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Muhammad O Mensageiro de Deus!
Que Deus louve sua Menção
Abdurrahman al-Sheha
Tradução: Lic. Muhammad Isa García Revisão: Ana María Gonzalez Litardo
(Versão Brazil) Khadija Machado (Versão Portugal) Escritório de difusão do
Islã de Rabwah www.islamhouse.com
Primeira Edição, 1428/2007. Copyright © 2007 Abdurrahman al-Sheha. Todos
os direitos reservados. Este texto pode ser utilizado por qualquer pessoa
que cumpra com os seguintes requisitos: 1. O texto deve ser citado em seu
contexto, sem acréscimos e sem supressões. 2. Mencionar a fonte da citação
e seu autor. Deus é quem concede o êxito. Queremos expressar nosso sincero
apreço a todos os que contribuíram para a publicação deste livro. Que Deus
os recompense por seu esforço. Se há alguma correção, comentário ou
pergunta a ser feita sobre esta publicação, não hesite em comunicar-se
conosco: www.islamhouse.com 1428 H
[4616] Publicado por: Escritório de difusão do Islã em Rabwah. Tel.
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Índice
1. Introdução
2. Quem é o profeta
Muhammad ( )?
3. Sua linhagem
4. Nascimento e
infância
5. A descrição do
profeta
6.
Atitudes e
características do Profeta ( )
7.
A ética do Profeta
( )
8. Declarações de
justiça e equidade
9.
As esposas do
Profeta ( )
10.
Provas dos
textos bíblicos que confirmam Muhammad ( )
como Profeta
11.
Provas do
Alcorão
12.
Provas da Sunnah
13.
Escrituras
Sagradas prévias
14.
No Evangelho
15.
Provas
intelectuais que confirmam o Profeta ( )
16. O que implica o Testemunho de Fé
17. Conclusão
Todos os louvores são para Deus, o
Senhor 1 dos mundos, e que Deus exalte a menção de Seu
Profeta, e que proteja a sua casa tornando-a segura de todo mal. Quando se
fala do Profeta Muhammad 2 deve ter-se em conta que se
está falando do maior indivíduo da historia. E [esta] não é uma frase sem
fundamento; quem lê a sua biografia e aprende suas atitudes e ética, e ao
mesmo tempo se mantém afastado de todos os preconceitos, seguramente
chegará a esta conclusão. Alguns não muçulmanos, que têm um caráter justo,
também chegaram a esta conclusão. O Professor Hassan Ali, que Deus tenha
piedade dele, disse em sua revista Nur al-Islam, que um colega seu de
religião Brâmane 3 disse lhe uma vez: Reconheço e creio
que o Mensageiro do Islã é o maior e mais prudente homem de toda a
história. O Professor Hassan Ali, que Deus tenha piedade dele,
perguntou-lhe: Por que o consideras o maior e mais prudente homem de toda
a história? Este lhe respondeu: Nenhum homem possuía as características,
as atitudes e a ética que ele tinha em conjunto. Ele era um rei, sob cujo
reinado a península estava unificada; mas era humilde. Ele acreditava que
o domínio era só de Deus. Chegavam-lhe grandes riquezas, mas vivia em
estado de pobreza; o fogo não ardia em sua casa durante muitos dias e ele
permanecia com fome. Era um grande líder; guiava uns poucos a lutar contra
milhares, e mesmo assim os derrotava de maneira decisiva. Amava os acordos
de paz, e os entabulava com firmeza de coração, se bem que tinha a seu
lado milhares de bravos e valentes Companheiros. Cada Companheiro era
muito valente e enfrentava sozinho milhares de inimigos, mas não se sentia
nem um pouco intimidado. Mas o Profeta tinha coração terno e piedoso; não
queria derramar uma gota de sangue. Estava profundamente preocupado com os
assuntos da Península Arábica, mas não descuidava os assuntos da sua
família, do seu lar e dos pobres e necessitados. Mostrava com prazer o
Islam àqueles que haviam perdido o rumo. Em geral, era um homem preocupado
com a melhoria e o bem estar da humanidade, mas não se interessava em
amealhar uma fortuna mundana. Ocupava-se em adorar a Deus e amava fazer
coisas que O compraziam. Nunca se vingava por razões pessoais. Rezava
inclusive pelo bem estar dos seus inimigos e os advertia do castigo de
Deus. Era ascético a respeito dos assuntos mundanos e adorava a Deus toda
a noite. Era o soldado bravo e valente que lutava com a espada, e o
infalível Profeta o conquistador que conquistava nações e paises. Dormia
em uma cama feita de palha e uma almofada feita com grossas fibras. O povo
o coroou como Sultão dos árabes, o Rei da Península Árabe, mas sua família
levava uma vida simples, mesmo depois de receber grandes fortunas; as
riquezas se acumulavam na mesquita. Fátima 4 se queixou,
certa vez, pelo árduo trabalho que fazia, pelo pilão e pela jarra de água
que costumava carregar e que deixavam marcas em seu corpo. O Mensageiro
não lhe deu um serviçal, nem lhe deu um pouco de sua riqueza; apenas lhe
ensinou umas palavras e súplicas. Seu Companheiro Ummar 5,
veio a sua casa, olhou seu quarto e não viu mais que uma cama de palha
onde estava sentado o Profeta, e que havia deixado marcas em seu corpo. Os
únicos víveres que havia em sua casa eram meio Saa 6 de
cevada em um recipiente, e uma pele para guardar água que pendurava na
parede isso era tudo que o Mensageiro de Deus possuía no momento em que
metade dos árabes estava sob seu controle. Quando Umar viu isto, não pôde
controlar-se e rompeu em pranto. O Mensageiro de Deus disse: Por que
choras Umar?. Ele respondeu: Por que não haveria de chorar? Cosroes e
César desfrutam deste mundo e o Mensageiro de Deus só possui o que posso
ver. Respondeu-lhe: Oh Umar, não te comprazeria saber que isso é o que
lhes toca a Cosroes e César neste mundo, e que no Além o prazer será
somente para nós? Quando o Profeta examinava suas tropas antes de ocupar
Meca, Abu Sufyan (um de seus inimigos) estava parado perto de Abbas, tio
do Profeta, e admirava os estandartes do exército muçulmano. Sufyan ainda
não era muçulmano. Surpreendeu-se ante o grande número de muçulmanos que
avançavam em direção a Meca, como uma torrente de água. Ninguém podia
detê-los e nada se interpunha em seu caminho. Abu Sufyan disse então a
Abbas: Oh Abbas, teu sobrinho se converteu num grande Rei! Abbas
respondeu, dizendo: Não é um rei, mas um profeta e transmite a Mensagem do
Islam. Adi at-Tai, que era um paradigma de generosidade, assistiu à
Assembléia do Profeta, enquanto ainda era cristão. Quando viu como os
Companheiros engrandeciam e respeitavam o Profeta, ficou confuso. Era
Profeta ou rei? Perguntou para si mesmo: É um rei ou um Mensageiro dos
Mensageiros de Deus? Enquanto procurava uma resposta para essa pergunta,
uma mulher pobre veio ao Profeta e lhe disse: Quero te contar um segredo.
