
Votar em uma Democracia é Proibido ao Muçulmano
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Os Argumentos (e contra Argumentos) mais Comuns para Justificar o Voto em Democracias: 1. A participação do Profeta Yusuf
(as), como um ministro no governo do rei do Egito: Aqueles que usam isso como evidência, se esquecem de citar que Yussuf (as) disse a seus dois companheiros na prisão, antes de assumir esta posição: “... O hukum (julgamento) pertence somente a Deus, que vos ordenou não adorásseis senão a Ele. Tal é a verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o ignora." (Trecho 12: 40). Então, como poderíamos dizer sobre Yussuf (as) que ele iria se comprometer e cooperar com um governo que legisla leis feitas pelo homem, enquanto ele mesmo aconselhou aos outros sobre este assunto, dizendo: "O Hukum (ou seja, o julgamento) é para ninguém, senão Deus?" Em primeiro lugar, aqueles que usam este exemplo, precisam de provas para sustentar a alegação de que a lei deste governo, após Yussuf fazer parte dele, não esteve de acordo com a Sharia de Yusuf (as). E não há nada que indique isso dentro do próprio exemplo. Pelo contrário, foi narrado que o Rei, se tornou um ministro dentro do reinado de Yusuf, após tornar-se muçulmano. Ibn At-Tabari Jarir narrou que Mujahid disse: "O Rei com quem Yusuf estava, abraçou o Islam entrou" (Jami’ Al-Bayan ‘An Ta’wil Ay Al-Qur’an”, Vol. 9/217) E Al-Baghawi disse: "Mujahid e outros disseram: Yusuf (as) não parou de chamar o Rei ao Islam enquanto, com gentileza, até que ele e muitas outras pessoas entraram no Islam." Além disso, é narrado que Yussuf (as) foi o governante, seus deveres como ministro incluía governar o Egito. Ibn At-Tabari Jarir narrado de As-Suddi disse: O Rei deu a Yussuf um cargo de autoridade, ele supervisionava o comércio e todos os assuntos ligados ao Reino e o rei dizia: “Nós damos plena autoridade para Yussuf na terra para que ele tome posse nela, como, quanto ou onde lhe agradar.” Al-Qurtubi narrou que Ibn 'Abbas disse sobre Yussuf: "Então ele se sentou em sua cama e o Rei se aproximou dele. E o Rei entrou em sua casa com sua mulher e a autoridade do Egito lhe foi concedida." Al-Qurtubi disse: "E quando o rei deu a autoridade do Egito para Yusuf, ele era generoso para com o povo e os chamou para o Islam, até que acreditaram nele e ele estabeleceu a justiça entre eles. Então os homens e as mulheres o amavam. ((23 “Al-Jami’ Li-Ah’kam Al-Qur’an”, Vol 9./215). 2. Devemos escolher o menor entre
dois males: Como a maioria das regras de Jurisprudência Islâmica, muitas vezes, o princípio da regra está correto, porém, alguns a implementam incorretamente ou em circunstâncias em que não seriam aplicadas. O erro mais comum dos que usam esta regra é que ele só pode ser aplicada quando as escolhas são inevitáveis. Um exemplo desta regra é quando alguém é confrontado com duas opções que são completamente inevitável, cada um dos quais não são admissíveis. Então, se uma pessoa estava em uma situação onde eles estão sendo obrigados a escolher entre duas questões que são essencialmente inadmissível, a menor das duas escolhas pecaminosas é para ser selecionada. Como um irmão colocou: Quando se tenta implementar este princípio nesta situação, é semelhante a ele beber álcool no seguinte cenário: Um irmão convida outro para o seu lar. Lá, ele obriga-o sob a mira de uma arma a beber qualquer um dos dois copos de álcool: um com álcool a 50% e um com 25% de álcool. Ele escolhe a segunda opção. Quanto à participação nas eleições
democráticas, não há compulsão alguma, então não pode haver desculpa
para cometer este Shirk usando o argumento de "o menor de dois
males." Pelo contrário, dizemos que a escolha para cometer o ato de
Shirk - enviar alguém para governar de acordo com a lei feita pelo
homem em vez da Sharia de Deus - é um mal muito pior do que se
abstiverem de votar no sistema do Taghut . E esta regra é similar a citada acima. Alguns usam essa regra para permitir a participação em eleições democráticas, dizendo que os benefícios na escolha de um candidato cujas políticas são menos prejudiciais para os muçulmanos, compensa o prejuízo, no caso de um outro candidato ganhar, com políticas mais ameaçadoras para os princípios islâmicos. Sendo que participar de eleições
