O Perigo de se Atender a todos os Desejos da Alma

Louvado seja Deus, Senhor do Universo, que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre seu Nobre Profeta, sua família, seus companheiros e sobre todos os muçulmanos até o dia do Juízo Final.

Queridos irmãos, nosso tema hoje é sobre uma das doenças da alma cujos sintomas são ainda mais graves que as doenças do corpo. A diferença entre as duas é que a segunda é prejudicial apenas à vida mundana enquanto que a primeira será prejudicial à vida eterna. Seguir os desejos significa a submissão total a tudo o que a alma ambiciona ainda que contrarie a verdade.

Na vida de cada um de nós, durante o dia, nós enfrentamos centenas de situações em que a verdade prevalece sobre os nossos desejos, porém, muitas pessoas, infelizmente, não conseguem superar essa dificuldade e cedem à insensatez.

Por essa razão, o Islam nos ensina a ter força de vontade e que é necessário termos disciplina para aceitar, falar e seguir a verdade; por ser uma tarefa difícil, a recompensa será ainda maior.  O Alcorão Sagrado diz: “Ao contrário, quem tiver temido o comparecimento ante o seu Senhor e coibiu a alma dos desejos, terá o Paraíso por morada”. (79:40-41)

O motivo para se ceder aos impulsos dos desejos não é a falta de conhecimento ou se trata de uma questão cultural, mas, sim, a falta de perseverança e fé, pois podemos observar pessoas com alto nível sócio-cultural que julgam não necessitar mais de Deus; os desejam passam a comandar a vida da pessoa tornando-a escrava de si mesmo. Neste ponto, o desejo passa a ter uma importância maior e se torna um “semi-deus” na vida do ser humano. Podemos comprovar isso por meio do Alcorão Sagrado: “E viste aquele que tomou por deus a sua paixão, e Allah o descaminhou, com ciência, e lhe selou o ouvido e o coração e lhe fez névoa sobre a vista? (...)”. (45:23)

O desejo pode exercer uma força tão grande na alma a ponto de ter feito com que muitas pessoas deixassem sua própria religião, não por falta de crença em Deus, mas por não serem persistentes na prática religiosa.

Queridos irmãos, Deus nos relatou uma história no Alcorão Sagrado a respeito de um homem do povo de Israel que se chamava Balaão, filho de Beor. Balaão recebeu de Deus o conhecimento e a sabedoria e era conhecido em seu povo por ser um homem muito justo e virtuoso. E mesmo assim Satanás conseguiu desviá-lo e Balaão se transformou em exemplo do mal; tudo isso por causa de ter atendido aos seus desejos, tal como relatado por Deus no Alcorão Sagrado: “Repete-lhes (ó Mensageiro) a história daquele ao qual agraciamos com os Nossos versículos e que os desdenhou; assim, Satanás o seguiu e ele se contou entre os seduzidos. Mas, se quiséssemos, tê-lo-íamos dignificado; porém, ele se inclinou para o mundo e se entregou aos seus desejos. (...)”. (7:175-176)

O Profeta citou três situações que podem destruir o ser humano: a primeira é a avareza; a segunda é o desejo (ilícito) e a terceira é não saber ouvir a opinião dos outros.

Não há problema quando o desejo vem de acordo com a verdade e com as ordens de Deus, mas, sim, quando a verdade não combina com nossos desejos. Qual será o tipo de desejo que devemos seguir?

Deus fala no Alcorão Sagrado: “E, se te não atendem, sabe, então, que o que eles seguem são suas paixões. E quem mais descaminhado que aquele que segue sua própria paixão, sem orientação alguma de Allah? Por certo, Allah não guia o povo injusto”. (28:50).

Meus irmãos, essa doença é muito grave pois o ser humano enfraquece e não consegue enfrentá-la, uma vez que a verdade é difícil e não é amada pela alma; esta última ama a falsidade pois ela é mais fácil de ser praticada. Por isso, para seguir a verdade são necessários fé e esforço; aquele que tem essas das práticas e for sincero, Deus vai ajudá-lo a seguir sempre no caminho correto.

            Ó nosso Deus, ajude-nos a reconhecer a verdade para segui-la, bem como também reconhecer a falsidade para podermos evitá-la. Que Deus nos ajude também para que nossos desejos estejam de acordo com o caminho por Ele amado. 

Sheikh Mohamad Al Bukai 18/06/2010