica do crente.

Por outro lado, Ramadan foi o mês escolhido para o envio da revelação final, O Alcorão Sagrado. Deus concedeu este livro para a humanidade, por intermédio de Seu Mensageiro, Muhammad Ibn Abdullah. A recitação do Alcorão foi instituída por seu Autor, o Próprio Deus, para o crentes, por todo o tempo, mas principalmente durante o mês de Ramadan, como foi narrado pelo Mensageiro. Os muçulmanos, do passado e do presente, sempre misturaram o jejum com a recitação do Alcorão. Talvez a razão disso é que um dos objetivos de Satanás é convencer o crente a não recitar o Alcorão. Porém, durante o mês de Ramadan o próprio Satanás é impossibilitado de tentar o crente – uma vez que o Alcorão concede ao leitor o privilégio de conversar diretamente com o Criador do Universo.

Na verdade, o treino espiritual durante o mês de Ramadan não fica completa sem uma grande parcela de recitação do Livro de Deus. Esse Livro divino trata de todas as questões pertinentes à vida: credo, instruções morais, administração das admoestações, quanto às boas novas, lições tiradas de eventos históricos, interpretação dos fenômenos materiais e naturais, convoca a humanidade para o seu Criador, e admoesta os incrédulos. O Alcorão é uma exposição tanto da doutrina espiritual como a física, no qual cada versículo e sentença tem uma relação íntima com o outro versículo e sentença. Ramadan oferece ao crente uma oportunidade de analisar sua vida por inteiro com a recitação do Alcorão; e todo aquele que observar essa prática durante o mês de Ramadan tem melhor chance de se graduar para um nível mais alto da fé.

Esta edição trata também do terceiro pilar do Islam, o zakat. É tratado resumida e concisamente para ilustrar a jurisprudência básica da caridade. Esta é uma oportunidade que não pode ser perdida pelos que devem pagar o zakat: misturar Ramadan com a caridade obrigatória, cumprindo-se os mandamentos de Deus e combatendo-se a avareza de pessoas ricas, auxiliando o necessitado a suprir suas necessidades essenciais, construindo-se, assim, um laço de relacionamento forte entre a comunidade.

Portanto, esta edição especial de Ramadan é um resumo das leis fundamentais quanto ao jejum, baseados no Alcorão e na Sunnah do Profeta para assistir o leitor na observação dessa adoração especial.

Louvado seja Deus, o Altíssimo, no começo e no fim.

O Jejum

O jejum é uma instituição universal. É um dos cinco artigos fundamentais sobre os quais o Islam se baseia. É uma instituição universal em todas as religiões do mundo e todos os personalidades religiosas adotaram o jejum como método principal de controlar e sobrepujar as paixões. Os celtas, os romanos, os babilônios e os assírios o praticaram. Os filósofos, Cénico, Estoico, os pitagóricos ou os neoplatónicos, deixaram recomendações quanto ao jejum. Os seguidores do hinduísmo, do jainismo, do confucionismo, e os zaroastristas o praticaram. Os judeus observam um dia anual de jejum, o Dia da Expiação em comemoração à descida de Moisés do Monte Sinai. O profeta Moisés se qualificou para receber a revelação de Allah depois do jejum de quarenta dias. Jesus jejuou por quarenta dias, no deserto, e ordenou seus seguidores a jejuarem. (Mateus 4:16). Portanto, a instrução do jejum é universal e existiu de alguma forma ou de outra, até que caiu em desuso devido ao método, à regularidade e o tempo. Que havia antigamente jejum é corroborado pelo seguinte versículo: "Ó crentes, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados" (2:183).

O Jejum adquire perfeição no Islam

A injunção sobre o jejum foi revelada no ano 2 da Hégira. Ela deu à instituição do jejum um toque final e introduziu seu método, regularidade e significado que, em conjunto, torna-o perfeito e permanente. O jejum não terá uma morte natural no Islam. A exemplo da oração, a instituição do jejum é conservada viva, à medida que é observada todo ano no mundo islâmico e forma o princípio de regulamentação de suas vidas. O jejum foi previamente utilizado como um sinal de luto ou para a comemoração de um grande evento. A idéia básica era aplacar a ira de algum deus. O Islam aboliu essa idéia panteística e introduziu um significado altamente desenvolvido. O objetivo é resguardar-se do mal. Em outras palavras, o objetivo principal do jejum é gerar poder no homem que pode controlar uma paixão rebelde como uma besta é trazida sob controle com a sua ocasional conservação com fome, e, então dando-lhe alimento. O mesmo princípio é expressado pela seguinte tradição: "A castração de minha comunidade é o jejum." " Quem não estiver apto a casar, que jejue pois isso seria uma castração para ele." Portanto, o jejum foi introduzido, porque elimina as propensões animais no homem.

No jejum islâmico, nada há para ser comido ou bebido desde a alvorada até o pôr-do-sol. Se qualquer coisa, mesmo água, seja tomada, produz um efeito não apreciável na mente como resultado da fome. É, então, nome inapropriado de jejum. Para colocar uma checagem efetiva na paixão, mesmo a relação sexual com a esposa, nas horas do jejum, foi proibida.Em outras religiões, isso não foi proibido, e portanto, não havia um controle efetivo das paixões. O jejum é metódico no Islam, uma vez que a todo mês de Ramadan, os jovens e os idosos, o rico e o pobre, o letrado e o iletrado, todos têm de jejuar com o mesmo espírito de paternidade de Allah e a fraternidade universal do homem; enquanto em outras religiões, não é assim. O Islam não esqueceu de reservar provisões para o jejum opcional, à escolha de cada muçulmano. Ele conserva a porta da voluntariedade aberta para todos. Devido ao desejo de qualquer provisão por compulsão, o jejum em outras religiões está praticamente morto. O Islam salvou essa instituição, tornando-a obrigatória. Por essa razão, o jejum alcançou a perfeição no Islam.    

Os Resultados Obtidos Pelo Jejum.

