capítulo cinco

Origens do Conflito

No século XIX, os resultados dos planos de longo prazo da coalizão das as potências Ocidentais começaram a se tornar visíveis: o Imperialismo se estabelecia, uma política de colonização que redesenhou as fronteiras do Oriente Médio, África e Ásia Central.Um dos principais objetivos da maior potência da época, o Reino Unido da Grã-Bretanha, era o domínio dos territórios islâmicos. Conscientes de que sob a proteção da  estrutura política islâmica e fortalecidos pela sua unidade, os muçulmanos dificilmente cederiam a dominação, o Reino Unido estabeleceu um programa para destruir a organização sócio-política islâmica. Centenas de agentes com as mais diversas qualificações foram  enviados para o Estado Islâmico. Em alguns anos, assumiram postos de autoridade e tornaram-se lideranças religiosas: eruditos, imams, líderes de todas as categorias, pessoas que conquistaram a confiança da população, controlaram mesquitas e escolas, ate que ensino religioso estivesse em suas mãos, quando passaram a usar as ferramentas que servem para fortalecer a fé e o amor pelo Islam para disseminar distorções que induziram gerações de muçulmanos ao erro. Os inimigos do Islam minaram a organização sócio-política da Ummat de dentro para fora, infiltrando seus agentes não só nas altas esferas da sociedade mas também entre a população comum, num eficiente projeto de contaminação cultural e manipulação das massas, que levou a total deterioração  da sociedade devido ao afastamento dos ideais islâmicos e a subseqüente queda de seu sistema político. Também agiram provendo todo tipo de incentivo e ajuda a qualquer líder regional que estivesse disposto a se opor ao governo central ou estabelecer novos sectos, com o objetivo claro de dividir a comunidade.A queda do Khilafas foi o resultado  de um plano de longo prazo que vem, ha quase cem anos, rendeu os frutos desejados. No começo do século XX, as fronteiras do Oriente Médio, Ásia Central e África foram redesenhadas de acordo com os interesses imperialistas, e  ate hoje ainda são respeitadas como uma verdade incontestável.

Quando  o Islam deixou de ser representado internacionalmente por uma entidade política, a fragmentação e desunião da Ummat se tornaram insuperáveis, o caminho para a fundação do Estado de Israel se abria. 

O Khilafah Turco decaiu por mais de cem anos, mas só terminou com a ascensão de Mustafá Kamal ao poder e a transformação da Turquia numa república secular, em 1924: essa data marca o fim da expressão política do Islam, Os britânicos cumpriam seu objetivo, e neutralizaram o Islam, que deixou de ser uma ameaça para seus planos de dominação.  Lord Curzon expressou a alegria dos inimigos do Islam em seu discurso na Câmara dos Comuns inglesa, em julho de 1924: 

"A situação agora é que a Turquia está morta. E ela jamais se levantará novamente porque destruímos sua força moral: o Khilafah e o Islam." 

 Sabendo melhor do que os próprios muçulmanos que a origem da força desta comunidade é sua unidade,e que a expressão política do Islam é sua segurança,  Sir Anthony Eden, secretário de assuntos exteriores britânico, escreveu ao Primeiro Ministro em 1938:

"Devemos por um fim em qualquer coisa que possa promover a união entre os filhos dos muçulmanos. Como finalmente tivemos sucesso em acabar com o Khilafah, nós devemos nos certificar que nunca surgirá de novo união entre os muçulmanos, seja esta união intelectual ou política."

Cada província que era retirada do Khilafah Turco, era amparada pelo Reino Unido e se estabelecia como um país. Assim, os inimigos do Islam estabeleceram as fronteiras que conhecemos hoje no Oriente Médio e Ásia Central.

Para garantir a manutenção das fronteiras e a estabilidade dos estados-nações, o ideal nacionalista foi introduzido e fortalecido. O chamado "arabismo", que marcou os movimentos de “independência” do meio do século XX, foi um conceito introduzido pelos inimigos do Islam, que revitalizou o orgulho e a cultura árabes, essencialmente em conflito com o Islam: o fortalecimento do nacionalismo enfraquece os ideais islâmicos de uma só nação muçulmana.

