A Poligamia no Mundo e no Ocidente

A atitude ocidental em relação à poligamia é hipócrita e etnocêntrica. O ponto que é freqüentemente mal-compreendido no Ocidente é que as mulheres em outras culturas -especialmente a africana e a islâmica - não necessariamente vêem a poligamia como um sinal de degradação das mulheres.

Conseqüentemente, igualar a poligamia com a degradação das mulheres é um julgamento etnocêntrico de outras sociedades. A repulsa etnocêntrica pela poligamia é melhor refletida na opinião de 1878 emitida pela Suprema Corte no caso de Reynolds versos Estados Unidos. A corte se recusou a reconhecer a poligamia como uma prática religiosa legítima, menosprezando-a como “uma característica quase exclusiva de vida dos povos asiáticos e africanos.” Em decisões posteriores, a corte declarou a poligamia como “uma mancha em nossa civilização” e a comparou ao sacrifício humano e “um retorno ao barbarismo.” De forma ainda mais reveladora, a corte constatou que a prática é “contrária ao espírito do Cristianismo e da civilização que o Cristianismo produziu no Mundo Ocidental.”

No Ocidente hoje, é comum para um homem casado ter relações extra-conjugais com amantes, namoradas e prostitutas. Conseqüentemente, a reivindicação ocidental à monogamia não é apropriada. O quanto essas relações extra-conjugais são comuns? As estimativas dizem que 23-50% dos homens e 13-50% das mulheres nos EUA tiveram uma relação extra-conjugal durante suas vidas. Mais de 15% de todos os maridos dizem que tiveram uma série de relacionamentos, e quase 70% dos homens casados com menos de 40 anos esperam ter um relacionamento extra-conjugal.

O fato de que o conceito ocidental de monogamia é baseado em padrões duplos pode ser ilustrado com um exemplo. Coabitar com mulheres é legal, socialmente aceitável, e até um assunto usado como marketing para a transmissão de reality-shows na televisão, mas um casamento poligâmico envolvendo responsabilidade financeira e moral em relação a uma mulher e seus filhos é considerado socialmente imoral e ilegal! Existe até quem suporte “casamentos abertos”, nos quais cada cônjuge é livre para ter parceiros “extra-conjugais”. A revista Playboy de novembro de 2005 mostra seu proprietário-fundador Hugh Hefner com suas três mulheres. Isso coordenado com um reality show na TV chamado “Girls Next Door.” As câmeras seguem suas três namoradas “oficiais” tratando-as como suas “esposas”, já que elas vivem com ele; apenas não têm uma certidão de casamento.

A monogamia não protege as mulheres, mas aos homens que as exploram. A poligamia protege os interesses das mulheres e crianças na sociedade. O homem se opõe à poligamia, não porque a monogamia é moral, mas porque ele quer satisfazer seu desejo por variedade se dando ao luxo de cometer adultério ilimitado. Pecado, não fidelidade, tomou o lugar da poligamia. É por isso que o homem se opõe à pluralidade de esposas que o compromete com muitos deveres e responsabilidades, financeiras e de outros tipos. A monogamia permite a ele desfrutar de relações extra-conjugais sem as conseqüências econômicas obrigatórias. Ele pode “brincar” sem assumir responsabilidade por sua conduta sexual. A poligamia legalizada exigiria dele gastar dinheiro com suas esposas e filhos adicionais.

A contracepção e a facilidade de praticar o aborto abriu a porta do sexo por diversão para as mulheres ocidentais. Mas ela continua a ser quem sofre o trauma do aborto e os efeitos colaterais dos métodos anticoncepcionais. Se um homem deseja ter uma segunda esposa da qual ele cuida, cujas crianças carregarão o seu nome, ele é considerado um criminoso que pode ser sentenciado a anos na prisão. Entretanto, se ele tem inúmeras amantes e filhos ilegítimos a sua relação não é punida em muitos países.

No passado, até mesmo para um homem libertino, as oportunidades de pecar eram limitadas. Por isso ele tinha que recorrer à poligamia e, apesar de alguns não cumprirem seus muitos deveres, ele ainda tinha que manter certas responsabilidades em relação às suas esposas e filhos. Hoje, um homem que tem amplas oportunidades de satisfação não vê qualquer necessidade de ter o mínimo de comprometimento; daí a sua aversão à poligamia.

A hipocrisia do Ocidente em relação à poligamia também pode ser vista no fato de que tomar uma segunda esposa, mesmo com o livre consentimento da primeira, é uma violação da lei ocidental. Por outro lado, trair a esposa, sem seu conhecimento ou consentimento, é legítimo aos olhos da lei. Qual é a sabedoria legal por trás de tal contradição? A lei é elaborada para recompensar o engano e punir a honestidade? É um paradoxo incompreensível do mundo ‘civilizado’ moderno. Além disso, a homossexualidade é legal, mas a poligamia é ilegal e, em alguns casos, crime.

Além de deixar um número substancial de mulheres ‘inativas’ ao negar-lhes o vínculo a um homem com segunda esposa, as nações ocidentais ainda privaram as mulheres excedentes do sexo masculino ao legalizar a homossexualidade. É inumano ter uma mulher como segunda esposa, de acordo com esses padrões tendenciosos, mas se a segunda “esposa” for um “amante” homem, então não é um crime. A homossexualidade, nos é dito, é um estilo de vida aceitável de acordo com as exigências do homem moderno! A atitude ocidental é o resultado lógico da rejeição da revelação de Deus que traz harmonia entre os seres humanos e sua natureza inata.


A Poligamia no Judaísmo e no Cristianismo