Ele lhe disse: Em que caminho de Medina queres que nos encontremos? O
Profeta ( ) partiu
com a mulher e atendeu às suas necessidades. Quando Adi viu a humildade do
Profeta, deu-se conta da verdade; desfez-se das cruzes que levava consigo
e se converteu em muçulmano. Mencionaremos algumas frases dos
orientalistas a respeito de Muhammad, que Deus exalte sua menção. Como
muçulmanos, cremos no Profeta ( )
e na sua Mensagem, mas mencionamos estas frases pelas seguintes razões:
a. Para que sirvam de lembrança e
advertência aos supostos muçulmanos que abandonaram seu Profeta, para que
se apressem e regressem à sua religião 7.
b. Para que os que não são muçulmanos
saibam quem é o Profeta a partir das palavras de seu próprio povo e possam
assim ser guiados ao Islam.
Peço-lhes que não sejam preconceituosos
na hora de buscar a verdade, ou lendo algum outro material islâmico. Peço
a Deus que os faça abrir seus corações para que aceitem a verdade, que
lhes mostre o caminho correto e os inspire a segui-lo.
1 A palavra utilizada no Sagrado
Alcorão é Rabb. Não há nenhuma equivalente, apropriada para Rabb no idioma
português, já que este vocábulo inclui os seguintes significados: o
Criador, o Desenhista, o Provedor, de Quem todas as criaturas dependem
para sobreviver e o Que dá a vida e a morte. 2 Este termo
árabe significa, queira Deus honrá-lo e protegê-lo de todo mal.
3Brahmán: membro da mais alta das quatro castas hindus: a casta
sacerdotal. 4 Fátima era uma das filhas do Profeta.
5 Um dos companheiros próximos do Profeta, e o segundo Califa depois
de sua morte. 6 Saa’: É uma medida de capacidade
equivalente a quatro palmos. 7 A palavra traduzida como
religião é ’Din’ que em árabe normalmente se refere a um estilo de vida
que é privado e público. É um termo que significa: atos de culto, vida
cotidiana, prática e política.
Muhammad, O mensageiro de Deus ( )
Abdurrahman b. Abdul-Kareem al-Sheha
Riyadh, 11535
P.O. Box 59565
Email: alsheha@yahoo.com
http://www.islamland.org
Quem é
o Profeta Muhammad( )?
Sua linhagem:
Ele é Abul-Qasim (pai de Al-Qasim)
Muhammad, filho de Abdullah, filho de Abdul-Mutalib. Sua linhagem remonta
à tribo de Adnan, filho de Ismael [o Profeta de Deus, filho de Abraão] que
Deus exalte sua menção. Sua mãe foi Aminah, filha de Wahb.
O Profeta ( ) disse:
Certamente Deus escolheu a tribo de Kinanah entre todas as tribos dos
filhos de Ismael; Ele escolheu os Quraish entre todas as tribos de Kinanah;
Ele escolheu Banu Hashim entre todas as outras famílias dos Quraish; e me
escolheu que sou de Banu Hashim. (Muslim, 2276)
Assim, o Profeta ( )
tem a linhagem mais nobre deste mundo. Seus inimigos assim o afirmavam;
Abu Sufyan, que era arqui-inimigo do Islam, antes de converter-se em
muçulmano, afirmou-o frente a Heraclio 8.
Abdullah b. Abbas, que Deus seja
complacente com ele, narrou que o Mensageiro de Deus ( )
escreveu a César e o convidou a entrar no Islam. Escreveu-lhe uma carta
que foi entregue ao Governador de Busra, que por sua vez a reenviou a
César.
César, em agradecimento a Deus, foi
caminhando de Hims a Ilya (Jerusalém), quando Deus lhe outorgou a vitória
sobre as forças persas. Então, quando chegou a carta do Mensageiro de
Deus, disse depois de lê-la : Busquem qualquer pessoa do seu povo (árabes
da tribo Quraish), para perguntar-lhe sobre o Mensageiro de Deus!