Depois da “independência”, uma nova forma de colonização se estabeleceu: os imperialistas passaram a atuar na região por zonas de influência, através da instalação de governos títeres, assim, ainda que "independentes", os estados-nações continuavam representando os interesses das potências dominantes. Houve, porém, uma importante troca de lideranças: as nações européias perderam espaço, e a América se estabeleceu, ao lado do Reino Unido, como líder do neo-imperialismo.

            Das mais importantes manobras do Reino Unido contra o Islam - ao lado da destruição do Khilafah e do estabelecimento do Estado de Israel na Palestina - foi a entrega da península arábica para família de al-Saud: em 1932, com o apoio da força militar britânica, as forças de Abdullah Azziz al-Saud dominaram a Península Arabica. Pouco tempo depois, numa reunião entre britânicos e sauditas, foram decididas as fronteiras do novo pais. Assim se estabeleceu o Reino da Arábia Saudita, súdito dos inimigos do Islam, o atual guardião das duas Mesquitas Sagradas...O estabelecimento do Reino da Arábia Saudita tutelado pelo Reino Unido foi um forte golpe para o Islam: controlado pelos inimigos, o centro de convergência dos muçulmanos foi neutralizado, sua referência foi confundida e contaminada, a fonte da maior parte de material e ensino religioso foi dominada, e a partir dali, as distorções do Islam foram  divulgadas para o mundo todo.

Sem dúvida a Ummah islâmica enfrenta os piores dias de sua história como resultado deste programa de colonização dos território islâmicos: hoje, todos os países de maioria muçulmana são governados por marionetes das potências imperialistas e quase todos os eruditos e líderes religiosos servem aos seus interesses, introduzindo conceitos alheios ao Islam, legitimando ocupações, ajudando na abertura de mercados, afastando cada vez mais os muçulmanos de sua religião. Todas as instituições de ensino religioso têm o currículo controlado pelas potências imperialistas, garantindo uma educação religiosa inadequada, assegurando que o Islam jamais será ensinado,  muito menos praticado, em sua íntegra.Esta sendo introduzida a idéia de um “novo Islam”, que não seja uma ameaça aos interesses capitalistas. Afastando os muçulmanos da visão do Islam como modo de vida, ele ficara confinado aa prática religiosa ao interior dos lares e das Mesquitas: a secularização neutraliza o Islam como força ideológica e sócio-política, e o torna inofensivo à “nova ordem mundial”.

A aliança cruzado-sionista

            Em 1917, a Declaração Balfour deixou claro qual era objetivo britânico para Palestina. O mandato britânico na região incentivou e amparou a imigração judia fazendo essa população dobrar em número até 1949. Em 1940, 20% das terras cultivadas da região pertenciam ao Fundo Nacional Judeu, que as tinham como propriedade inalienável do povo judeu, na qual nenhum não-judeu podia ser empregado. Desde o início do mandato britânico, cerca de dois milhões de judeus migraram para Palestina vindos principalmente da Europa.

            O principal resultado da segunda guerra mundial foi o estabelecimento do Estado Judeu na Palestina, em 1948. Tomada dos muçulmanos pelos ingleses na Primeira Guerra Mundial, a Palestina foi entregue aos judeus ao fim da Segunda. O novo governo judeu massacrou os muçulmanos palestinos, a maioria dos sobreviventes foi expulsa: 750 mil refugiados, famílias que tiveram suas vidas destruídas, que criaram seus filhos em campos de refugiados...as crianças cresceram, e ainda estão proibidas de voltar para a terra que foi brutalmente tomada de seus pais!  O mundo, sensibilizado pela exploração sentimentalista do chamado “holocausto”, apoiou a usurpação das terras muçulmanas, porém,  o “naqba” ,  as atrocidades e injustiças cometidas contra os muçulmanos da Palestina e o desastre que se abateu sobre eles, não despertou nenhum sentimento na “comunidade internacional” ! Ate hoje os muçulmanos lutam pelos seus direitos, lutam por justiça,  e combatem corajosamente os usurpadores sionistas, e o mundo ainda não compreende...