1) Como citamos acima, o jejum controla as paixões. Esta é a raiz de todos os males, e isso pode ser regulado por intermédio do jejum. Quanto ao alimento excessivo, ele causa danos tremendos no mundo. É uma lei natural que comer excessivamente causa debilidade tanto do corpo como das paixões. Por exemplo, se alguém tiver uma grande necessidade de paixão sexual é-lhe ordenado jejuar. A prática diária de tal jejum, com pouca quantidade de alimento consumidas a intervalos regulares aniquilará completamente o impulso sexual. Semelhante é o caso com outras tendências maléficas. Deus, Todo-Poderoso, criou o homem e sua paixão. Ele conhece o melhor remédio para as paixões, e, portanto, prescreveu o jejum. Nosso jejum não beneficia a Deus, nem a nossa comida, mas, na Sua sabedoria, Ele decretou o jejum, fê-lo para proporcionar saúde ao nosso corpo e espírito.

2) Torna a alma brilhante. O jejum revigora a alma e a anima de seu estado letárgico, uma vez que o alimento excessivo torna-a cega e escura, como a água excessiva destrói as plantas. O alimento excessivo torna o homem lerdo e estúpido e o priva do poder de pensar. Um estômago faminto e, porém, uma fonte de sabedoria. Este foi o resultado da experiência de muitas pessoas piedosas.

3) O jejum empresta sabor à oração. Pela prática do jejum, o sabor da oração é sentido. Um estomago cheio nunca saboreia a doçura das orações e das invocações. Suas orações termina apenas na língua e não penetram no coração que está cheio de comida.

4) O jejum remove falsos sensos de prestígio. Ele remove o orgulho porque uma pessoa com fome se acha débil e naturalmente se vira na direção do Único Onipotente. A fome, assim, torna o homem modesto e orienta a mente na direção do Todo-Poderoso para auxiliá-lo.

5) Ele economiza tempo e problemas. O jejum reduz o período do sono e, assim, um grande tempo é economizado para o trabalho. O comer excessivo restringe o homem a se ocupar sempre em comer e ter que atender aos chamados freqüentes da natureza, enquanto esse tempo pode ser economizado com o jejum.

6) O jejum economiza dinheiro. O jejum economiza nos gastos e assim auxilia a economia. Isso não é menos útil para o homem que tem poucos meios.

7) Contribui enormemente para a preservação da saúde. A saúde se beneficia com o jejum. O grande físico americano Dr. Dewey disse: "Tirar o alimento de um homem doente é enfraquecer a sua doença. É dado aos órgãos digestivos um período de descanso para voltar a trabalhar com redobradas energias e vigor, a exemplo da terra que é deixada sem cultivo durante um ano , para proporcionar uma colheita abundante no ano seguinte, ou a exemplo do homem que trabalha com redobrada energia depois de um período de descanso.O progresso espiritual depende da mente são que, por si, depende de um corpo são. Portanto, o valor do jejum para a preservação da saúde é enorme.

8) O jejum ensina a prática da democracia. Ele ensina a democracia que não é testemunhada mesmo na oração. Um rei pode orar com um pedinte na mesquita, mas em casa ele leva uma vida totalmente diferente com alimentos e prazeres. O jejum, porém, coloca os homens, ricos e pobres, no mesmo nível de fome e não permite a ninguém a comer e beber ou ter relações sexuais durante o dia.

9) O jejum ensina termos compaixão do faminto. O jejum é a única coisa que nos dá o senso de angústia de um homem com fome na mente do rico. Assim, esse senso acende o espírito de bondade ao pobre e o necessitado. Ele também dá origem ao pensamento como as pessoas irão passar no Dia da Ressurreição quando sentirão a maior vontade de comer e beber.

10) Jejuar ensina a disciplina moral. O jejum é um campo de treino para a lição que o homem, não importa qual seja a sua posição e seu nível, é preparado para sofrer a grande privação e o mais duro desafio. Essa lição é aprendida dia a dia. Essa prática realmente contribui para o desenvolvimento moral do homem. O jejum acostuma o homem a enfrentar as durezas da vida e aumenta seu poder de resistência.

11) Jejum conserva a fé em Allah uma força viva. A pessoa que está jejuando pode facilmente se satisfazer com o comer e o beber intimamente, na privacidade de sua casa. Não há ninguém para vigiá-lo se ele ingerir algumas gotas de água na sua garganta sedenta. Mas ele sente que Allah está perto dele e assim ele se restringe daquilo. Assim, a existência de Allah é sentida mais próxima. Isso não por uma ou duas vezes, mas regularmente por um mês inteiro. Desse modo, a fé em Allah é conservada viva e uma nova conscientização de uma vida mais elevada é despertada. Por isso, o Alcorão diz: "Aos perseverantes ser-lhes-ão pagas, irrestritamente as suas recompensas!" (39:10)

As excelências do jejum:

Há inúmeras tradições concernentes às virtudes e os méritos que a pessoa obtêm de Allah com o jejum durante o mês de Ramadan. Durante esse mês as portas da graça, do perdão e da bondade são especialmente abertas e as portas da punição são fechadas. Portanto, quem deseja obter essas graças terá apenas de jejuar durante esse mês. Allah , Subhánahu wata'ála, diz: "O jejum é para Mim e eu recompenso por ele."

O Profeta disse: A fragrância da boca do jejuador é mais agradável para Allah do que o cheiro do almíscar".

Segredos do Jejum

Há três classes de jejum:

1) Jejum dos muçulmanos em geral. É a auto restrição da comida, da bebida e das relações sexuais. Esse é o mais baixo tipo de jejum.

2) O jejum especial. Nessa espécie de jejum, além do que foi citado acima, a pessoa se restringe dos pecados das mãos, dos pés, da visão, da audição e dos outros órgãos do corpo.

3) O jejum extra especial. Essas pessoas praticam o jejum da mente. Em outras palavras, eles não pensam em nada além de Allah e na outra vida. Eles pensam no mundo como a visão no próximo, uma vez que é o campo de cultivo do futuro. Um certo sábio disse: "Um pecado é anotado para aquele cujos esforços durante o dia são feitos apenas para preparar os alimentos para se quebrar p jejum."