8 Imperador do Império bizantino
(610-641) que conquistou a Síria, Palestina e Egito à Pérsia (613-628).
Nesse momento, Abu Sufyan bin Harb se encontrava em Sham 9
com uns homens de Quraish que tinham vindo (a Sham) como mercadores,
durante a trégua que haviam concluído, entre o Mensageiro de Deus e os
incrédulos de Quraish. Abu Sufyan disse: O mensageiro de César nos
encontrou em algum lugar de Sham e nos levou, a mim e aos meus
companheiros a Ilya, ante a presença de César e o encontramos sentado em
seu trono real, com sua coroa e rodeado de altos dignitários bizantinos.
Ele disse ao seu tradutor: Pergunta-lhes quem de entre eles tem algum
parentesco com o homem que disse ser profeta. Abu Sufyan acrescentou:
Respondi-lhe: Sou seu parente mais próximo. Perguntou-me: Qual é teu
parentesco com ele? Respondi-lhe: É meu primo, e não havia ninguém na
caravana de Bani Abd Manaf, exceto eu.César disse: Que se aproxime. E logo
ordenou que meus companheiros permanecessem atrás de mim e disse ao
tradutor: Diga a seus companheiros que vou perguntar a este homem sobre o
homem que diz ser profeta. Se ele mentir, devem contradizê-lo
imediatamente. Abu Sufyan acrescentou:
Por Deus! Se não fosse uma vergonha que meus companheiros me chamassem de
mentiroso, não lhe teria dito a verdade quando me perguntou. Mas me
pareceu uma desonra que meus companheiros me chamassem de mentiroso, por
isso disse a verdade. Logo disse ao seu tradutor: Pergunta-lhe a que tipo
de família pertence. Respondi-lhe: Pertence a uma família nobre. Logo
disse: Alguma vez outra pessoa afirmou ser o mesmo que ele disse ser?
Respondi-lhe: Não. Logo disse: Alguma vez o acusaram de mentir?
Respondi-lhe: Não. Disse então: Algum dos seus ancestrais foi rei? Minha
resposta foi: Não. Logo acrescentou : Seguem-no os ricos ou os pobres?
Respondi-lhe : Os pobres o seguem. Disse me logo: Seguem-no mais ou menos
pessoas, cada dia que passa? Respondi-lhe: Seguem-no, cada dia, mais
pessoas. Disse-me: Alguns dos que adotam sua religião se desiludem e logo
deixam de lado sua religião? Respondi-lhe: Não quebra suas promessas?
perguntou-me. Respondi-lhe: Não, mas neste momento estamos em uma trégua
com ele e temos medo de que nos traia. Abu Sufyan acrescentou:
Fora sua última oração, nada pude dizer contra ele. Então César perguntou:
Alguma vez tiveram uma guerra contra ele? Sim,
respondi-lhe. Disse-me: Qual foi o resultado dessas batalhas com ele? Ás
vezes ele ganha, às vezes, nós ganhamos, foi minha resposta. Disse então:
Que coisas lhes ordena?. Disse-lhe: Mandamos que adoremos somente a Deus,
que não adoremos a outros além d Ele, e que deixemos de lado tudo que
adoravam nossos ancestrais. Ordena-nos que oremos, que façamos caridade,
que mantenhamos a castidade conjugal , que cumpramos nossas promessas e
que devolvamos aquilo que nos emprestam. Quando disse isso, César disse ao
seu tradutor: Diga-lhe: Perguntei-te sobre sua linhagem e tua resposta foi
que pertencia a uma família nobre. De fato, todos os Mensageiros vinham da
mais nobre das linhagens dos seus respectivos povos. Logo, te perguntei se
alguém mais dizia ser o que ele diz ser, e tua resposta foi negativa. Se a
resposta tivesse sido afirmativa, pensaria que este homem diz ser algo que
já foi dito antes dele. Quando te perguntei se alguma vez o acusaram de
mentir, tua resposta foi negativa; eu considero sensato que uma pessoa que
não mente para as pessoas também não minta sobre Deus. Logo te perguntei
se algum dos seus ancestrais foi rei. Tua resposta foi negativa, e se
houvesse sido afirmativa teria pensado que este homem pretendia recuperar
seu passado real. Quando te perguntei se o seguem os ricos ou os pobres,
me respondeste que são os pobres que os seguem.
De fato, eles são os seguidores dos
Mensageiros. Logo te perguntei se seus seguidores são mais ou menos a cada
dia. Respondeste que cada vez são mais. De fato, isso é resultado da
verdadeira fé, até que esteja completa (em todos os sentidos). Perguntei
te se havia alguém, que logo após adotar sua religião, desiludiu-se e
descartou sua religião; tua resposta foi negativa. De fato, é um sinal da
verdadeira fé, pois quando seu prazer entra e se mistura completamente nos
corações, ninguém se desilude. Perguntei-te se alguma vez tinha quebrado
uma promessa. Tua resposta foi negativa. E assim são os Mensageiros; nunca
rompem suas promessas. Quando te perguntei se alguma vez combateram, me
respondeste que às vezes o fizeram, e que em algumas ocasiões ele saía
vitorioso, em outras vezes, vocês. De fato, assim são os Mensageiros; são
postos à prova e a vitória final sempre é deles. Logo te perguntei que
coisas lhes ordenava. Respondeste-me que lhes ordenava adorar somente a
Deus e não adorar a outros, junto com Ele ; deixar de lado o que seus
ancestrais costumavam adorar, suplicar, dizer a verdade, ser casto,
cumprir as promessas, e devolver aquilo que lhes é confiado. Essas são em
realidade as qualidades de um profeta que eu sabia que viria (segundo as
Escrituras anteriores), mas não imaginava que seria um de vocês. Se o que
dizes é verdade, logo ele ocupará o solo que está sob meus pés, e se
pudesse iria até ele imediatamente para conhecê-lo e lavaria seus pés. Abu
Sufyan acrescentou:
César pediu a carta do Mensageiro, que foi lida. A mesma dizia: "Em nome
de Deus, o Misericordioso, o Compassivo. De Muhammad, o servo de Deus e
Seu Mensageiro a Heraclio, Soberano dos bizantinos: Paz para quem segue a
guia. Convido-te ao Islam; torna-te muçulmano e estarás a salvo e Deus te
recompensará duas vezes. Mas se Lhe viras as costas, sobre ti recairá o
pecado de teus súditos.