 O Estado de Israel foi criado como uma base avançada contra o Islam no seio de seu próprio território, e consolidou o domínio kufar sobre os três lugares sagrados: na  Península Arábica o governo já representava os interesses das potências imperialistas, e o local da Mesquita de al-Aqsa, chamada pelos judeus de “Monte do Templo”, voltava, depois de tantos séculos, para as mãos dos judeus.  As vitórias sobre os vizinhos árabes nas guerras que se seguiram a criação do Estado de Israel, foram uma demonstração de força da aliança entre cristãos e judeus contra o Islam. amparado pelos recursos militares da América,  Israel se destacava como uma potência militar, e os vizinhos árabes não tinham alternativa senão aceitar o estabelecimento da base inimiga em seu próprio território pela força. Desde então, os interesses de Israel movem as campanhas militares americanas, numa política totalmente atrelada, que faz dos dois uma unidade, com os mesmos interesses e objetivos. Garantir a segurança de Israel é prioridade para política de defesa americana.

O ex-presidente americano, Bill Clinton, disse em Los Angeles, em 14 de agosto de 2000:

“Nós ajudaremos Israel a preservar sua segurança.”

E disse em seu pronunciamento em 7 de janeiro de 2001:

“Eu acho que a América ficará lá (no Oriente Médio) permanentemente, para garantir a segurança de Israel”

Por ocasião das congratulações pela sua eleição com presidente dos Estados Unidos, George W. Bush disse, em 6 de fevereiro de 2001:

“Os EUA trabalharam com todos os líderes israelenses desde seu estabelecimento em 1948 e nossas relações bilaterais são fortes como uma rocha, assim como o comprometimento dos EUA com a segurança de Israel. Tenho uma grande confiança no Primeiro Ministro Ariel Sharon.”

O então secretário de política externa, Collin Powell, disse ante o comitê de orçamento da Câmara dos Representantes, em 15 de março de 2001:

“Israel é nosso amigo e forte aliado, e a segurança de Israel continuará sendo uma grande prioridade para o povo americano e para o governo americano; um assunto que permanecerá o mesmo no concerne ao presente governo.”

Em 19 de março de 2001, o então Secretário de Política Externa americano, Collin Powel, disse em seu pronunciamento na AIPAC (American-Israeli Political Comitee) :

“Existe uma amizade especial unindo a América a Israel, como disse o presidente George Bush antes em sua conferência há um ano atrás, quando ele era governador do Estado do Texas. Eu estou aqui hoje para mais uma vez enfatizar esta amizade. Esta forte relação alcança das áreas de política e economia às áreas de segurança e cultura. Esta relação entre dois sistemas democráticos continuará forte como uma rocha. É uma relação incondicional e ampla, com raízes profundas, uma associação estabelecida sobre a história, interesses, valores e ideologias. Nós estamos decididos a manter este relacionamento especial com Israel e o povo israelense. Nós percebemos que a região onde Israel existe é extremamente perigosa. Assim, nós vamos achar meios e trabalhar para consolidar nossa valiosa estratégia de cooperação com Israel com o objetivo de proteger sua superioridade militar.” 

O inimigo do Islam hoje não é um país, ou uma potência, é a aliança cruzado-sionista, composta por quase todos os países da Europa e por Israel, liderados pela América, a serviço dos interesses dos capitalistas que controlam sua máquina de guerra, indústria pesada, mídia e instituições financeiras, e estão por trás da política de expansão da “nova ordem mundial”. O conflito tem uma dimensão mundial, uma vez que blocos se formam em torno de vantagens e interesses econômicos.

O papel da América

            Da mesma forma que a Inglaterra liderava a conspiração antiislâmica que minou o Khilafah Uthmani, garantiu o apoio irrestrito aos judeus que foi essencial para criação do Estado de Israel e estabeleceu as atuais  fronteiras do antigo mundo islâmico, hoje, a América lidera a ofensiva contra o Islam: através da ascendência sobre governos árabes, do controle do ensino e da divulgação, do apoio a  conspirações que têm o objetivo de  acentuar as divisões entre os muçulmanos, além de ocupações militares, que são legitimadas  pela alegação de combate ao terrorismo, ela dá seqüência à guerra contra o Islam. A ascensão da América ao comando da conspiração antiislâmica explica em parte o apoio incondicional  do Reino Unido às sua absurda política externa: há objetivos comuns, e maiores, em questão!