democráticas, por conceito, é shirk, o alegado benefício em eleger
um candidato dentro desse sistema não existe, isso porque a pessoa
que participa dessa ação está, na realidade, buscando um benefício
de Allah, al Wali, enquanto viola o Tawheed. Não há nenhum benefício
em se praticar o shirk e não é permitido que esse ato seja
encorajado. E mesmo se tivéssemos de admitir que existem benefícios reais na participação em eleições democráticas, isso ainda não torna o ato permitido. Como Deus, o Altíssimo, disse: " Interrogam-te a respeito da bebida inebriante e do jogo de azar; dize-lhes: Em ambos há benefícios e malefícios para o homem; porém, os seus malefícios são maiores do que os seus benefícios. Perguntam-te o que devem gastar (em caridade). Dize-lhes: Gastai o que sobrar das vossas necessidades. Assim Deus vos elucida os Seus versículos, a fim de que mediteis" (Al Baqara: 219). Em seu Tafsir, Ibn Kathir disse: “Como seu benefício (álcool e jogos de azar), temos os ganhos materiais, o que inclui os benefícios para o corpo, (no caso de pequenas doses de vinho, por exemplo); no entanto esses benefícios são superados pelos malecífios que jogos e álcool acarretam para a mente e para a religião (parte espeiritual do ser humano). (“Tafsir Al-Qur’an Al-‘Athim” 1/345). Da mesma forma, se tivéssemos que admitir que há algum benefício na participação de eleições democráticas, o dano para a religião, devido os muçulmanos cometerem esse ato de shirkh, escolhendo alguém para legislar no lugar de Allah, seria imenso! E dizemos com toda certeza que Shirk é muito mais prejudicial ao crente do que qualquer entorpecente ou jogo de azar. 4. As ações são baseadas em
intenções: E dizemos que o erro desse pensamento lógico é o ponto chave desse texto e essa maneira errônea de pensar está presente em outros assuntos ligados a religião, por tanto, vamos detalhar um pouco esse tópico: O primeiro ponto é que os pecados não deixam de ser pecados devido à intenção de quem os comete. Abu Hamid Al-Ghazali, que Deus seja misericordioso com ele, disse: "Os pecados não mudam sua natureza pela intenção. As pessoas têm que entender que o dito: “As ações valem pelas intenções”, deve ser compreendido em uma maneira generalizada, isto não significa que um pecado muda de natureza devido a boa intenção da pessoa que o cometeu. É como alguém que constroi uma mesquita com dinheiro ilícito, ou que alimenta um necessitado com dinheiro que não lhe pertence, isso é uma ignorância. As boas intenções de nada valem se estamos cometendo um haram! Caso a intenção seja combater o mal indo contra a shariah, isto é um outro mal! Mas, se você diz não ter conhecimento sobre esses assuntos, então por isso comete o pecado, então, isso é ainda outro pecado, porque é obrigação do muçulmano buscar pelo conhecimento...” “Além disso, o que é bom ou mal para os muçulmanos deve ser interpretado, sempre, levando-se em conta o que está prescrito na shariah. Como um ato de shirk pode ser bom? Aquele que distorce a shariah o faz em busca de desejos pessoais.” A pessoa que é nova no Islam e por isso ainda não teve tempo para aprender determinados conceitos islâmicos, está está isenta do pecado, porém, é sua obrigação buscar pelo conhecimento. O dito: “as ações valem pelas intenções” só pode ser aplicado quando a ação em questão não envolve ato ilícito. A obediência também pode ser transformada em um pecado pela intenção errada. Também a ação permitida pode ser transformado em um pecado ou em ato de obediência devido intenção. Em contraste, um pecado nunca pode ser transformado em uma obediência pela boa intenção. Esse tópico é mencionado no livro: Ihya’ Ulum Ad-Din, Vol. 4/388-391. Em sua refutação à Fatwa de Shaykh 'Abdul-Aziz Ibn Baz, que permite ao muçulmano tornar-se um membro do Parlamento e participar em eleições democráticas, com base na regra: "As ações são baseadas nas intenções", Shaykh' Abdul -Qadir Ibn 'Abdil-Aziz, disse: "Eu digo que esta Fatwa está errada, de acordo com o que temos citado de Al-Ghazali, que os pecados não se tornam admissíveis pela intenção. Além disso, o Kufr é o maior dos pecados. Então, se juntar ao Parlamento Kufr, não é admissível, nem pela boa intenção, porque através do Parlamento é que o sistema democrático é implementado e sabemos que seguir um alegislação que não a de Allah é shirk, então, não podemos nos misturar àquilo que leva ao shirk! (Al-Jami Fi Talab Al-‘Ilm Ash-Sharif” 1/147-148). Por tanto a intenção não é um