"Gente do Livro! Sejamos unânimes: Que
não adoreis senão a Deus e não o associeis a nada nem vos tomeis uns aos
outros
por senhores, distantes de Deus; e se derem as costas, dizei: Testemunhai
que somos muçulmanos." (Alcorão 3: 64) Abu Sufyan acrescentou:
Quando Heraclio terminou seu discurso, produziu-se um enorme clamor e um
grito por parte dos dignitários bizantinos que o rodeavam, e havia tanto
ruído que não se entendia o que diziam. Então, ordenaram-nos que saíssemos
da corte. Quando saí com meus companheiros e estávamos sozinhos, disse
lhes: Certamente, o assunto do Profeta ganhou poder. O Rei dos bizantinos
o teme. Abu Sufyan acrescentou:
Por Deus, cada vez estava mais seguro de que sua religião obteria a
vitória até que terminei por aceitar o Islã. (Bujari, 2782)
9 Esta é uma região histórica do Médio
Oriente que circunda o Mediterrâneo. Inclui os estados modernos da Síria,
Líbano, Palestina e Jordânia.
Nascimento e
Infância
O Profeta ( )
nasceu no ano 571 (segundo o calendário gregoriano), na tribo de Quraish,
[considerada nobre por todos os árabes] em Meca [considerada a capital
religiosa da Península Árabe.]
Os árabes realizavam a peregrinação a
Meca, e caminhavam ao redor da Kabah construída pelo Profeta Abraão e seu
filho o Profeta Ismael, que Deus exalte sua menção. O Profeta ( )
era órfão. Seu pai faleceu antes de ele ter nascido e sua mãe morreu
quando tinha seis anos. Seu avô, Abdul-Mutalib cuidou dele e quando
morreu, seu tio Abu Talib assumiu essa função. Sua tribo e as outras da
época adoravam ídolos de pedra, madeira e inclusive de ouro. Alguns destes
ídolos foram colocados em volta da Kabah. As pessoas acreditavam que esses
ídolos podiam afastar o mal ou provocar o bem.
O Profeta ( )
foi um homem honesto e confiável. Nunca teve um comportamento traiçoeiro,
nem mentia nem enganava; era conhecido entre sua gente como Al-Amin, ou O
Confiável. As pessoas lhe confiavam seus objetos de valor quando iam
viajar. Também era conhecido como As-Sadiq, ou O Sincero, pois nunca
mentia. Tinha bons modos, era bem falante e amava ajudar as pessoas . Sua
gente o amava e o reverenciava. Deus, o Altíssimo, disse;
Certamente és de uma natureza e moral
grandiosas. [68:4]
Thomas Carlyle disse o seguinte em seu
livro ’Heroes, Hero-Worship and the Heroic in History’:
... desde uma tenra idade, se destacou como um homem inteligente. Seus
companheiros o chamavam Al Amin, O Fiel. Foi um homem fiel e verdadeiro;
sincero em suas ações, em suas palavras, e em seus pensamentos. Sempre
havia um significado no que fazia e dizia. Ainda que taciturno ao falar e
calado quando não havia nada a dizer, era pertinente, sábio e sincero
quando falava e sempre colocava um manto de luz sobre o assunto. E essas
são as únicas palavras que de verdade vale a pena pronunciar! Na vida,
descobrimos que era considerado um homem sólido, fraternal e genuíno.
Personagem sério e sincero, mas ao mesmo tempo simpático, cordial,
companheiro e inclusive jocoso apesar de tudo, sempre ria: Há homens cujo
riso é falso, como tudo o que sai deles; homens que não podem rir. Ele era
um homem espontâneo, apaixonado, mas, ao mesmo tempo, justo e sincero.
O Profeta
gostava de se enclausurar na caverna de Hira, antes de se tornar profeta.
Ficava ali muitas noites seguidas.
Jamais enganou; não ingeria bebidas embriagantes, nem se inclinava ante um
ídolo ou uma estátua; tampouco jurava ante eles nem lhes fazia oferendas.
Foi pastor de um rebanho de ovelhas que pertencia ao seu povo. O Profeta
disse: Todo Profeta encomendado por Deus foi pastor de um rebanho de
ovelhas. Seus companheiros lhe perguntaram: Inclusive tu, Mensageiro de
Deus? Ele respondeu: Sim, eu cuidei de um rebanho de ovelhas para o povo
de Meca. (Bujari 2143)
Quando o Profeta Muhammad
cumpriu quarenta anos, recebeu uma revelação divina; encontrava-se na
caverna de Hira. Aishah(esposa do profeta), que Deus esteja comprazido com
ela, disse: O que primeiro recebeu o Mensageiro de Deus ,
enquanto se encontrava na Caverna de Hira em Meca, foram visões boas
[sonhos]. Cada vez que tinha um sonho, fazia-se realidade e ficava claro
como o alvorecer. Mais tarde, o Mensageiro de Deus
começou a amar o estar sozinho, meditando. Passava dias e noites inteiras
para cumprir com seu propósito, na caverna, antes de regressar para sua
família. Levava uma ração de alimentos para sua estadia. Quando voltava
para sua esposa khadijah(foi a primeira esposa do profeta) que Deus esteja
comprazido com ela, buscava mais alimentos frescos y regressava à Caverna
para continuar meditando.