Esse jejum extra especial é praticado pelos profetas e pelos próximos de Allah. Além de ser um auto-sacrifício, os pensamentos das pessoas que o praticam estão totalmente dirigidos a Allah. Esse é o significado do versículo: "Dize-lhes: Deus! e deixa-os entregues a suas cismas."

O jejum especial se baseia em seis deveres que visam a obtenção da perfeição.

1) Restringir a vista de ver o mal e as coisas que desviam a atenção da recordação de Allah. O Profeta disse: "O olhar é uma lança venenosa das lanças de Satanás. Se o homem se restringir dele, Allah lhe dará tal tipo de fé, cujo sabor sentirá no coração." O Profeta também disse: "Cinco coisas destroem o jejum: a mentira, a calúnia, a difamação, o perjúrio, e a paixão sexual.

2) Restringir a língua de conversas vãs, da mentira, da difamação, da calúnia, do falso testemunho, da obscenidade, da hipocrisia, da inimizade, adotar o silêncio, guardar a língua ocupada com a lembrança de Allah e a recitação do Alcorão. O sábio Sufian Sauri disse: "A difamação anula o jejum."Lais, narrou, baseado em Mujáhid: "Duas coisas anulam o jejum, a difamação e a mentira." O Profeta disse: "O jejum é como um escudo. Se o homem estiver jejuando, que não censure nem dispute com ninguém. Se alguém provocá-lo, que diga: estou em jejum!"

3) Restringir a audição de ouvir conversas maldosas, porque o que é ilícito dizer, também é ilícito ouvir. Por essa razão, Allah, colocou aquele que se alimenta de coisas ilícitas e quem ouve coisas ilícitas no mesmo nível. Allah disse: "Os que escutam a mentira, ávidos em devorar o que é ilícito." (5:42). E disse: "Por que os rabinos e os doutos não lhes proibiram blasfemarem e se fartarem do que é ilícito?" (5:63) Permanecer em silêncio quando da difamação de alguém é ilícito. Allah disse: "…sereis seus cúmplices." (4:140). O profeta disse: O difamador e quem ouve a difamação são iguais e dividem o pecado."

4) Restringir as mãos, os pés e os outros órgãos do corpo dos pecados, das más ações e salvar o estomago das coisas duvidosas na hora de se quebrar o jejum. porque não há lógica em se restringir das coisas lícitas com o jejum e se quebrar o jejum com coisas ilícitas. Parece-se com quem destrói uma cidade para construir um prédio. Aquele que jejua e faz coisas ilícitas parece-se com o paciente que se restringe de comer frutas por causa da doença mas ingere veneno. O pecado é como ingerir veneno. Aquele que ingeri-lo é tolo. As coisas ilícitas são como o veneno e destroem a religião, e as coisas lícitas são como o remédio. Pouco dele beneficia e muito dele prejudica. O Profeta disse: Há muitos jejuadores que não ganham com o jejum mais do que a fome e a sede." Ao ser-lhe perguntado o motivo, ele disse: "Eles se restringem de comer coisas lícitas e quebram o seu jejum comendo carne humana, com a difamação. Isso é ilícito."

5) Comer tanto, mesmo sendo alimento lícito, na hora da quebra do jejum, que enche demasiadamente o seu estômago. Um estômago cheio, mesmo com alimento lícito, é muito maléfico. O jejuador come tudo que ele se restringiu de comer durante o dia inteiro. Prepara vários tipos de comida. O objetivo do jejum é deixar o estômago vazio para se controlar as paixões e aumentar o temor a Allah. Se o estômago permanecer cheio, da manhã até a noite, as paixões sexuais, a cobiça e a tentação surgem com maior intensidade.

6) Guardar a mente do jejuador entre o temor e a esperança, porque ele não sabe se o seu jejum será aceito ou não, se estará próximo de Allah ou não. Esse deveria ser o caso de todo ato de adoração. Uma vez Hassan Al Basri estava passando por um grupo de homens que estavam rindo muito. Ele disse: "Allah fez deste mês de Ramadan um mês de disputa pelas boas obras." O objetivo do jejum é estar em harmonia com um dos atributos divinos. Esse atributo é o absolutismo, e significa estar privado da fome e da sede, e ser semelhante aos anjos tanto quanto possível, estando livre das paixões. O grau do homem é bem superior aos dos animais inferiores, uma vez que ele pode controlar suas paixões por meio de seu intelecto, mas esse grau desaparece uma vez que sua paixão é forte e ele é tentado por ela. Os anjos estão próximos de Allah. Essa proximidade está em conexão com o atributo mas não com o espaço.

O Profeta (S) disse: "O jejum é uma confiança. Que cada um guarde essa confiança." Quando ele recitou o seguinte versículo: "Allah manda restituir a seu dono o que vos está confiado" (4:58), ele colocou suas mãos sobre as orelhas e os olhos, e disse: "A audição é confiança e a vista é confiança." Se o jejum não fosse uma confiança, o Profeta não teria dito: "Estou jejuando. Em outras palavras, conservo minha língua como confiança para salvá-la. Como posso abandoná-la para contestá-lo?"

Assim, parece que cada coisa tem os seus segredos e suas coisas manifestas. Depende de você observar tanto o secreto como o manifesto ou observar ambos.   