            Depois da Segunda Guerra Mundial, dois grandes blocos se formaram: o Bloco Ocidental, liderado pela América, e o Bloco Socialista, liderado pela União Soviética. A maioria dos estados árabe estava subjugada ou pela aliança euro-americana ou pela União Soviética, e, depois dos sucessivos fracassos das incursões contra Israel, pareciam controlados e por algum tempo o Islam não representava uma ameaça ideológica. O socialismo, porém, com sua política expansionista,alimentava o conflito: a Guerra Fria foi um embate entre duas ideologias pela predominância no cenário internacional. Porem, acima de tudo, serviu para alimentar a corrida armamentista, promovendo um relevante desenvolvimento bélico.

A situação começou a mudar em 1979, quando dois importantes eventos para história islâmica ocorreram: a Revolução Islâmica no Iran e a invasão do Afeganistão pela União Soviética.

A revolução iraniana derrubou o shá aliado de Washington que promovia a ocidentalização do país para restaurar um governo em tese orientado pela lei islâmica. Devido a orientação shi`a do Iran,o movimento restaurador jamais poderia atingir o ideal de aplicação do Islam, mas,  o rompimento com Washington, a rejeição da ocidentalização e o chamado para o Islam, expressaram o descontentamento popular com o afastamento dos  ideais islâmicos, e redespertaram a consciência dos muçulmanos para necessidade de restaurar o Estado Islâmico.

Quando os soviéticos invadiram o Afeganistão, foi lançado um apelo aos muçulmanos de todos os países pela mobilização para  ajudar os muçulmanos afegãos, despertando não só o sentimento de fraternidade mas também o grande diferencial que é a  força motriz da capacidade de reorganização desta Ummat: a jihad.

 Os mujahdin começaram a campanha contra os soviéticos tendo a fé como principal arma, o dever de combater a injustiça como motivação e libertar seus irmãos oprimidos e elevar a palavra de Allah(swt) como objetivo. Muçulmanos de todas as nacionalidades se uniram para defender seus irmãos  na  fé, fazendo renascer a noção do Islam com uma nação internacional, na qual muçulmanos de todos os lugares do mundo estão ligados  pela fé.

Com financiamento de quase todos os estados árabes e da CIA, os mujahdin derrotaram os soviéticos, que deixaram o país em 1989. A derrota dos soviéticos no Afeganistão foi marcante para os muçulmanos, pois lhes recordou que sua força como comunidade repousa em  dois pilares: unidade e jihad. O recrutamento de muçulmanos de todas as nacionalidades revitalizou a idéia do Islam como nação e a vitória contra uma superpotência relembrou como é glorioso o caminho dos que combatem pela fé.

Quando a guerra acabou em 1989, heróicos e vitoriosos mujahdin bem preparados voltaram para seus países de origem, levando na bagagem os mais puros ideais islâmicos, prontos para serem os protagonistas do renascimento islâmico. E hoje seu trabalho orgulha esta nação e é motivo de esperança para todos os muçulmanos. 

Um dos mais importantes  frutos dessa geração é o movimento Taliban, que foi  a primeira iniciativa seria de estabelecimento do Estado Islâmico desde 1924. Desde o estabelecimento do Emirado Islâmico do Afeganistão, em 1994, o Taliban  é um exemplo a ser seguido tanto com relação à aplicação da shari`a al-islamiya quanto na resistência à ocupação.  

Recentemente, a resistência iraquiana deu a esta Ummat mais motivos de alegria, ao declarar o estabelecimento, na província de al-Ambar, do Estado Islâmico do Iraque, como resultado do incansável trabalho dos mujahdin. Assim, ainda que a situação não pareça favorável, caminhamos para um futuro promissor, bi idhni Allah.

A Nova Ordem Mundial

Com a queda do socialismo, o capitalismo prevaleceu no cenário internacional. Uma nova situação emergia: a consolidação da “nova ordem mundial”, a imposição de uma hegemonia ideológica mundial, que resulta num modo de vida que não contraria os interesses políticos e econômicos das grandes corporações capitalistas que estão por trás dos governos das grandes potências dominantes. A ONU, o FMI, a OMC, a OTAN e todos as organizações “multilaterais” são representantes de uma estrutura política global que garante a manutenção da concentração de capital nas mãos de uma pequena elite capaz de manipular o povo, a política e até mesmo a história em prol de interesses econômicos privados.