A verdade chegou-lhe quando se
encontrava na Caverna de Hira. O anjo Gabriel se aproximou de Muhammad
e ordenou-lhe que lesse. Muhammad
respondeu-lhe: Não sei ler!. Gabriel abraçou Muhammad
até que este não pôde mais respirar, e o soltou:
Oh Muhammad ! Leia!. Novamente, Muhammad
respondeu: Não sei ler!. Gabriel abraçou Muhammad
pela segunda
vez. Logo, ordenou-lhe que lesse pela terceira vez, e o abraçou fortemente
até que não pôde mais respirar, e o soltou dizendo: Oh, Muhammad! Leia! Em
nome do teu Senhor, Quem criou todas as coisas. Criou o homem de um
zigoto. Leia! Que teu Senhor é o mais Generoso. [96:1-3]
O Mensageiro de Deus
regressou tremendo a sua casa. Entrou e disse a Kadijah: Cobre-me,
cobre-me ! Khadijah, que Deus esteja comprazido com ela, cobriu Muhammad
até que ele se sentiu melhor. Logo contou a sua esposa o que lhe havia
sucedido na Caverna de Hira. Disse: Temi por minha vida. Khadijah, que
Deus esteja comprazido com ela, tranqüilizou Muhammad
dizendo: Por Deus! Não deves te preocupar! Deus, o Exaltado, nunca te
humilharia! És bom com os teus pares. Ajudas aos pobres e necessitados. És
generoso e hospitaleiro com os teus hóspedes. Ajudas aqueles que
necessitam.
Khadijah, que Deus esteja comprazido com
ela, levou seu esposo Muhammad
à casa de um primo seu, chamado Waraqah bin Nawfal bin Asad bin Abdul Uzza.
Esse homem havia se convertido ao cristianismo durante a era pagã. Era
escriba de Escrituras hebraicas. Era um ancião que havia perdido a vista
nos últimos anos de sua vida. khadijah, que Deus esteja comprazido com
ela, disse a seu primo: Oh primo meu, escuta o que teu sobrinho [quer
dizer, Muhammad , que Deus exalte sua menção] está a ponto de contar-te!
Waraqah disse: O que viste, querido sobrinho?. O Mensageiro de Deus
contou-lhe o sucedido na Caverna de Hira. Ao ouvir o relato, Waraqah
disse: Por Deus! É o anjo Gabriel quem apareceu ante o Profeta Moisés, que
Deus exalte sua menção. Oxalá pudesse eu estar com vida quando teu povo te
tire de Meca. O Mensageiro de Deus
perguntou: Vão expulsar-me de Meca?. Waraqah respondeu afirmativamente
dizendo: Nunca um homem transmitiu uma Mensagem semelhante à que levas
contigo, sem que seu povo haja entabulado guerra contra ele se chego a ser
testemunha disso, dar-te-ei meu apoio. Waraqah faleceu pouco tempo depois
desse incidente. As revelações também cessaram logo. (Bujari, 3).
O versículo do Alcorão citado no hadiss
12 anterior marca quando começou sua missão profética.
Logo Deus, o Exaltado, revelou-lhe: Oh, tu [Muhammad] que te envolves no
manto! Levanta-te e adverte [aos homens]. Proclama a grandeza de teu
Senhor, purifica tuas vestimentas. [74:1-4]
Este versículo do Alcorão marca o começo
de sua missão como Mensageiro. Com a revelação deste capítulo do Alcorão,
o Profeta começou
abertamente a convocar seu povo ao Islã. Começou com seu próprio povo.
Alguns se negaram a escutá-lo porque os convidava para algo que nunca
haviam visto antes.
O Islam é uma forma de vida completa,
que trata de temas religiosos, políticos, econômicos e sociais. Além
disso, a religião do Islã não os convocava apenas para que adorassem
somente a Deus e que deixassem de lado todos os ídolos e coisas que
adoravam; também proibia coisas que considerava prazerosas, como a usura
ou o consumo de bebidas alcoólicas, a fornicação e os jogos de azar.
Também convocava as pessoas a serem justas entre si, e a conhecer que não
há diferença entre elas salvo através de uma correção na forma de vida.