Dicas do Profeta

Quanto a como tornarmos verdadeiro o jejum

condições para o verdadeiro jejum

O Profeta apontou, de várias maneiras, o verdadeiro espírito do jejum, e explicou que ficarmos com fome e com sede, ignorando o espírito da coisa, não tem valor algum aos olhos de Deus.

o nos abstermos da falsidade

Uma vez ele disse: "Se o indivíduo não deixar de falar coisas falsas e não deixar de agir segundo elas, Deus não quererá que ele deixe de comer e de beber." (Bukhari)

Numa outra ocasião ele disse: "Muitas são as pessoas que jejuam, mas que nada ganham com isso além de fome e sede; e muitos são os que ficam acordados orando toda a noite e nada ganham com isso a não ser atraso de sono." (Darimi)

As lições são claras e inequívocas: o ficarmos com fome e com sede não é, em si, adoração, mas um meio para realizarmos a verdadeira adoração. A verdadeira adoração significa desistirmos de violar a lei de Deus, por temor e amor a Ele, buscando perpetrar atividades que O agradem, e refreando-nos quanto à indiscriminada atividade dos desejos materiais. Se não fizermos isso, estaremos simplesmente causando uma inconveniência desnecessária aos nossos estômagos.

Fé e auto-escrutínio

O Profeta chama a atenção para uma outra meta do jejum: "Todo aquele que observar o jejum, acreditando nele e dando importância a ele, terá perdoados os seus pecados passados" (Bukhari e Muslim)

Acreditar significa que a fé em Deus deverá permanecer viva na consciência do muçulmano. Darmos importância significa que deveremos buscar apenas o aprazimento de Deus, vigiando constantemente os nossos pensamentos e as nossas ações, para nos certificarmos de que nada estaremos fazendo que seja contrário ao Seu aprazimento. A observância desses dois princípios irá proporcionar a rica recompensa de os nossos pecados passados serem perdoados. A razão é óbvia: mesmo que outrora tivéssemos sido desobedientes, teremos voltado, plenamente arrependidos, para o nosso Mestre; e "Um penitente será como um que, por assim dizer, jamais cometeu o pecado", como disse o Profeta (Ibn Mája)

Um escudo contra os pecados

Em outra ocasião o Profeta disse: "O jejum é como um escudo (para a proteção dos ataques de Satanás)." Assim sendo, quando alguma pessoa observa o jejum, deve usá-lo (esse escudo), e se abster de discutir. Se alguém com ela discutir, deverá simplesmente dizer: "Irmão, eu estou jejuando; e não esperes que eu me envolva em semelhante procedimento."  (Bukhari e Muslim)     

A fome pela bondade

O Profeta (S) uma vez deu orientação no sentido de que o homem, enquanto jejuando, deverá desempenhar mais trabalho do que o usual, e desejar ardentemente realizar atos de bondade. Compaixão e solidariedade para com seus irmãos deverão intensificar-se em seu coração, porque, estando ele no paroxismo da fome e da sede, estará mais capacitado a se conscientizar da miséria dos outros servos de Deus que são destituídos.

No mês de Ramadan, aquele que providenciar comida para que outro quebre o jejum, terá os seus pecados perdoados, o livramento do Fogo, bem como a recompensa de um que esteja jejuando, sem qualquer redução da recompensa deste. (Baihaqui)

Abdullah Ibn Abbas conta que o Profeta costumava tornar-se extraordinariamente bondoso e generoso durante o mês de Ramadan. Nenhum pedinte, naquele período, saía da sua porta com as mãos vazias; e tantos escravos quanto fosse possível eram libertados. (Baihaqi)

Como se Consegue o Melhor do Jejuar?

A força espiritual não poderá ser obtida com o jejuar, se a pessoa que guarda o jejum não estiver cônscia do propósito dele, e não permitir que ele lhe impregne o coração e a mente e que lhe domine os pensamentos, os feitos e a motivação.

Eis porque Deus, após ordenar o jejum, disse que ele seria obrigatório a nós, "Para que estejamos cônscios de Deus" – la 'allakum tat-taqun.

Notemos que não há garantia de que estejamos cônscios de Deus e de que sejamos corretos. Apenas alguém que reconheça o propósito do jejuar e porfie por alcançá-lo, receberá as suas bênçãos; alguém que não o faça não poderá esperar ganhar nada com isso.  

Os Prós e os Contras do Jejuar

O Jejuar islâmico envolve a abstinência de três necessidades materiais primárias dos seres humanos – comida, bebida e relação sexual –, desde a madrugada (aproximadamente de uma a uma hora e meia antes do nascer do sol), até ao pôr-do-sol, durante todo o mês de Ramadan.  

Metodologia do jejuar

Ao se guardar o jejum, a intenção, por trás do jejuar, é primeiramente essencial (wajib). Há uma saída para alguém que se esquece de proclamar a intenção antes da madrugada. Nesse caso, é permitido à pessoa expressar a intenção de jejuar antes do meio-dia, para evitar o invalidamento do jejum. O palavreado da niyyah (intenção) é como se segue: "Pretendo guardar o jejum hoje."

Suhur

Suhur é uma refeição leve que se faz antes da madrugada, recomendada para ser feita antes do virtual jejum. A suhur é uma bênção e, por isso recomendada, mas não essencial. Qualquer consumo de comida ou de bebida deverá cessar pelo menos de cinco a dez minutos antes do raiar da madrugada.

Iftár

Iftar significa a quebra do jejum imediatamente após o pôr-do-sol. Iftar é um lanche leve que deverá consistir de tâmaras ou de sobremesa, juntamente com líquidos, como água, suco ou leite. Esses são consumidos após se fazer a seguinte dua(súplica) para a quebra do jejum: "Ó Deus, eu jejuei para o Teu bem, e estou quebrando o jejum do sustento que com o qual me abençoaste; aceita isso de mim!"

O que quebra o jejum

1) O consumo intencional de comida, bebida, medicamento, ou tabaco, durante o jejum.

2) Qualquer tipo de injeção que tenha algum valor nutritivo.

3) A relação sexual durante as horas do jejum. As invectivas acima mencionadas irão invalidar o jejum e irão requerer a qada' (reposição do dia ou dos dias faltosos), além da penalidade adicional (kaffára). Alguns juristas, contudo, asseguram que, para o primeiro e segundo pontos acima, somente a qada' é requerida.

4) Se a menstruação começar, durante o jejum, esse jejum precisará ser repetido.

