Retratos das Vidas dos Companheiros do Profeta Muhammad

Abdur Rahman al Bacha

Tradução: Samir El Hayek

www.islamhouse.com

Introdução do Tradutor

Louvado seja Deus, Senhor do Universo. Que Sua paz e Suas bênçãos recaiam sobre o nosso líder Muhammad, líder daqueles que viveram antes de nós e daqueles que ainda estão por vir, sobre os seus virtuosos descendentes e companheiros, e sobre aqueles que seguem os seus ensinamentos, até ao Dia do Julgamento.

Deus, na Sua glória e no Seu poderio, selecionou a Muhammad(S) para ser o mais favorecido dos Seus profetas e o derradeiro deles, assim como deu o Islam (à humanidade) como a final e a mais aperfeiçoada forma da Sua religião. Ele também escolheu, na Sua infinita sabedoria, certos indivíduos para serem os primeiros aderentes e pregadores do Islam, favorecendo-os sobre toda a humanidade, para serem os Seus mais devotados servos e líderes, nas suas porfias para a sua liberdade quanto à religião.

Quem eram os companheiros de Muhammad(S)? Foram os primeiros que creram em Deus e na divina missão de Muhammad (S), defendendo e dando-lhe seus apoios. Ao servirem a Deus, não havia nada que lhes fosse muito precioso: nem suas vidas, nem seus prestígios, nem tampouco suas saúdes. As missões dos Companheiros eram levarem a mensagem do Islam para toda a humanidade e, para cumprirem suas missões, engajavam-se em guerras, suportavam os exílios, as separações das suas famílias e dos entes queridos. Portanto Deus, o Todo-Poderoso, descreveu os Companheiros como vemos no Alcorão Sagrado: “... sem desanimarem com o que lhes aconteceu; não se acovardaram, nem se renderam.” (3:146)

Uma das maiores prioridades dos Companheiros (que Deus se apraza com eles) era buscarem a oportunidade de com o Profeta (S) passarem o tempo. Assim o fizeram, até que compreenderam e memorizaram tanto o Alcorão como a sunnah do Profeta(S). Desse modo, foram capazes de transmitir o Islam para as gerações seguintes, da mesma forma como o receberam do Mensageiro de Deus(S).

Não há oportunidade aqui para relatarmos todas as qualidades virtuosas dos feitos dos Companheiros. Fazermos isso iria requerer volumes e mais 8 volumes de escrita. O que é suficiente sabermos é que eles são honorificados pelo Próprio Deus, Que lhes exalta as virtudes como se segue, no Alcorão: “Quanto aos crentes que migraram e combateram pela causa de Deus, assim como aqueles que os ampararam e os secundaram estes são os verdadeiros fiéis, obterão indulgência e magnífico sustento.” (8:74)

Acerca deles, o Mensageiro de Deus(S) disse:

“Não faleis mal dos meus companheiros; não faleis mal deles, porque se qualquer um de vós gastasse uma montanha de ouro em caridade, iria obter menos virtude do que aquela que pode ser encontrada no topete de um deles” (Hadiss encontrado tanto na coleção de Muslim como na de Al Bukhári). Uma das primeiras das nossas preocupações é tornar a a história islâmica acessível aos nossos irmãos e às nossas irmãs que não falam árabe.

“Retratos – Vida dos Companheiros do Profeta Muhammad(S)” foi escrito por Abdur Rahman R. Bacha (Dr em Filosofia), num estilo leve e gracioso, coisa que lhe angariou grande popularidade, ao ponto de ter sido reimpresso mais de vinte vezes, ter-se tornado um componente padrão da literatura curricular em alguns países árabes. Seu conteúdo e estilo exortativos foram também as razões de o escolhermos para tradução. Embora o autor consigne a sua obra à juventude islâmica, o seu estilo elevado e dignificado é uma reflexão direta das histórias clássicas, das quais ele compila sua informação biográfica. Respeitando a seriedade do assunto-chave, eu tenho tentado preservar o tom formal do texto.