fator que sirva de desculpa para se cometer um ato ilícito, se fosse
assim, os muçulmanos poderiam vender bíblias e estátuas de “santos”
para que o lucro fosse revertido aos muçulmanos e pensar em tal
atitude é inadmissível. Os que usam essa regra dizem que votar no candidato menos prejudicial nas eleições democráticas, ou votar por ele com base em algumas de suas boas políticas que estão em oposição à política do mal de seus oponentes é uma forma de comandar o bem e proibir o mal. Nossa resposta para isso é que a participação nas eleições democráticas é em si um mal que deve ser proibido, pois esse sistema visa associar os desejos dos homens com a Legislação de Deus, o Altíssimo. Estando claro esse conceito na mente do leitor, esse perceberá que é exatamente o oposto do que dizem aqueles que insistem em fazer permitido a participação numa democracia, pois é a democracia (shirk) que deve ser combatida, sendo ela o mal. A condição de combater o mal e comandar o bem, devem ser feita por meios permitidos, assim, não é permitido matar um homem para impedi-lo de roubar, não é permitido enganar um não muçulmano e fazê-lo pagar juros (riba), não é permitido seqüestrar as mulheres de um homem a fim deste parar de bater nelas. Outro ponto é que o resultado de comandar o bem e proibir o mal não deve ser um mal ainda maior. Shaykh Al-Islam, Ibn Taymiyyah, que Allah seja misericordioso com ele, disse: "E se aqueles que comandam o bem e proíbem o mal sabem que o resultado de uma determinada ação terá uma combinação inseparável do bem junto ao mal, então, eles não estão autorizados a recomendá-lo até que avaliem seus resultados. Se o bem for predominante, então eles devem encorajar determinado ato. Mas se o mal for predominante, então, eles são proibidos de fazê-lo, mesmo que isso implique a perda de um bem menor. Neste caso, comandar um bem que resultaria em mais erros, seria um ato de comandar o mal e promover a desobediência a Deus e Seu Mensageiro.”(Al-Amru Bil-Ma’rufi Wan-Nahyu ‘An Al-Munkar, Pg. 21). E ainda, Ibn al-Qayyim, que Deus seja misericordioso com ele, disse: "Caso um ato de proibir o mal leve ao que é ainda pior e mais odiado por Deus e Seu Mensageiro, então não há permissão para proibi-lo, apesar de Allah odiar o mal e odiar aqueles que o fazem.” (I’lam Al-Muwaqqi’in”, Vol. 3/4). Assim, as tentativas de proibir o mal, por aqueles que chamam à participação nas eleições democráticas, geram Shirk e desobediência à Allah. Mesmo concordando sobre a situação
terrível e dolorosa que nossos irmãos do Iraque e em outros lugares
inavdidos enfrentam hoje, temos que pesar a participação nas
eleições, mesmo com a intenção de ajudar esses irmãos, com o ato de
cometer Shirk . Allah, o Altíssimo, disse: “...e a sedição pela
idolatria é pior do que o morticídio...” (191, al Baqara, trecho). A
palavra em árabe, que foi traduzida por sedição é fitna, que no caso
se refere, segundo livro de tafisr do Shaikh Al Islam Ibn Taymiyah
(que Allah seja misericordioso com ele), ao Shirk e kufr. Quer
dizer, o ato de kufr ou Shirk é maior pecado do que o ato de
matança. Essa regra não é absoluta, ela deve ser avaliada e há exceções e estipulações que tornam essa regra inaplicável à participação em eleições democráticas. Em primeiro lugar, devemos qualificar o que é necessidades. Portanto, deve-se ter cuidado para não aplicar a concessão desta regra para algo que nem sequer se qualificar como uma necessidade. E sabe-se que compreende-se por necessidades no Islam as cinco categorias básicas: salvaguardar a religião, a si mesmo, manter sua sanidade mental, proteger sua família, manter seus bens. (Look to Fath Al-Bari, Vol. (1/179). Com isso fica claro que apenas determinados temas são considerados necessidade, a qual aplica-se a regra acima. Quando se trata de Kufr