O que não quebra o jejum

1) O comer, beber, ou fumar por engano, estando desatento quanto ao jejum.

2) O vomitar intencionalmente.

3) O engolir ou inalar coisas que não seja possível se evitar, como a saliva, poeira da rua, fumaça etc..

4) O escovar os dentes.

5) O tomar injeção (intra-muscular ou -venosa) que seja unicamente medicinal e não nutritiva.

Kaffára (reposição)

Durante o período do jejum, se alguém o quebrar deliberadamente, deverá jejuar por sessenta dias consecutivos, ou alimentar sessenta pessoas necessitadas, ou gastar em caridade a quantia equivalente à alimentação de sessenta pessoas. Se alguém escolher jejuar sessenta dias, e a continuidade for interrompida por qualquer razão (a não ser por menstruação, no caso da mulher), irá ter de começar o ciclo de sessenta dias, tudo de novo.

A quebra do jejum sob condições excepcionais

Para os muçulmanos será permitido quebrarem o jejum de Ramadan imposto quando ele acarretar perigo para a sua saúde. Nessa situação, o muçulmano deverá refazer mais adiante o seu jejum. O(s) jejum(uns) poderá(ão) ser reposto(os) em qualquer outro tempo do ano, quer seja contínua ou intermitentemente, manos durante o dia da eid (festividade)

Quem estará isento do jejuar?

1. As criança abaixo da idade da puberdade e da descrição.

2. Os doentes mentais que sejam irresponsáveis pelos seus atos.

3. Os indivíduos (homens e mulheres) que sejam muito velhos e fracos para arcar com a obrigação do jejum e suportar as suas asperezas. Essas pessoas estarão isentas desse dever, mas deverão oferecer, pelo menos, a um pobre necessitado, a média de uma refeição completa por dia, para cada pessoa.

4. As pessoas doentes cujas saúdes estejam sujeitas a ser severamente afetadas pela observância do jejum; poderão adiar os dias de jejum, e depois repô-los, dia por dia.

5. Pessoas na expectativa de dias de dureza. Essas pessoas poderão quebrar temporariamente o jejum durante suas viagens para compensarem dias depois, dia por dia. Porém, será melhor para elas, diz o Alcorão, conservarem o jejum se puderem fazê-lo sem o acúmulo de durezas extras.

6. As mulheres que esperam neném e as que estejam amamentando seu bebê poderão também quebrar o seu jejum. Mas deverão repor os dias adiados, dia por dia.

7. Durante o período após-parto, a parturiente estará isenta do jejum.

8. As mulheres nos períodos de menstruação (um máximo de dez dias) poderão adiar o jejum, até ao fim do período, e depois compensá-lo, dia por dia. Se o período começar durante o jejum, este deverá ser repetido.

Convidando os não Muçulmanos

Planejemos convidar alguns não muçulmanos ou alguns colegas para o iftar e por ocasião do eid. Isso ajudará a formar uma ponte sobre a lacuna de informatividade que existe entre muçulmanos e não muçulmanos. Estaremos ainda cumprindo a sunnah do Profeta acerca de sermos benevolentes com o nosso próximo. Os ajuntamentos informais e o prosear irão desenvolver um crédito e respeito mútuos.

Narrado por Abu Huraira:

"O Mensageiro de Deus, Glorificado e Exaltado seja, disse: 'Quando o mês de Ramadan começa, os portões do céu se abrem; os portões do inferno se fecham, e o Satanás permanece acorrentado.'"

Repartindo as Benesses

O Profeta Mohammad pedia aos muçulmanos que convidassem outros muçulmanos para o iftár: "Isso se tornará uma fonte de perdão para os pecados de alguém, sendo que receberá tanta recompensa quanto à da pessoa que estiver jejuando."

Planejemos isso como planejamos tudo o mais na nossa vida cotidiana.

Os convidados são uma bênção de Deus e uma fonte de baraka.   

Uma prancheta para os pais acerca do JEJUAR e da EID

O jejuar

O jejuar durante o mês de Ramadan torna-se obrigatório (fard) para os rapazes e as moças que atingem a puberdade, isto é, entre os onze e os quinze anos de idade. Portanto, é aconselhável que preparemos as crianças a enfrentarem essa obrigação, incentivando-as a jejuarem, sempre que possível, quando ainda forem pequeninas. Muitas crianças muçulmanas começam a guardar o seu jejum com a idade de cinco ou seis anos, ou com menos ainda. Uma vez que essa é uma parte integrante da atividade familiar, a criança naturalmente deverá estar ansiosa por compartilhar do que os outros estão fazendo, acontecendo que o jejuar tornar-se-á uma grande realização.

Enquanto não estivermos vivendo num país muçulmano (onde o jejuar durante o mês de Ramadan é um modo de vida normal para a maioria da população), existem muitas coisas que podemos fazer para tornarmos o jejum atraente e fácil para as nossas crianças. Eis aqui algumas sugestões: A suhur e a iftár, respectivamente a refeição da ante-madrugada e a quebra do jejum após o escurecer, poderão tornar-se momentos especiais e deleitáveis para toda a família. A iftár é naturalmente seguida da maghrib, a oração conjunta da família.

As crianças pequenas deverão ser tratadas com carinho ao serem despertadas para a suhur, cedo pela manhã, incentivadas a comerem o quanto desejarem, a beberem muito líquido, e encararem o dia de jejum com uma atitude de quem está obedecendo a Deus, do mesmo jeito que os muçulmanos adultos.

Entre o fim do tempo do suhur e do fajr, ou depois do fajr, as crianças adoram ouvir seus pais contarem estórias do Islam e lerem o Alcorão; e, o estarem juntos, nessa hora, poderá ser muito especial e significativo.

Se, durante o dia, as crianças pequenas se mostrarem irrequietas e fracas, ou com muita fome, deverá ser-lhes dado apoio moral e encoraja-mento, para que mantenham o jejum ao máximo possível; duas ou três horas de sono, durante à tarde, poderão ser de muita ajuda nessa ocasião.