Como podiam os de Quraish [a tribo mais nobre dos árabes] serem tratados
de igual maneira que os escravos! Não somente se negaram totalmente a
aceitar o Islam, como também culpavam e magoavam o Profeta
dizendo que estava louco, que era um feiticeiro e mentiroso. Culpavam-no
por coisas que não o haviam culpado antes da chegada ao Islã. Incitavam as
massas e os ignorantes a que se pusessem contra ele e também torturaram
seus companheiros. Abdullah b. Masud, que Deus esteja comprazido com ele,
disse :
Enquanto o Profeta
se encontrava de pé orando perto da Kabah, um grupo de Quraish estava
sentado, e um deles disse: Vêem esse homem? Quem pode trazer a sujeira e
as fezes dos camelos, esperar que ele se incline para jogá-las sobre suas
costas? Os piores se ofereceram para fazê-lo e quando o Profeta
se prostrou, puseram as fezes sobre suas costas, mas o Profeta
continuou prostrado. Riram tanto que quase caíram. Alguém foi buscar
Fátima, que Deus esteja comprazido com ela, que era apenas uma jovenzinha,
e lhe informaram o que havia acontecido. Ela correu até o Profeta ,
limpou-lhe a sujeira das espáduas, e logo se voltou e amaldiçoou os da
tribo Quraish que se encontravam sentados ali. (Bujari,498)
Munib al-Azdi disse : Vi o Mensageiro de
Deus dizer ao povo durante a era pagã: Testemunhem que não existe deus
digno de louvor exceto Deus, se querem alcançar êxito. Alguns cuspiram em
sua cara, outros lhe atiraram terra no rosto, e outros o insultaram até ao
meio-dia. Cada vez que uma menina se aproximava com uma vasilha de água,
ele lavava as mãos e o rosto e dizia: Oh filha, não tenhas medo de que teu
pai seja humilhado ou atormentado pela pobreza. (Muyam al-Kabir, 805)
Urwah b. az-Zubair disse: Pedi a
Abdullah b. Amr al-Aas que me contasse a pior coisa que os pagãos haviam
feito ao Profeta e
ele me disse:
Uqbah b. Muait se aproximou do Profeta
enquanto ele orava perto da Kabah, e lhe retorceu sua túnica em volta do
pescoço. Abu Bakr (O companheiro mais íntimo do
Profeta e o primeiro Califa do Islam depois de sua morte)
que Deus esteja comprazido com ele, aproximou-se rapidamente, agarrou
Uqbah pelo ombro e o afastou dizendo: vais matar um homem só porque
proclama a Deus como seu Senhor e tem claros sinais do teu Senhor? (Bujari,
3643)
Estes incidentes não detiveram o Profeta
em sua prédica. Convocou ao Islã muitas tribos que vinham a Meca realizar
a Peregrinação(a Meca) Alguns eram do povoado de Yazrib, conhecido hoje
como Medina, e juraram ser-lhe leais e ajudar-lhe se optasse por ir a
Medina. Ele enviou Musab b. Umair, que Deus esteja comprazido com ele,
para que lhes mostrasse o Islam. Depois de todas as dificuldades que os
muçulmanos tiveram que enfrentar por parte de seu próprio povo, Deus lhes
permitiu emigrar de sua cidade para Medina. O povo de Medina os recebeu de
uma maneira extraordinária. Medina se converteu na capital do estado
islâmico, e o ponto do qual começou a expandir-se a prédica do Islã. O
Profeta instalou-se
ali e mostrou ao povo a recitação alcorânica e a jurisprudência islâmica.
Os habitantes de Medina se comoveram muito com os modos do Profeta.
Amavam-no mais que a si mesmos; esmeravam-se por servi-lo e gastavam tudo
o que tinham, em sua homenagem. A sociedade era forte, seu povo era rico
em termos de Fé e eram muito felizes. O povo se amava e reinava uma
verdadeira fraternidade entre as pessoas. Todos eram iguais; ricos, nobres
e pobres, brancos e negros, árabes e não árabes todos eram considerados
iguais para a religião de Deus, não havia nenhuma distinção entre as
pessoas, salvo através da piedade. Assim que a prédica do Profeta se
expandira em Medina, os mecanos(povo de Meca) atacaram o Profeta
na primeira batalha do Islã, a Batalha de Badr. Esta batalha teve lugar
entre dois grupos desiguais em armamento e preparação. Os muçulmanos eram
314, enquanto os pagãos somavam 1000 homens apetrechados. Deus deu a
vitória ao Profeta e
seus Companheiros. Depois desta batalha aconteceram muitas outras entre os
muçulmanos e os pagãos. Depois de oito anos,
o Profeta pôde
preparar um exército de 10.000 homens. Empreenderam a marcha para Meca e a
conquistaram, derrotando assim seu povo, que o havia perseguido e
torturado. Muitos muçulmanos, inclusive, haviam sido obrigados a abandonar
suas propriedades e riquezas, e fugir para salvar suas vidas. Derrotou-os
de maneira decisiva, e esse ano foi chamado O Ano da Conquista. Deus, o
Exaltado, diz no Alcorão:
[Oh, Muhammad! Quando chegarem o socorro
de Deus e a vitória [a conquista de Meca] e vires os homens em tropéis na
religião de Deus, Glorifica e louva teu Senhor por isso, e pede Seu
perdão; é certo que Ele é indulgente. [110:1-3]
Logo convocou o povo de Meca e lhe
disse: Que pensam que vou fazer-lhes?. Eles responderam: Só farás algo
favorável; és um irmão e um sobrinho bom e generoso! Profeta
disse: Ide, sois livres para fazer o que desejardes. (Baihaqi, 18055)
Essa foi uma das tantas razões pelas
quais muitos deles aceitaram o Islam. O Profeta
regressou logo a Medina. Depois de um tempo, o Profeta
realizou a peregrinação e dirigiu-se a Meca com 114.000 seguidores. Esta
Peregrinação é conhecida como A Peregrinação de Despedida uma vez que o
Profeta nunca
realizou outra Peregrinação, e morreu pouco depois de completá-la. Durante
sua Peregrinação pronunciou o seguinte discurso:
Oh gente! Escutai minhas palavras, uma
vez que não sei se voltarei a encontrar-vos de novo, aqui, depois deste
ano. Vossa vida e vossos bens são sagrados, como também são sagrados o dia
de hoje, este mês e esta cidade. Todas as práticas pagãs ficam agora sob
meus pés. Todo ato de vingança dos dias do paganismo fica abolido. A usura
da época do paganismo fica abolida, começando pelo interesse que se deve a
Abbas bin Abdul Muttalib (seu tio).