Uma nova geração de jovens muçulmanos está surgindo no mundo que fala o português. Trata-se de uma geração que se orgulha da sua identidade islâmica, e procura viver o Islam como este foi vivido pelo Profeta Muhammad (S) e pelos seus companheiros. As vidas dos Companheiros proporcionam-nos modelos inspiradores de coragem, convicção, sacrifício e amor à verdade. A escolha do material das biografias é da alçada do autor, sendo que vemos uma diversidade de personalidades que refletem pessoas de todas as conjunturas da vida, na Arábia, no tempo do Profeta (S). É meu desejo que essas biografias condigam com todos os muçulmanos de todos os grupos de idade.

Samir El Hayek

Notas quanto aos termos e às abreviações

Há inúmeros termos, títulos e expressões encontrados no Islam que requerem explicações. O Profeta Muhammad (S) foi o primeiro líder da comunidade muçulmana, que foi formada quando os seus membros aceitaram o Profeta como o Mensageiro de Deus, a divina revelação – o Alcorão, o livro de Deus –, e a Sua lei, para todo o sempre. É dever do crente dizer ou escrever, quando usar o nome do Profeta, a expressão: salla Allahu alyhi wa sallam, que significa: “Que a paz e as bênçãos de Deus estejam com ele.” Tenho abreviado isso com (S) e, ocasionalmente interpretado como “o abençoado Profeta.”

Os Companheiros foram aqueles Crentes que viveram no tempo do Profeta (S). É costume, mas não obrigatoriedade, dizermos, ao mencionarmos qualquer deles: “que Deus esteja aprazido com ele/ela”.

Sem atentar para qualquer desrespeito, não raro eu tenho omitido esse uso, para tornar o texto português mais fácil ao leitor. Quando a palavra “companheiro” aparece desacompanhada de qualquer adjetivo ou de adjunto, eu escrevo com inicial maiúscula (Companheiro – vale também para o plural).

Os Companheiros compreendem um número de grupos em que estão incluídos:

Os Al Muhajirun – aqueles Companheiros que emigraram juntamente com o abençoado Profeta, de Makka para Madina, no ano 622 H.;

Os Al Ansar – aqueles muçulmanos de Madina que receberam seus irmãos que haviam emigrado de Makka, e com eles compartilharam tudo o que tinham.

A hijra (Hégira) se refere àquela migração, sendo que os muçulmanos datam seu calendário a partir da hijra, abreviada com H., porque ela marca o ponto de referência após o qual foram capazes de fazer livremente a cultuação e instituir uma comunidade de Crentes.

Os nomes árabes são compostos de um primeiro nome, seguido de Ibn/Bint, que significa “filho/filha de”, abreviado com um b.. O nome pode ser terminado com uma palavra que acabe em i, significando procedência, como em Al Ansari. O prefixo al é equivalente aos artigos definidos o/os/a/as. O componente comum do nome pode ser o patronímico ou o matronímico, que é um nome que se refere a uma pessoa pelo nome do seu (dele/dela) filho/a mais velho/a; por exemplo, Abu, “pai de”, Umm, “mãe de”. A expressão matronímica por excelência é Ummu al Muminin, que quer dizer “Mãe dos Crentes”, um título respeitoso dado apenas para as esposas do Profeta (S). O exemplo dum nome que possui todos esses componentes é Abu Abdullah Muhammad b. Ismail b. Ibrahim al Bukhári, que quer dizer: Muhammad, pai de Abdullah, filho de Ismael, filho de Ibrahim, procedente de Bukhára.

O nome Banu literalmente significa “os filhos de”, e se refere aos membros de dum clã ou duma tribo, tal como Banu Makhzum (procedente do clã de Makhzum).

Tenho evitado sobrecarregar o leitor com as transliterações eruditas dos nomes árabes, contentando-me com a justa e consistente representação dos sons.


Capitulo 1

Said Bin Ámir al Jumahi