A família poderá conversar acerca de como se sente a pessoa com fome, e da necessidade de se ajudar os pobres, de como os produtos alimentícios crescem pela providência divina, como certos alimentos são cultivados e processados, e de como é errado disperdiçar-se a comida. A criança que completar um dia de jejum juntamente com sua família haverá de sentir satisfação na sua habilidade de passar sem a necessidade normal da comida e da bebida, em obediência a Deus. Essa será uma experiência significativa para ela, um passo precoce em obedecer as ordens de Deus, em adquirir hábitos flexíveis e adaptáveis, e na habilidade de suportar as vicissitudes, em condições incomuns.

Juntamente com a abstinência da comida e da bebida, as cinco orações deverão ser observadas, individualmente ou com a família, pelas crianças que jejuam, porque o jejuar, sem a prática das orações, é contraditório e sem significado.

Deverá ser dito à criança – e encorajamento deverá ser dado, ao longo dessa preleção – que quando ela está jejuando, está-se abstendo de mais coisas do que apenas comida e bebida, e que deverá também se reprimir quanto a brigar ou discutir, ficar zangado, ou falar mal dos outros. Tanto quanto possível, deverá proceder com as atividades normais do dia. O jejuar da criança deverá depender, tanto quanto possível, da sua própria iniciativa e do seu desejo, quando ela é pequena, e não imposto pelos pais.

Uma vez que o jejuar não é na criança uma obrigação, não deverá ser imposto, se resultar numa rigidez indevida, especialmente durante o período escolar, em que a criança tem de estar atenta e estudar duro. Quando ela atingir a puberdade, deverá estar capacitada a enfrentar essa obrigação, sem a indevida dificuldade, e jejuar todos os dias do mês, a menos que ele (ou ela) se veja numa condição que o (ou a) torne legalmente isento (ou isenta). Nesse ponto, ele (ou ela) deverá repor os dias de jejum que deixar para trás, como qualquer adulto.

Eid al fitr

1. A Comemoração:

A comemoração do eid al fitr feita pelos pais e pelas criança mais velhas, que não cumpriram com suas obrigações quanto ao jejuarem por todo o mês de Ramadan, é uma farsa (a menos, é claro, que haja alguma razão válida para a isenção ou permissão de adiarem o jejum).

2. A oração do eid:

O comparecimento a essa oração deverá ser o ponto alto do dia, sendo que a família deverá comparecer junta (de acordo com um hadith íntegro, as moças e as mulheres menstruadas deverão também comparecer, mas não poderão realizar a oração). Caso a oração de eid não seja observada nas vizinhanças, a família deverá atendê-la no local mais próximo a ela, mesmo que tenha que viajar por uma distância longa.

3. Zakat al fitr:

A oração de eid al fitr não será aceita por Deus, a menos que a obrigação do zakat al fitr tenha sido cumprida por todos os membros da família, anteriormente à oração da eid. As crianças deverão estar cientes de que essa obrigação tenha sido cumprida, e deverão ser incentivadas a contribuir com ela, do seu próprio dinheiro, se possível. A quantia do zakat al fitr é, correntemente, entre R$5,00 e R$10,00 por membro da família, independentemente da idade. Se possível, a família deverá ainda realizar alguns atos voluntários de caridade, nessa ocasião, como tem sido feito nos países muçulmanos, nos quais as crianças também participam.

4. Espírito fraternal:

A oração de eid cria um laço especial de fraternidade, e todo ressentimento e toda má vontade contra o camarada muçulmano são eliminados e passados a limpo, nesse tempo; as crianças deverão estar cientes desse aspecto da ocasião.

5. Espíritos festivos:

Ambas os eid(s) deverão ser considerados como festivais, os quais são tão importantes, que as crianças não vão às escolas. (Se for necessária uma permissão para a ausência por causa de uma comemoração religiosa, ela poderá ser facilmente obtida das autoridades escolares, que deverão estar conscientes das ocasiões em que as crianças muçulmanas, de todo o sistema escolar, comemoram.) Tradicionalmente, tanto o eid al fitr como o eid al adha, e os dois dias que as seguem, são passados a se visitar, a se receber visitas de outros muçulmanos,  a se festejar, a se estar junto com parentes muçulmanos e amigos. Esses são os aspectos mais diletantes e especiais do eid. São os que irão cair no gosto das crianças, e que fixarão o eid para sempre nas suas mentes como os dias mais memoráveis da sua infância.

Novas roupas e novos presentes:

As crianças deverão ter roupas novas ou, pelos menos, roupas limpas no dia do eid. Os presentes consistindo de roupas, jóias, brinquedos, livros, dinheiro etc., deverão ser dados às crianças, para que se faça do eid um dia ainda mais especial; é claro, elas irão querer usar as suas coisas novas na ocasião. Contudo, uma precaução deverá ser tomada aqui: que os pais não devam obsequiar seus filhos com mais presentes do que possam ser bons para eles, num esforço de fazerem com que o eid entre em competição com o natal. Esse não é o nosso intento, como muçulmanos que somos; como de fato, isso seria inteiramente contrário à nossa meta. Os eid (s) são, em primeiro lugar, ocasiões para a lembrança de Deus, e para o sentimento do júbilo que advém do cumprimento das nossas obrigações para com Ele. Jamais se deverá permitir que esses festivais se transformem em ocasiões para a auto-indulgência, em comelância e bebedeira, ou em dar e receber presentes desnecessários ou extravagantes, tanto entre crianças como entre adultos. Os pequenos presentes, dados com um espírito amoroso, são mais perduráveis para qualquer criança que não tenha sido tornada viciada pelos hábitos extravagantes. Todavia, para as crianças mais velhas, o eid deverá ser a ocasião de lhes ser dado algo que seus pais comumente não lhes comprariam, e que elas o quiseram por muito tempo.