Temam a Deus no trato com vossas mulheres. Vós as assumistes sob a
proteção de Deus legalmente, pela palavra de Deus. Elas não devem permitir
que ninguém se aproxime de vosso leito nem entrar em vossa casa sem vossa
permissão. Tendes o dever de alimentá-las e vesti-las adequadamente.
Deixei-vos o Livro de Deus e meus ensinamentos, e se vos agarrardes a
ambos nunca vos desviareis.
Oh gente, não haverá nenhum profeta depois de mim e nenhuma nação depois
da vossa. Assim, vos recomendo adorar ao vosso Senhor, rezar as cinco
orações, jejuar no mês do Ramadã e dar o Zakat (direito dos pobres) de
vossos bens, com agrado.Recomendo lhes fazer a peregrinação à Sagrada Casa
de vosso Senhor e obedecer àqueles que estão encarregados de vossos
assuntos; se fizerem tudo isto entrarão no Paraíso de vosso Senhor. Se
lhes perguntarem sobre mim, que dirão? Responderam: Testemunharemos que
transmitiste e nos entregaste a mensagem, e nos aconselhaste. Então
levantou seu dedo indicador para o céu enquanto dizia: Deus, seja
testemunha.
O Profeta
morreu em Medina, em 12 do mês lunar Rabi as-sani, no ano 11 da Hégira. O
Profeta foi
sepultado também em Medina.
Os muçulmanos ficaram chocados ao tomar
conhecimento de sua morte; alguns companheiros não acreditavam no que
ouviam. Umar, que Deus esteja comprazido com ele, disse: Quem disser que
Muhammad morreu, eu o decapitarei! Abu Bakr, que Deus esteja comprazido
com ele , fez um discurso e recitou as palavras de Deus:
Muhammad não é senão um Mensageiro, a quem precederam outros. Se morresse
ou se o matassem, voltarias à incredulidade? Mas quem voltar à
incredulidade, em nada prejudicará a Deus. Deus retribuirá aos
agradecidos. [3:144] Quando Umar, que Deus esteja comprazido com ele,
ouviu este versículo, compreendeu que o Profeta
havia morrido.
O Profeta
tinha 63 anos de idade quando morreu. Permaneceu em Meca durante 40 anos ,
antes de ser indicado como
profeta. Depois viveu ali outros 13 anos, durante os quais conclamou as
pessoas ao monoteísmo. Depois emigrou para Medina, onde viveu dez anos.
Ali recebeu revelações constantemente, até que o Alcorão e a religião do
Islam ficassem completos.
George Bernard Shaw disse:
Sempre tive um grande apreço pela religião de Muhammad, devido à sua
maravilhosa vitalidade. É a única religião que parece ter essa capacidade
de assimilar as fases mutantes da existência e que a fazem atrativa para
qualquer época e idade eu predisse que a fé de Muhammad seria aceite
amanhã e já está sendo aceite na Europa de hoje. Os eclesiásticos
medievais, por ignorância ou fanatismo, pintaram o maometismo com as cores
mais escuras. De fato, foram treinados para odiar, tanto a Muhammad como à
sua religião. Para eles, Muhammad era o anticristo. Eu estudei este homem
maravilhoso e em minha opinião, longe de ser chamado o anticristo, deveria
ser chamado de o Salvador da humanidade.(Enciclopédia
de Sirah, por Afzalur Rahman)
12 A narração de uma declaração, fato, aprovação
tácita ou característica do Profeta.
Descrição do
Profeta
O Mensageiro de Deus
foi um homem sensacional, respeitado por todos os que o conheciam. Seu
rosto brilhava como a lua cheia. Era um homem de estatura mediana, nem
muito alto nem muito baixo. Tinha uma cabeça grande e seu cabelo era
ondulado. Se o cabelo estivesse comprido, dividia-o, do contrário, seu
cabelo não ultrapassava os lóbulos das orelhas em circunstâncias normais.
Tinha uma cor rosada e saudável. Sua frente era larga. Suas sobrancelhas
eram fartas naturalmente, e não eram unidas. Havia uma veia entre suas
sobrancelhas que se inchava quando se aborrecia. Seu nariz era reto e
tinha um brilho especial. Tinha uma barba cerrada e uma face suave.
Sua boca era grande. Tinha bigode. Seus dentes eram separados. Seu pescoço
era semelhante ao de um boneco e tinha uma cor branca, prateada. Sua
compleição era moderada e forte. Seu abdome e seu peito estavam no mesmo
nível. Seu peito e seus ombros eram largos.
Suas articulações eram de bom tamanho. Sua pele era branca. Tinha pêlos
desde o esterno até o umbigo. Não tinha pêlos no peito, mas seus braços e
ombros eram peludos. Seus antebraços eram grandes assim como as palmas de
suas mãos. Suas mãos e pés eram curtos e seus dedos tinham uma largura
discreta. Seus pés eram planos e suaves; devido à suavidade dos seus pés,
não acumulavam água. Caminhava com passos largos e elegantes; levantava os
pés em vez de arrastá-los. Cada vez que se virava, fazia-o com o corpo
inteiro, [em vez de virar somente a cabeça]. Era sempre recatado no olhar.
Olhava mais para o chão do que para o céu. Frequentemente passava os olhos
rapidamente sobre as coisas [em vez de olhá-las fixamente] Oferecia suas
saudações antes mesmo de ser saudado.