e Shirk, não há desculpa para realizá-lo devido a uma necessidade (Dharurah), mesmo porque, cometer Kufr ou Shirk é uma violação de uma das categorias de necessidade em si: salvaguardar a religião, pois é princípio básico da fé islâmica a negação do Shirk. E como podemos olhar para alguns exemplos em que é permitido executar um pecado, baseado em uma necessidade legítima e depois usar essa comparação para permitir a realização de um ato de Kufr ou Shirk? Shaykh Al-Islam, Ibn Taymiyyah, que Allah seja misericordioso com ele, disse: "Na verdade, existem atos que são terminantementes proibidos, que a legislação islâmica não permite de jeito nenhum, nem por necessidade. Um desses atos é o Shirk e atos sexuais fora do casamento e falar sobre Allah sem conhecimento. Allah diz no Sagrado Alcorão: “Dize: Meu Senhor vedou as obscenidades, manifestas ou íntimas; o delito; a agressão injusta; o atribuir parceiros a Ele, porque jamais deu autoridade a que digais d’Ele o que ignorais." (Al Araf: 33). Shaykh 'Ali Al-Shaykh Khudayr narrado de Hamad Ibn' Atiq, disse: "Ele, o Altíssimo, disse:" Ele só vos vedou a carniça, o sangue, a carne de suíno e tudo o que for sacrificado sob invocação de outro nome que não seja de Deus. Porém, quem, sem intenção nem abuso, for impelido a isso, não será recriminado, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo”. (AL Baqara: 173). Existe uma condição, enquanto
necessidade, para aquele que come, o faz sem desobediência
deliberada ou transgressão. E existe diferença entre as duas
condições:compulsão e necessidade. Ibn Atiq Ibn disse: "E na
permissibilidade de comer carne dos animais já mortos, existe uma
necessidade, a fome, mas há algo que indica a necessidade de
apostasia voluntária? E Ali Shaykh 'Al-Khudayr continuou, "E nós
dizemos: Existe uma permissibilidade de comer carne de animais já
mortos, quando a pessoa encontra-se em necessidade pela fome. Mas
qual a necessidade de fazer parte voluntariamente de um conselho
secular orientado sob o taghut?” (Al-Jam’u Wat-Tajrid Fi Sharhi
Kitab At-Tawhid”, Pg. 121). E dizemos que, se uma pessoa fosse realmente obrigado a participar nas eleições democráticas, então a regra da necessidade o desculparia e não haveria nenhuma culpa sobre ele em fazê-lo.No entanto, a definição e as condições para a compulsão não se encontram na situação que estamos discutindo. Em primeiro lugar, a definição de compulsão (ikrah) está ligada a ser forçado a fazer algo, e não fazer algo voluntariamente.Abdillah Dr. Muhammad Ibn 'Al-Wuhaybi disse sobre a compulsão: “É quando alguém é obrigado a fazer determinada coisa e este fica sem opção de escolha” (Nawaqidh Al-Iman Al-I’tiqadiyyah Wa Dhawabit At-Takfir ‘Ind As-Salaf”, Vol. (2/7) Portanto, aquele que usa essa regra para permitir a participação nas eleições democráticas não podem alegar que isso é compulsão (ikrah). E o simples fato de que os muçulmanos estão sendo chamados a fazer esta ação voluntária é a mais clara prova de que eles não estão sendo obrigados a cometê-lo. Ibn Hajar disse: “São 4 as condições para compulsão (ikrah): A primeira é que a pessoa que está ameaçando seja capaz de executar o que diz e a pessoa que está sendo ameaçada é incapaz de impedir a ameaça, mesmo se fugir. A segunda é que o ameaçado tem forte convicção de se recusar a cumprir o ato pedido. A terceira é que a ameaça deve ser imediata, quer dizer, quem ameaça diz: “Se você não fizer isso, vou derrotá-lo agora. A quarta é que aquele que ameaça deixa claro que a realização do ato não é uma opção voluntária. (Fath Al-Bari ”, Vol. 12/311). Portanto esta é uma regra correta, se alguém fosse realmente obrigado a participar nas eleições democráticas, a compulsão o desculpariam do ato de Kufr e Shirk. No entanto, é claro que o que está sendo chamada compulsão, neste caso, não se enquadra na definição de compulsão (ikrah), nem atendem aos critérios para que as condições sejam válida. Fica claro através desse texto que é terminantemente proibido a participação do muçulmano em eleições democráticas! Texto original: http://www.islamicthinkers.com/index/index.php?option=com_content&task=view&id=635&Itemid=26 Tradução e adaptação: irmã Daniela |