Cuidar e Compartilhar é o Terceiro Pilar do Islam = Z A K A T

Instituições Econômicas

A comunidade islâmica é uma instituição prática e desveladora. Ela reconhece o valor do bem-estar material, e o fato de que as pessoas naturalmente necessitam umas das outras. O principal instrumento para se assegurar o desvelo e uma comunidade saudável é a instituição do zakat.

O zakat  e o Bem-estar Social  

Enquanto os humanos forem humanos e tiverem diferenciações de capacidades e motivações quanto às ações econômicas, sempre haverá alguém que será pobre. Deveras, a maioria da humanidade, agora, é afligida pela pobreza.

Todo ser humano porta a divina amána, ou a confiabilidade de transformar os elementos da natureza em fontes de nutrição e conforto, de sabedoria e beleza, de eficiência e deleite, para si e para os outros.

Imbuído nessa amána ou confiabilidade, está a obrigação, daqueles que têm sido agraciados com riquezas e meios, de investirem, dos seus bens, naqueles que estiverem em estado de privação e de miséria. O Islam ensina às pessoas que os pobres e os desprovidos têm um "foro" ou um "direito" quanto à riqueza do abastado (Alc. 70:24-25), e exorta com constância os ricos a cumprirem com essa obrigação. Nesse consenso, os ricos necessitam dos pobres. Se eles não satisfizerem os "direitos" destes, serão chamados a prestar contas.

Conquanto a sadaqa ou caridade voluntária seja incentivada e o seu escopo seja de tal modo estendido que mesmo os pobres possam oferecer a sua sadaqa (na forma de um sorriso, por exemplo), o Islam estabeleceu a instituição do zakat, para fazer da preocupação com os pobres um dever compulsório e permanente.

O zakat consiste de uma contribuição anual de dois e meio por cento do rendimento da pessoa, da sua "riqueza apropriada", para o bem-estar público. Ele é da incumbência de adultos e menores de idade, de homens e mulheres, de vivos e mortos. Após pagarem-se as dívidas, o zakat é deduzido da herança de qualquer muçulmano falecido.

A "riqueza apropriada" exclui as dívidas e os compromissos, as utilidades domésticas (menos as jóias) requeridas para se viver; e as terras, os edifícios, e o capital financeiro embutido nisso, ou para a produção. O zakat deverá ser quanto ao rendimento do ano corrente, bem como às economias acumuladas no passado sobre todos os sortimentos.

A lei islâmica dá poderes ao Estado Islâmico ou à comunidade islâmica para que cobre o zakat, e que preste conta distinta disso, em separado do fundo do tesouro estatal.

Os fundos do zakat deverão ser gastos com as oito categorias especificadas no Alcorão, a saber: com os pobres e os destituídos, com os viajantes, os falidos, os convertidos necessitados, os cativos, os cobradores do zakat, e na causa de Deus.

Os Benefícios do Zakat

1. Tratando-se de um dever religioso, ele oferece ao que dá a satisfação interior do dever cumprido. Os fundos com os quais o zakat é pago proporcionam satisfação e recompensa, neste mundo e no outro; os fundos com os quais o zakat não é pago irão proporcionar sofrimento e punição, neste mundo e no outro. A própria palavra zakat significa "adoçamento", e implica em que os fundos nos quais o zakat não é pago são "amargos". A palavra zakat significa ainda "purificação".

2. O zakat, instituído para o bem-estar social e para a solidariedade, elimina as barreiras econômicas e de classe, a animosidade entre as classes e os ódios; elimina ainda a arrogância da parte de quem dá, e a humilhação da parte de quem recebe.

3. A necessidade de se pagar o zakat atua como um estímulo ao investimento do rendimento em empreendimentos produtivos, porque os capitais que iriam ficar parados iriam diminuir progressivamente devido à arrecadação do zakat. Investidos na produção, eles ir-se-ão juntar à riqueza da sociedade, e poderão ajudar na criação de novos empregos. O zakat tem também o significado básico de "crescimento"; a riqueza cresce com o desembolsamento e investimento.

4. O zakat é um grande promotor da circulação da riqueza por toda a sociedade, sendo uma das principais facetas de qualquer economia de bens. O Alcorão condena o acúmulo e a circulação da riqueza somente nas mãos dos ricos.  

Os Prós e os Contras do Zakat

A paga do zakat torna-se obrigatória a todos os muçulmanos e muçulmanas, sadios e adultos, sempre que haja uma atividade econômica que resulte no aumento da riqueza deles ou delas. As seguintes categorias de produção, lucro, investimento e poupança estarão sujeitas ao zakat:

1. O dinheiro em espécie, os investimentos, a comida, as mercadorias, as jóias, o ouro e a prata, guardados no inventário de todo um ano, e acima de um certo valor definido como nisab.

2. Os negócios de puro lucro econômico.

3. As heranças, para todo o sempre.

4. Para os produtos das terras, a taxa será de um décimo da produção das terras não irrigadas e não desenvolvidas, e de um vigésimo da produção das terras irrigadas e desenvolvidas.

A taxa do zakat e a quantia do nisab deverão ser decididas pelo Estado Islâmico, levando-se em consideração os padrões de vida prevalecentes e os riscos, e as incertezas quanto aos diferentes modos de produção.

Para os artigos incluídos na categoria 1, a taxa do zakat será de 2,5  por cento sobre a quantia que for maior do que o nisab.

Se os itens individuais da categoria 1 não estiverem acima do nisab, mas o valor combinado de todos os itens forem mais do que o estipulado pelo nisab, então a paga do zakat será obrigatória.

Deve ser lembrado que essas taxas do zakat são mínimas, e que os muçulmanos foram exortados, mais e mais, por Deus e o Seu Profeta Muhammad, a pagarem tanto quanto pudessem, após estarem satisfeitas as suas legítimas necessidades.

Os Que Merecem o Zakat:

O Alcorão Sagrado descreve as oito categorias seguintes que estão sujeitas a receber o zakat:

1. Os fuqará – indivíduos que têm algum dinheiro, mas não o bastante para lhes suprir as necessidades. Vivem em circunstâncias precárias, mas não pedem ajuda.