O Profeta ,
quase sempre, parecia estar triste e meditava profundamente. Nunca
descansava completamente, e nunca falava quando não fosse necessário. Cada
vez que falava, começava e terminava suas frases com o nome de Deus.
Falava com clareza e com coerência, pronunciando somente frases precisas e
corretas. Suas frases eram muito exatas; ninguém podia distorcer suas
palavras. Era muito amável e carinhoso. Nunca insultava outras pessoas.
Era agradecido por todas as bênçãos que Deus lhe havia outorgado, por
menor que parecessem; nunca menosprezava nada. Não criticava a comida.
Nunca se preocupava com assuntos mundanos. Se uma pessoa sofria uma
injustiça, aborrecia-se muito. Seu aborrecimento não passava até que se
restituísse seu direito a essa pessoa. Não se aborrecia se a vítima da
injustiça era ele, nem tampouco buscava vingança. Quando apontava, fazia-o
com a mão inteira; quando se surpreendia, virava rapidamente a mão. Quando
o Profeta
falava, dava pequenos golpes em sua mão direita com o polegar esquerdo.
Quando se aborrecia, virava o rosto, e quando estava satisfeito e feliz,
baixava o olhar.
Seu riso, na verdade, era sorriso. Quando sorria, seus dentes pareciam
pérolas.
O Profeta
repartia seu tempo em três partes; uma parte para Deus, a outra para sua
família e a terceira para si mesmo e sua gente.
A parte dedicada ao seu povo era dedicada a atender às necessidades das
pessoas. Mantinha-as ocupadas, ensinando-lhes o que as beneficiaria.
Costumava dizer: Aqueles que estejam presentes, transmitam(o que
aprenderam) àqueles que estejam ausentes, e informem-me das necessidades
dos que não puderam vir. Aquele que informa ao governante sobre os pedidos
de uma pessoa, Deus o firmará na ponte no Dia da Ressurreição.
O Profeta
cuidava da sua língua [evitava dizer palavras vãs], dava conselhos
sinceros e falava com bondade para assim reunir e unir as pessoas.
Respeitava os generosos, amáveis e nobres de cada povo, e lhes recomendava
os assuntos de sua gente. Advertia as pessoas dos males e cuidava delas,
embora nunca tivesse um gesto agressivo com ninguém. Perguntava-lhes sobre
sua situação e lhes ordenava que fizessem o bem e proibissem o mal. Era
moderado em todos seus assuntos. Nunca deixava passar a oportunidade de
recordar e dar sinceros conselhos a seus companheiros. Estava preparado
para toda
situação; mantinha a verdade e não era ocioso. Os que se sentavam ao seu
lado eram os melhores do seu povo.
O Mensageiro de Deus
nunca se levantava nem se sentava sem mencionar o nome de Deus. Tinha
proibido que lhe destinassem um lugar só para ele. Sentava-se onde
encontrasse um lugar vazio. Também ordenava aos demais que fizessem o
mesmo ao chegar a uma reunião. Repartia seu tempo de maneira eqüitativa
entre os Companheiros que se sentavam junto dele. Quem se sentasse perto
do Profeta
pensaria que era o mais importante e querido por ele. Se uma pessoa se
aproximasse pedindo alguma coisa, não o apressava, mas deixava que
terminasse seu pedido e se fosse, quando desejasse. O
Profeta
sempre dava uma resposta a quem lhe pedisse algo; presenteava-lhe palavras
agradáveis, ainda que não pudesse atender seu pedido. Tinha um coração e
uma mente abertos. Era considerado por todos um pai carinhoso e atento;
para ele, todos eram iguais. Suas reuniões eram reuniões de conhecimento,
perseverança, paciência, modéstia e confiança. Ninguém levantava a voz na
presença do Mensageiro de Deus, que Deus exalte sua menção. Ninguém falava
de coisas más na sua presença. Aqueles que assistiam à reunião se tratavam
de maneira humilde, respeitavam os mais velhos, eram misericordiosos
com os jovens e respeitavam o diferente.
O mensageiro de Deus
estava sempre alegre. Era extremamente amável e carinhoso. Nunca era rude.
Não levantava sua voz em público nem dizia grosserias. Não falava mal de
ninguém, nem espalhava boatos. Jamais adulava alguém. Não desiludia
ninguém. Evitava três coisas: discutir, falar demasiado e interferir
naquilo que não era importante. Também evitava outras três coisas: nunca
falava mal de ninguém, nunca burlava ninguém nem falava de suas falhas na
frente dos outros; tampouco criticava alguém. Só falava daquelas coisas
que merecem ser recompensadas. Quando falava com seus Companheiros, estes
olhavam para o chão [em sinal de respeito e atenção] e era como se
pássaros tivessem posado em suas cabeças.
Quando o Mensageiro de Deus
acabava de falar, então falavam seus Companheiros. Nunca o contradiziam em
sua presença. Quando falava um dos seus Companheiros, os outros escutavam
atentamente até que tivesse completado o que pretendia dizer.
O Mensageiro de Deus
demonstrava uma extrema paciência quando escutava um estrangeiro com um
acento ou dialeto difícil de entender. Não lhe fazia nenhuma pergunta até
que tivesse completado o que queria dizer. De fato, o Mensageiro de Deus
ordenava a seus Companheiros que assistissem a pessoa que buscasse sua
ajuda.
Nunca interrompia a quem falava, até que a pessoa tivesse terminado sua
idéia, se detivesse ou se levantasse para ir-se. (Baihaqi).
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