            Apesar da influência anglo-americana nos estados árabes desde sua formação, a ocupação cruzado-sionista no mundo muçulmano se consolidou na chamada “Guerra do Golfo”, em 1990, quando América encontrou a desculpa perfeita para  instalar suas bases militares na Península Arábica: o acordo militar com o Reino Saudita e a invasão do Iraque consolidava o controle da região. O então presidente George H. Bush explicou o significado dessa nova fase de operações no Oriente Médio, num discurso no Congresso Nacional, dia 11 de setembro de 1990:

 “Nós estamos hoje diante de um momento único e extraordinário. A crise no Golfo Pérsico, ainda que seja grave, nos oferece uma rara oportunidade de nos movermos para um período de cooperação. Desses dias de problemas, (...)  a Nova Ordem Mundial pode emergir, uma nova era, livre de ameaças de terror, mais forte na perseguição da justiça, e mais segura na busca pela paz.(...) Hoje o novo mundo está lutando para nascer, um mundo totalmente diferente desse que nós conhecemos.”

Por trás do intervencionismo americano, estavam os interesses das grandes corporações capitalistas que sustentam a própria América: a guerra permitiu que se assegurassem novas condições políticas e econômicas para produção e comércio de petróleo (e outras commodities). A América atuou como o braço executivo da classe dominante, fazendo com que os interesses conflitantes das elites econômicas convergissem para uma união estratégica. A aliança dos capitalistas se fortalecia, e agora, todos unidos, voltavam-se contra o inimigo comum: o Islam.

O Islam é um empece-lo no ideal de hegemonia ideológica e comportamental que garante a exploração das massas, pressuposto pela “nova ordem mundial”. A expansão da “nova ordem mundial” dentro dos domínios islâmicos gerou um choque frontal entre essas duas ideologias. O estabelecimento  de bases dos inimigos  de Allah(swt) na terra das duas Mesquitas Sagradas, berço do Islam e centro de convergência dos muçulmanos, foi a última gota num copo transbordante: reagir contra o avanço das agressões ideológicas e militares contra o Islam se tornou uma obrigação para todos os muçulmanos, partir de então, o uso da força surgiu como única alternativa para resistir à ocupação cultural e libertar os lugares sagrados.

Conclusão

Um modo de vida que favorece a conservação da concentração de capital – por isso de poder – nas mãos de uma pequena elite dominante está sendo imposto às nações para que sirvam aos interesses capitalistas: a “nova ordem mundial” é uma ditadura cultural que ampara uma organização política opressora, que divide a humanidade em elite dominante e massa manipulada. O povo é usado para servir aos interesses econômicos das elites capitalistas que estão por trás dos governos das potências dominantes, assim, os interesses das nações são sacrificados em nome dos lucros das grandes coorporações capitalistas.  

O Islam, como modo de vida e ideologia, se opõe diretamente a “nova ordem mundial”, porque oferece uma alternativa ideológica e comportamental satisfatória, que coaduna com a natureza humana porque não negligencia suas esferas intelectuais, morais e espirituais. A obstinação da aliança cruzado-sionista em afastar os muçulmanos do conhecimento e da prática de sua religião, e impedir que se estabeleça uma sociedade organizada de acordo com a Lei Islâmica, ocorre porque a sociedade islâmica ameaça a hegemonia ideológica do materialismo e a expansão do capitalismo como sistema econômico mundial, sendo a única força capaz de frear a  “nova ordem mundial”.  

Apesar das ocupações militares e da pilhagem das riquezas dos países de maioria muçulmana, a maior agressão contra o Islam é a ostensiva campanha de contaminação cultural  que tem o objetivo de criar e estabelecer um “novo Islam”, um “modelo flexibilizado”, aprazível ao Ocidente, que não se oponha à “nova ordem mundial”, portanto aos interesses capitalistas. O objetivo final desta campanha é a secularização, isto é, levar os muçulmanos a abandonarem as injunções islâmicas relativas aos afazeres mundanos, confinando a prática da religião ao interior dos lares e das Mesquitas, neutralizando o Islam como força ideológica e sócio-política.