2. Os massákin – indivíduos muito miseráveis, que não têm nada com que comprar comida, roupa e adquirir abrigo.

3. Os ámilin – os cobradores do zakat.

4. Os muallafat al qulub – (Aqueles cujos corações têm de ser reconciliados.) Esses compreendem os novos muçulmanos, para serem afirmados no Islam. Compreendem também aqueles aos quais é preciso dar-se o zakat para se lhes conquistar os corações.

5. A fir riqáb (emancipação de escravos) – A qualquer pessoa que desejar livrar-se dos grilhões da escravidão deverá ser dada uma parcela do zakat, para que possa pagar pela sua categoria (as pessoas que são presas por não pagarem as multas).

6. Os al ghárimin – indivíduos que estejam endividados, cujas dívidas sejam mais do que os ativos, tanto que, após pagarem as dívidas, os bens restantes irão ser menos do que o estabelecido pelo nisab.

7. Pela causa de Deus fi sabilillah – Essa é uma palavra comum usada para todos os bons feitos, mas, no caso do zakat, significa prestar ajuda a um esforço em servir o Islam, tal como a sua propagação e a do jihad, etc..

8. Os ibn al sabil (viajantes) – os viajantes com precisão de dinheiro, quando em viagem,  são candidatos ao zakat.

Pontos Essenciais:

1. Uma pessoa qualificada para pagar zakat não estará apta a receber dele.

2. Não será permitida a paga dele para o marido, para a esposa, para os pais, para os avós, para os filhos e netos.

3. O uso do fundo do zakat não será permitido na construção de mesquitas.

4. Será preferível que se pague zakat para os parentes merecedores.

5. O Pecúlio de zakat deverá ser gasto com os habitantes pobres da mesma comunidade, a não ser que haja uma calamidade em outras partes do país ou do mundo.

6. O zakat deverá ser dado a qualquer um que se qualifique para o receber, como assistência ou dádiva, sem lhe dizer que se trata do zakat.

7. Todos os artigos de uso doméstico e todas as propriedades dadas em aluguel estarão isentas do zakat.

8. O dinheiro do zakat de um determinado ano poderá ser gasto durante esse mesmo ano, adiantadamente, ou a prestação.

A Cobrança do Zakat:

No Estado Islâmico, é da responsabilidade desse Estado a cobrança e distribuição do zakat. O Profeta Muhammad disse: "Eu tenho mandado cobrar dos ricos o zakat e distribuí-lo aos pobres dentre vós." No nosso caso, em que o Estado Islâmico não existe, ou no caso de uma sociedade não islâmica, a organização local de muçulmanos deverá fazer os arranjos para a cobrança e distribuição do zakat. Onde quer que esses arranjos existam, todos os muçulmanos deverão pagar zakat para essa organização, e se conformar com as taxas e as quantias estipuladas pelo nisab que for decidido pela organização. 

Alcorão, Um Milagre de Eterna Sabedoria

Este é o mês de Ramadan, em que o Alcorão Sagrado foi enviado como diretriz para a humanidade.

O Alcorão foi enviado para um vasto número de leitores, mas somente os de conduta reta poderão beneficiar-se dele.

"Eis o Livro que é indubitavelmente a orientação dos tementes a Deus" (muttaqín – aqueles que têm taqwa – Alc., 2:2). As pessoas alheadas, que não têm nenhum senso de responsabilidade, não poderão ter a diretriz do Alcorão.

O Alcorão não apenas oferece diretriz para aqueles que têm conduta reta, mas também incentiva o bom comportamento àqueles que não têm. Contudo, para tirar proveito do Alcorão, a gente terá que entender versículo por versículo, Surata por Surata.

Sinais Claros de Diretriz

Os versículos do Alcorão são sinais claros da diretriz traçada por Deus. Esses sinais estão em todos os lugares, para as pessoas que pensam (ver 2:164).

Isso, no entanto, não implica em que os significados dos versículos alcorânicos não poderão ser claros para todos, mesmo para aqueles que não se esforçam por compreendê-los. Um livro de infinita sabedoria, como o é o Alcorão, deve ser lido e relido, para que a pessoa apreenda os ocultos tesouros de significado. Ele deverá ser estudado com o melhor dos estados mental e espiritual.

O Alcorão faz da umma muçulmana uma comunidade de colegas estudiosos que se auxiliam mutuamente na compreensão da obra-de-arte. O desenvolvimento intelectual da ummah é o resultado do estudo coletivo do Alcorão. 201

A mensagem do Alcorão é eterna, embora o nosso progresso em compreendê-lo se dê por meio de uma progressão avolutiva. Porém, para desenvolvermos uma verdadeira compreensão quanto ao Alcorão devemos lê-lo como um todo, não como uma parte. Deverá ser evitado o citar-se algo do Alcorão sem a compreensão do seu verdadeiro significado e as suas aplicações.

O mês de Ramadan oferece uma excelente chance, tanto para se ler como para se entender os significados dos versículos do Alcorão.

Durante o mês de Ramadan, as orações noturnas (tarawih) também nos habilitam a recitarmos o Alcorão e a ouvirmos outros recitarem. Nos 30 dias desse mês fazemos o que muitos de nós não fazem durante todo o ano: a recitação de todo o Alcorão.

Os versículos do Alcorão nos abrem os olhos. Eles nos tiram das trevas e nos levam para a luz. Eles dizem para as pessoas quem são elas, onde estão, e qual é a relação delas com o seu Senhor.

Além de tudo, os versículos alcorânicos fazem-nos distinguir o certo do errado. Criam em nós a capacidade de fazermos um correto julgamento moral. Na verdade, a capacidade de distinguir o certo do errado e do falso é inata na consciência humana (91:8). Porém, da maneira com que as forças satânicas racionalizam os crimes e pecados, as pessoas se tornam confusas. (Ver 6:37, 43 e 35:8.) O Livro divino extirpa essas confusões e ajuda as pessoas a verem a verdade.

Fonte: www.alcorao.com.br