 Os líderes ocidentais dizem que não são contra o Islam, são contra o "Islam radical". Estes termos "radicalismo", "extremismo", "fundamentalismo" foram reinventados pelo Ocidente depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, como parte do  plano de  remodelagem do Islam. Uma evidência disso pode ser extraída do dossiê  conjunto dos gabinetes de política interna e externa do Reino Unido publicado no Sunday Times, em 10 de julho de 2005, logo depois das bombas no metrô de Londres: o dossiê propõe medidas reformistas que coadunem com os planos do governo  para o Islam, que incluem medidas como: a divisão da comunidade entre moderados e extremistas, de forma que se estabeleça um conflito entre os dois-Tony Blair disse em 9 de julho de 2005: "Os moderados devem confrontar os extremistas e derrotá-los"-; o ataque a conceitos islâmicos  pregados pelos chamados “radicais", como a rejeição de valores ocidentais (liberdade, democracia e secularismo) e o chamado para o Islam político na forma do Khilafah, incluindo ainda outros conceitos que são vistos com "extremistas e devem ser abandonados, como a legitimidade da jihad, a adoção da shari`a como código penal, e até mesmo a visão do Islam como verdade absoluta; o controle de organizações muçulmanas, estabelecendo grupos que divulguem as idéias do governo entre a população muçulmana; formação de imanes que liderem mesquitas controladas pelo governo, divulgando um "Islam europeu, moderado, em concordância com valores liberais e seculares". (fonte: Khilafah Magazine International, august, 2005).

A longa e ostensiva campanha de contaminação cultural realizada nos países de maioria muçulmana com a ajuda dos líderes árabes, representantes dos interesses cruzados-sionistas,  provocou uma confusão ideológica: depois de tantos anos de distorções de conceitos e ensino deficiente, os próprios muçulmanos não compreendem relação entre política e religião, e a maioria vê a democracia como uma saída para libertá-los da tirania de seus governantes: essa ignorância em relação ao Islam, que vem sendo imposta em nome dos interesses capitalistas, é a doença que enfraquece esta comunidade e a deixa vulnerável à dominação!

A América e seus aliados, que incluem todos os líderes árabes, não apenas são uma barreira para prática, ensino e divulgação do Islam mas também realizam uma campanha contra ele, para mutilá-lo, distorcê-lo e neutralizá-lo, fazendo-o servir aos interesses materialistas: isto é mais do que a agressão a Ummah islâmica, é uma agressão contra a religião, contra a Mensagem de Allah(swt), é uma tentativa de rebaixar a Palavra de Allah(swt) e exaltar o kufr! Além disso, é uma agressão contra toda a humanidade, porque está privando as pessoas do acesso à Mensagem de Allah(swt) que foi revelada como misericórdia para toda humanidade!

Não resta alternativa senão combater os inimigos de Allah(swt) em defesa da religião, para elevar a palavra de Allah(swt) e rebaixar o kufr! Enquanto nação que possui a diretriz divina, é um dever dos muçulmanos combater a injustiça e a opressão, e fazer oposição à tirania até que todos os seres humanos sejam libertados da servidão a outros homens, e prevaleça na terra a submissão exclusiva a Allah(swt).

 Desta forma, não só é legítmo o combate das forças estrangeiras nos países ocupados, como é obrigatória a oposição aos governos dos países de maioria muçulmana que representem os interesses cruzado-sionistas, e a resistência à colonização cultural e a expansão da “nova ordem mundial”, numa batalha que deve ser travada em todos os campos, dos combates armados aos embates intelectuais, dos atos de guerra aos esforços para ensino e divulgação do verdadeiro Islam, e qualquer tentativa de impedir este trabalho deve ser compreendida como apoio ao inimigo do Islam e combatido como tal.

Os ataques contra América e seus aliados, tanto em seu próprio território, como nos territórios muçulmanos, ocupados ou governados pelos seus representantes, são uma obrigação para todos os muçulmanos, até que a “nova ordem mundial” seja destruída - devolvendo à humanidade a liberdade e dignidade - e até que o Estado Islâmico seja restabelecido, garantindo a integridade do Islam e devolvendo aos muçulmanos sua segurança e prosperidade.

Aicha Aini, Brasil 2006